17 de maio de 2017

Relato de parto Sarah Alves Rodrigues

Bem, aqui estou eu, 6 meses depois do nascimento da minha filha, terminando de escrever o relato do meu parto (comecei há 3 meses...rsrsrs). Engraçado que sempre fiquei pensando porque algumas mulheres demoravam tanto pra escrever o relato delas, e eu acabei fazendo do mesmo jeito. Fui enrolando, meio que sem querer... Mas a realidade é que é difícil sentar pra escrever nos primeiros meses, principalmente quando você opta por criar o bebe com amamentação livre demanda, sem suporte do bico e ainda tem um bebê que quase não dorme, como a minha Sophia... rsrs. Mas enfim, terminei!

Para começar, vou fazer uma breve introdução sobre mim. Eu sou a Sarah, tenho 30 anos e sempre tive uma certeza em minha vida: queria ser mãe! E desde sempre eu pensava que o parto deveria ser da forma mais normal possível! Eu nem imaginava que a cesariana já havia ganhado na preferência e estatística em quase todos os hospitais do Brasil. Bem, um tempo depois que me mudei para Belo Horizonte (sou de Montes Claros – MG), tive uma colega de apartamento que teve seu parto na Maternidade Sofia Feldman. Foi quando ouvi falar, pela primeira vez, dessa maternidade que incentivava o parto natural, e que até possuía as suítes de parto com banheira (meu sonho!!!).É importante ressaltar que a experiência dessa minha amiga não foi tão boa para ela, que dizia que nunca mais teria um parto, e que se tivesse não seria no Sofia. Eu escutei isso e pensei: “talvez o parto dela não foi tão legal, mas se eu engravidar aqui em BH, será lá que terei meu bebê, por que lá eu teria certeza que respeitariam meus desejos”. E assim foi.

Casei, e 2 anos depois começamos a preparar para engravidar. Pesquisei na internet alguns obstetras em BH que fossem a favor do parto humanizado. Foi então que li sobre um médico – Lucas Barbosa - que atuava na Maternidade Sofia Feldman e também atendia pela Unimed. Entretanto, o que mais me interessou foi o fato de que ele era um dos poucos em BH que fazia a manobra de versão cefálica externa e se necessário o parto pélvico (eu queria evitar de qualquer maneira a desculpa para uma cesárea).

Nas minhas pesquisas também descobri que havia o Instituto Nascer, o Núcleo Bem Nascer, a ONG Bem Nascer, e outros. Enfim, além da Maternidade Sofia Feldman, existem várias instituições e organizações em BH que apoiam e dão suporte às pessoas que desejam ter seu parto da forma mais respeitosa possível.
A imagem pode conter: 1 pessoa
Então começamos a frequentar as rodas da ONG Bem Nascer. A primeira vez que fomos foi em Novembro de 2015. Nos apaixonamos pela ONG naquele momento, e não paramos mais de ir. Foi lá que fortaleci minhas convicções e que meu marido compreendeu e passou a defender o parto fisiológico. Ele foi comigo todas as vezes. Devemos muito a toda equipe da ONG e a todos os casais que iam lá contar suas experiências. Foi lá também que conhecemos nossa querida Doula Rosana Cupertino!

Em janeiro de 2016 confirmamos que Deus havia atendido nosso desejo. E em março já sabíamos que era uma menininha – a Sophia!

A gravidez transcorreu bem tranquilamente, com excesso de disposição! Cuidei da alimentação; fiz pilates; caminhadas; também fiz exercícios para fortalecer meu períneo (acompanhada por uma fisioterapeuta da saúde da mulher); e trabalhei bastante!!!

No fim, engordei apenas 10kg. Não tive inchaço algum, e meus exames foram sempre muito bons. Enfim, diante de uma gestação tão tranquila, eu tinha um sentimento que o parto seria tranquilo. E graças a Deus, foi!

No dia 13/09/2016 fui à consulta com Dr Lucas Barbosa, estava com quase 39 semanas. Até aquele dia não havia sentido nada das tais contrações de treinamento.

