Relato de parto

Por - Flora Gonçalves
 Acho muito importante escrever sobre as nossas frustrações de um parto passado, para que inspire quem quiser fazer um pouco diferente.
     Há cinco anos atrás, fiz uma cesárea eletiva. Parece um discurso tão pronto, mas eu comecei o meu pré-natal do Bernardo convicta de que teria um parto normal. Minha antiga obstetra fazia partos normais, dentro de centros cirúrgicos e em posições que eu julgava ser pouco confortáveis. Quando fiz 40 semanas de gestação, eu perguntei pra ela se poderíamos induzir o parto, e ela disse que não. E nunca me disse: vamos marcar uma cesariana, mas eu estava apavorada com algumas palavras que vinham junto quanto eu falava sobre PN: episiotomia e fórceps. Essas práticas eram corriqueiras no discurso dela, e isso foi me dando medo. Não sabia onde queria ser cortada, parecia uma questão de escolha: seja cortada onde quiser, mas seja cortada. Falei com meu marido e minha família, e depois de dois dias o meu bebê nasceu. Não foi um parto ativo, meu bebê demorou duas horas pra chegar pra mamar, achei frio e traumático pra nós. Não teve oxitocina, o apego foi difícil e ele teve um refluxo violento, após pegar uma infecção hospitalar e ficar 10 dias internado – comigo do lado, claro. Me culpo, pois sinto que eu me violentei muito mais do que me violentaram. Eu disse sim a todas as opções, convicta de que isso era o melhor a ser feito.
      Quando descobri essa gravidez, a primeira coisa que fiz foi mudar de obstetra. Esse meu médico é uma das referencias em parto humanizado, e na última consulta, falando sobre partos, ele me disse: “você tem tudo para um parto normal, vamos fazer na posição que vc se sentir melhor: de cócoras, na água, como quiser. Você deve chamar uma doula, porque o que eu tenho notado é que elas fazem toda a diferença no processo do parto. É legal você preparar uma trilha sonora, que te relaxe, também”. Eu fiquei chocada. Nunca tinha ouvido um médico botando tanta fé em mim, no meu corpo e na minha capacidade de parir. É incrível como faz diferença um discurso que te dá autonomia. E agora, nessa caminhada até meu segundo filho nascer, me sinto completamente segura em seguir essa caminhada para um nascer diferente, com uma equipe diferente, com um olhar humanizado.

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