26 de setembro de 2016

Relato de parto Carine Silveira

Depois de quase 5 meses escrevi o meu Relato de Parto!
Foi uma experiência muito boa relembrar momentos tão especiais.
A minha gratidão à Bel Cristina, Quesia Tamara Villamil e Karine Brugger.

Quinta feira, dia 05 de maio de 2016.

Converso com o Theo e pergunto se é hoje que ele quer chegar ao mundo. Quem me conhece sabe que sou super ligada em datas, e hoje é um dia especial. Conto ao Theo que há 18 anos, nesta data, o pai dele me pedia em namoro.
Nada.......

Sexta-feira, dia 06 de maio de 2016.

     Depois de uma semana em casa, sem trabalhar por conta de uma sinusite, me levanto cedo pois tenho consulta com o obstetra e ultra som.
Wander e eu vamos para o Instituto Nascer, e somos atendidos pelo Dr. Hemmerson, já que a minha obstetra, a Dra. Quésia não está. Foi uma semana corrida, a minha consulta foi remarcada 3 vezes por conta dos vários bebês que estão florindo o mês de Maio. Adoro o mês de Maio, mês do meu aniversário!! Tudo ok com a consulta, 39 semanas e 3 dias, foi ótimo conhecermos o Dr. Hemerson, pois, dependendo da data em que o Theo resolver chegar, a Dra. Quésia estará em um seminário.
     De lá, vamos direto para a clínica de ultra som, será que este vai ser o último? Adoro ouvir o coraçãozinho do Theo e saber como ele está. Como sempre, o ultrasonografista, Dr. Paulo é um amor de pessoa, e constatamos que está tudo bem. O Dr. Paulo me diz que a minha placenta ainda não está madura, é de grau 1, que eu não devo me apressar, e devo esperar o tempo do Theo, e que, dificilmente ele nasceria antes de completar 41 semanas. Este fato me deixa muito ansiosa, será que não vou entrar em trabalho de parto? Será que terei que fazer uma cesárea?
     Envio uma mensagem para a Dra. Quésia na parte da tarde informando que estava tudo bem no ultra som, e faço uma piadinha, perguntando se ainda dava tempo da minha placenta amadurecer..rsrsrsrsr. Ela me retorna, me pedindo para ficar tranquila e dizendo que está tudo bem, que aguardava minha ligação em trabalho de parto (ô moça sabida).
     E assim o dia foi chegando ao fim... à noite fomos ao aniversário de um amigo e sai de lá me despedindo dos meus colegas de trabalho, dizendo que na segunda feira estaria de volta. Mal sabia eu...kkkkkk

Sábado, dia 07 de maio de 2016.

     Me levanto sentindo umas colicazinhas... diferentes de tudo que já senti, mas é tudo super leve e o dia passa tranquilo.
     À noite, o último lanche da família éramos seis (Agora somos 7!!!), coloco meus dotes culinários em prática, mas eu mesma.. quase não comi. As colicazinhas estão ficando mais fortes, começo a monitorar pelo aplicativo do celular. Não comento nada com ninguém, pois ia ser muito nervosismo kkkkkkk. Wander foi se deitar por não estar se sentindo bem.
Fico sozinha, sentada no sofá da sala e me pergunto, será que é hoje? Ou melhor, amanhã, já que passa das 23 hs. Será que vou ganhar este presente de dia das mães?

Domingo, dia 08 de maio de 2016 (Dia das mães).