Dr Lucas fez o toque (pela primeira vez), e descobrimos que eu já estava com 4cm de dilatação! Fiquei surpresa, não esperava isso! Dr Lucas disse que Sophia poderia demorar ainda mais de uma semana para nascer, mas saí de lá andando bem devagar...kkk Eu tinha tanta coisa pra arrumar ainda.

A semana transcorreu tranquilamente. As vezes eu percebia a barriga endurecer , mas não sentia nenhum desconforto.

No dia 22/09/2016 (dia que completei 40 semanas) eu acordei e fui ao banheiro fazer xixi, quando percebi que meu tampão mucoso estava saindo. Também senti umas leves pontadinhas no pé da barriga, então imaginei que estava chegando a hora, mas fiquei tranquila e segui com o planejado para o dia. Eu tinha marcado a manicure na parte da manhã e tinha consulta com Dr. Lucas à tarde. Fui ao salão fazer as unhas, almocei e fui para minha consulta. Chegando lá Dr Lucas me avaliou e me disse que eu já estava com 6cm de dilatação!!! Ele brincou e disse, “vai nascer de hoje para amanhã à noite. Fica preparada e observe os primeiros sinais de contrações ritmadas, porque se você já está com 6cm de dilatação e não está sentindo as contrações pode ser arriscado esperar muito tempo em casa”.

Bem, eu confesso que fiquei feliz por já está com 6cm de dilatação sem sentir nada de dor, fiquei imaginando que eu poderia ser uma daquelas mulheres que o bebê escorrega igual quiabo... kkk mas na verdade eu estava torcendo pra Sophia esperar até o domingo, pois tinha roda da ONG no parque Mangabeiras no sábado dia 24 e eu queria muito ir (fiquei só na vontade).

Saí do consultório, comi uma pamonha e fui pra casa. Terminei de preparar a bolsa maternidade, pedi para meu marido comprar uns picolés e deixar a caixa de isopor preparada. Nós dois resolvemos dormir mais cedo, por volta de 21 horas. Ele dormiu rápido! Eu demorei a pegar no sono. Pouco tempo depois que dormi, acordei sentindo uma contração, não foi tão forte, mas foi o suficiente para me acordar. Minutos depois senti novamente, e assim foi por uns 30 minutos. Resolvi acordar meu marido. Ele ligou o aplicativo do celular e começou a monitorar as contrações, percebemos que estavam vindo a cada 4 minutos e durando uns 30 – 45 segundos. Mas eram contrações muitos suportáveis, praticamente não doíam.

Resolvemos então enviar uma mensagem para Rosana, nossa doula, e ela nos orientou a fazer como Dr Lucas havia falado, ir para a maternidade.

Arrumamos tranquilamente (eu mais tranquila que meu marido...rsrs) e fomos para a maternidade. Chegamos por volta das 02 horas da madrugada, havia pouquíssimas pessoas aguardando atendimento. Não demoraram a me atender. Quando fui avaliada pela enfermeira, ela disse que eu estava com 8cm de dilatação!!! Quase não acreditei. Ela perguntou se eu queria ir para a casa de parto, pois meu perfil se encaixava e havia uma suíte liberada. Eu disse que era o que mais desejava!
Nos instalamos em uma suíte na casa de parto, informamos para a Rosana (nossa doula) sobre a minha situação e ficamos aguardando. Fui avaliada pela enfermeira de plantão e estava tudo bem comigo e com a Sophia. Meu marido esteve tranquilo durante todo o tempo, me fazia massagem, me abraçava, me colocava na bola pra exercitar, dançava comigo. Ele foi um acompanhante maravilhoso, um mariDoulo!!! A Rosana chegou por volta da 04 horas e a partir daí esteve ao nosso lado, nos alegrando, nos orientando, me ajudando a fazer os movimentos para ajudar a Sophia descer, me massageando quando vinham as contrações, me lembrando de beber água e comer – meu marido também ficava o tempo todo me dando algo para comer..kkk

Às 07 horas da manhã teve a troca do plantão e nós conhecemos as enfermeiras que nos acompanhariam no nascimento da Sophia. Elas me avaliaram e disseram que estava tudo bem. Mas que, pelo meu partograma, a Sophia já deveria ter nascido, pois cheguei ao hospital com 8cm de dilatação às 02:30 da manhã. Elas me perguntaram qual seria meu posicionamento caso demorasse mais, pois eu não havia deixado claro no meu plano de parto se autorizaria alguma intervenção, como: romper a bolsa, usar ocitocina, etc...