     Continuo monitorando as contrações pelo aplicativo (nessa hora já tenho quase certeza que estou em trabalho de parto) 7 em 7 minutos, vou acordar o Wander.
     Meia noite e quarenta e cinco, chego no quarto, e digo ao Wander que nosso pequeno está querendo vir ao mundo. Ele se senta na cama e me diz: Essa notícia sara qualquer pessoa. Nesse momento ele nem se lembra mais que estava indisposto.
      Ficamos ali conversando e monitorando as contrações, o incômodo vai aumentando, mas não é uma dor. Duas da manhã e as contrações já estão de 5 em 5 minutos. Resolvo tomar um banho. Me lembro da Dra Quésia falando, “ O carro liga quando as contrações estão de 5 em 5 minutos, porém o motor só esquenta quando chega de 3 em 3”. Isso significa que ainda tenho tempo, quero prolongar ao máximo minha estadia em casa. As contrações estão ritmadas, continuamos jogando conversa fora, eu no chuveiro e Wander sentado no banheiro. Peço água, e ele me responde: Espera só um pouquinho que sua próxima contração deve chegar em 45 segundos. Eu rio, e daí 40 segundos, dito e feito, lá vem a contração.
     As 3 da manhã, já estamos de 3 em 3 minutos, e o incômodo aumentou consideravelmente. Eu penso, “Meu Deus, está tudo muito rápido, será que é assim mesmo? A bolsa não estourou, acredito que eu não tenha perdido nem o tampão, e onde estão as dores nas costas? Por enquanto só sinto na parte de baixo da barriga”. Wander liga para a Dra Quésia, que faz a avaliação da situação ao longo dos 5 minutos de conversa com ele ao telefone. Como as contrações estão de 3 em 3 minutos, ela nos informa que vai verificar a disponibilidade da suíte PPP no hospital de nossa preferência e nos retornará, enquanto isso, já podemos nos arrumar para sair e ligar para a Bel, nossa Doula. A Dra. Quésia nos retorna dizendo que está tudo ok e que já podemos sair. Wander liga para a Bel e ela diz que nos encontrará no hospital
      Como sempre, estou pronta em 5 minutos. As coisas do Theo e as minhas já estavam todas prontas, nas devidas malas. Wander demora uns 40 minutos ainda. Se eu já pego no pé dele, por conta de horário no dia a dia, imagina sentindo contrações à cada 3 minutos. Mas não posso reclamar, ele, além de se arrumar, estava preparando uma lancheirinha com frutas, castanhas e sucos (ai como eu amo esse marido gente!) para àquela que seria a jornada mais incrível de nossas vidas.
     Às 4h da manhã chegamos ao hospital, ainda bem que não tinha trânsito, porque andar de carro não é agradável. A Dra. Quésia e a Bel já estavam nos aguardando na portaria, elas me recebem com abraços, sorrisos e muito carinho. Vou direto para a suíte e Wander vai cuidar da papelada.
     Após ser examinada pela Dra. Quésia, vejo que ela sinaliza para a Bel, que estou apenas com 2 cm de dilatação e sai do quarto. Essa hora é frustrante. Depois de algumas conversas ao pé do ouvido, ela volta com o Wander e eles me dizem que realmente estou apenas com 2 cm de dilatação ainda na fase latente do trabalho de parto e que será melhor aguardarmos em casa.
     Voltamos para casa, Wander e eu, acompanhados pela Bel, e iríamos ao Instituto Nascer as 09 da manhã para uma nova avaliação. A esta altura, estava cansada e chateada, não tinha dormido nada e já fazia quase 24 horas desde a minha última refeição decente.
     Ao chegarmos em casa a Bel, já foi logo preparando um escalda pés e me faz uma massagem maravilhosa, ficamos nós duas na sala e consegui tirar um cochilo. As contrações se tornam irregulares, Bel me pergunta se quero comer alguma coisa, mas não consigo comer nada. As horas passam, tomo mais um banho longo e lá vamos nós para o Instituto, outra viagem desconfortável de carro, e mais frustração ao chegar e constatar que nada havia mudado, 2 cm de dilatação. A Dra. Quésia me pergunta se pode descolar a membrana, já que isso ajudaria na evolução do trabalho de parto. Digo que sim, estou cansada mas não vou desistir, voltamos de novo para casa, dessa vez só Wander e eu. Com um retorno ao Instituto pré agendado para a 18hs.
      No caminho me lembro que é dia das mães e que havia combinado de almoçar com a minha mãe e minha irmã. Não quero falar com ninguém, e peço ao Wander que as avise que não vai rolar almoço hoje e que ele dará notícias ao longo do dia.
     O domingo passa e continuo sem conseguir comer nada, o Wander bem que tenta, mas tá difícil, na parte da tarde ele faz um filé de peixe que adoro e quase obrigada como um pouquinho. Sei que Wander está nervoso e tenso, mas não deixa transparecer e faz de tudo para que o dia seja calmo, e nesse meio tempo responde às mil mensagens de Whats app que não param de chegar. Passo longe do celular.... As contrações continuam irregulares, às vezes até de 30 em 30 minutos.
    Não sinto que o trabalho de parto tenha evoluído. Já nem sei quantos banhos tomei, sinto muuuuuuuito calor, e próximo do horário de ir para o Instituto resolvo tomar mais um. No chuveiro eu fico pensando, será que devo continuar em casa? Não estou afim de ouvir novamente que continuo com 2 cm de dilatação. Mas não sei se aguento outra noite cansativa e em claro. Chamo o Wander e pergunto o que ele acha. Ele me diz que se não estou com vontade de ir, devemos ficar, e que se ficar difícil, podemos ir pro hospital a qualquer hora. Ele liga para a Dra. Quésia e a informa da nossa decisão. Ela pede para darmos notícias de qualquer evolução durante a madrugada, caso contrário, nos falaremos pela manhã.
     Após o banho volto para o meu cantinho predileto nos últimos dias, o sofá. Consigo dormir entre as 20 e 23 horas. Nossa!!! Como foi bom dormir um pouco. Resolvo ir pra cama, para ver se o Wander descansa um pouco.

Segunda feira, dia 09 de maio de 2016.

     Rolo de um lado pro outro, e não consigo ficar muito tempo deitada, pois é a pior posição.    Resolvo tomar mais um banho, Wander faz uma massagem muito boa e ficamos por lá um bom tempo. Ao sair ele me diz que vai fazer um escalda pés, pois ele aprendeu com a Bel. O escalda pés me ajuda a relaxar novamente e essa noite parece que passa mais rápido que a anterior.
     Às sete da manhã, ligo para a Dra. Quésia, contrações a cada 15 minutos, e comecei a sentir um incômodo nas costas, decidimos voltar para o hospital. Me preparei para um parto com a menor quantidade possível de intervenções, mas não iria prolongar por mais tempo a minha estadia em casa, já estava muito cansada. Nessa hora me lembro de uma das conversas que tive com a Dra. Quésia em uma de minhas consultas, ela me dizia que eu não deveria idealizar o parto, que deveria me entregar e viver a experiência, que se 70% fosse como eu esperava, já estaria no lucro. E com este pensamento fui para mais uma viagem “adorável” de carro, dessa vez, bem melhor que no sábado. O nervosismo inicial e a ansiedade já tinham passado, também, depois de tantas idas e vindas...rsrsrsr
     Dessa vez chegamos primeiro ao hospital, logo depois chegam a Dra. Quésia e a Bel, voltamos para a mesma suíte. Após a avaliação a Dra. Quésia me fala que estou com 4 cm de dilatação, e que a opção seria a indução artificial e o rompimento da bolsa. Confio na médica que escolhi para nos acompanhar a decido seguir em frente, voltar para casa não era mais uma opção.
      Olho para o relógio, 09:30, a enfermeira aplica a medicação, a bolsa já foi rompida, pelo que li ao longo da gestação, a indução artificial acelera bem o processo, o que pode torna-lo mais dolorido. A Bel me oferece um banquinho de balanço para sentar, o movimento alivia dor, (a essa altura já não falo mais incômodo) as contrações estão bem menos espaçadas, mas já não sei dizer de quanto em quanto tempo. Não sinto uma dor insuportável. O que mais me desgasta é o cansaço, é saber que não há intervalos, a contração vem, dura 1 – 2 minutos e logo em seguida outra já está à caminho. Me movimento, vejo a Bel colocando o Wander em uma cadeira mais confortável para que ele descanse um pouco, pois ele estava dormindo em pé e ela lhe diz que daqui a pouco eu precisarei muito dele.
     O tempo passa, decido ir para o chuveiro, a contração vem, meu instinto e me encolher toda, mas me lembro da Bel dizendo: Para baixo, relaxa, não trabalhe contra a gravidade. E assim eu faço, ou pelo menos tento.
    A Dra. Quésia chega para uma nova avaliação, que tem que ser realizada no momento da contração. Ai Jesus!! Isso não é divertido. 6 cm de dilatação, será que eu vou aguentar? Li muito que as mulheres em trabalho de parto entram na partolândia. Sou diferente, continuo consciente e dando notícia de tudo que está acontecendo ao meu redor. Me lembro das minhas leituras e sei que agora é a fase mais dolorosa do trabalho de parto. Pergunto à Bel sobre a possibilidade de uma analgesia e ela me diz para entrar na banheira antes desta possibilidade.
     Entro na banheira, e tenho um alívio, consigo relaxar um pouco mais entre as contrações. A esta altura o Wander já está acordado, já almoçou e já está ao meu lado. Bel me diz para vivenciar cada contração como se fosse a última, pois a cada momento eu estava mais perto de segurar o Theo nos braços. Tento me hidratar. Por alguns momentos ficamos somente Wander e eu no quarto, e ele me dá forças para continuar e não desistir àquela altura do trabalho de parto.
      Então sinto uma vontade enorme de empurrar, percebo que entrei na fase expulsiva do trabalho de parto. Depois de um longo caminho para subir a montanha, agora só falta escalar o paredão. Wander avisa a Dra. Quésia que vem me examinar novamente. Falta pouco.
     Faço força, e mais força dentro da banheira. Uma outra voz passa a me orientar e me ajudar, é a  Karine, minha quase xará, enfermeira do Instituto Nascer. Elas me pedem para sair da banheira, pois perceberam uma pequena alteração no batimento cardíaco do Theo. Vou para o banquinho, Wander sentado atrás de mim me apoiando e me ajudando. Percebo uma movimentação dentro do quarto, enfermeiras, pediatra e penso, está muito próximo.
     Algumas contrações depois Karine me avisa que Theo está coroando, coloco a mão e posso sentir sua cabecinha, mais uma contração e ela sai, Theo está olhando para cima, olhando para mim! Antes que o restante de seu corpinho saia ele chora. Outra contração e ele está em meus braços às 13:37 do dia 09 de maio de 2016. Obrigada Meu Deus!
     Que momento.....Wander nos abraça e estamos muito emocionados. Ficamos ali, nós 3, curtindo o nosso momento, o nosso mundo. Depois de algum tempo, a Dra. Quésia pergunta ao Wander se ele quer cortar o cordão umbilical. Ele prontamente responde que sim. Pose para a foto, e o laço físico entre mim e o Theo é cortado. Não me preocupo, pois tenho certeza que o laço que nos une é muito mais forte e jamais será rompido!
     E assim termino meu relato de parto! Olho para o lado e vejo o Theo dormindo serenamente nos braços do Wander, que também dorme, e tenho certeza que amor existe e que tudo valeu e vale muito a pena!

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