Nesse momento eu fiquei um pouco em choque, pois não esperava que lá no Sofia Feldman tentassem acelerar meu parto por meio de alguma intervenção. Foi então que meu marido perguntou: Mas está tudo bem com a nossa filha? E disseram que sim. Então eu acho que entenderam que nós não pensávamos em fazer nenhuma intervenção enquanto estivesse tudo bem com nosso bebê. Elas saíram do quarto, mas vinham a cada 30 minutos para monitorar os batimentos cardíacos da Sophia. Por volta das 10horas, em uma dessas vindas, eu pedi que fizessem o toque. Eu já estava com 10cm de dilatação!!! Mas a bolsa estava lá, firme e forte, impedindo meu bebê de nascer.

Dessa vez elas não sugeriram nenhuma intervenção, apenas disseram que eu poderia fazer alguns exercícios e também fazer uma força expulsiva quando viessem as contrações. E assim eu fiz, com a ajuda da Rosana e a insistência do meu marido - ele parecia um personal trainer...kkk “vamos lá amor, mais um agachamento..” “agora senta na bola” “faz força”. E eu fazia direitinho. Em cada contração eu agachava, fazia força, me movimentava. Até dancei forró com meu marido! O que eu não queria era intervenção alguma! E então, depois de bastante esforço, por volta de 12:30, a bolsa estourou!! Graças a Deus! Agora minha filha vem! 
 
Nesse momento, a Rosana começou a preparar a banheira, pois ela sabia que meu desejo era ter o parto na água. Pouco tempo depois que entrei na banheira, eu senti as primeiras contrações do expulsivo, foram bem dolorosas e me pegaram de surpresa. Nessa hora as enfermeiras vieram e disseram que a minha filha estava perto de chegar, trouxeram os materiais e ficaram de prontidão. Pouco tempo depois veio outra contração forte. Meu marido ficou atrás me apoiando pelos braços.

Após essa contração eu já pude sentir a cabeça da minha filha. Então veio a próxima e pior de todas: eu senti uma dor como se estivesse quebrando meus ossos, e eu gritei! Eu que dizia que não queria gritar, não consegui segurar! O grito saiu espontaneamente, e ele me ajudou a liberar a dor.

Nasceu a cabeça...ufa! Ela tinha uma circular de cordão, mas estava bem. A enfermeira fez uma manobra para facilitar no momento que viesse a próxima contração, pois o ombrinho dela estava um pouco preso. Então senti uma contração bem dolorosa, e ela veio para nós, para o meu peito, exatamente às 14horas do dia 23 de setembro de 2016! Eu estava feliz, aliviada e muito cansada.  
Rapidamente a enfermeira preparou o cordão umbilical para o meu marido cortar, e então elas tiraram a Sophia do meu colo e deram para meu marido segurar enquanto me ajudavam a sair da banheira. Eu deitei na cama e me deram a Sophia novamente, que ficou mais de uma hora nesse contato pele a pele. Foi nesse momento que ela pegou o peito e mamou. Que sensação maravilhosa!

Enquanto eu estava deitada na cama, nasceu a placenta (integra) e em seguida eu fui suturada, pois tive lacerações tipo 1 e tipo 2 na hora do nascimento (mesmo assim, foi melhor para o meu períneo do que se tivessem feito uma episiotomia).

O nascimento da Sophia foi como eu sempre sonhei: foi natural, foi na água, foi respeitoso. Eu senti, por pouco tempo, a maior dor que já senti na minha vida até o momento, mas não houve sofrimento, pois essa dor, foi dor de vida, foi a dor necessária para a Sophia vir brilhar neste mundo, e foi também a dor necessária para eu nascer de novo. Agora, como mãe! 

Nenhum comentário: