2 de agosto de 2016

Relato de Ângela Castro

                             
    Desde que tomamos a decisão de engravidar, rezamos para que viesse um bebê forte e saudável, e com a gravidez, pedimos muito que esse bebê fosse recebido no mundo com respeito e amorosidade.
   Como uma futura mãe dedicada, comecei a ir às rodas da ONG Bem Nascer antes de engravidar e aí começou a construção do nosso parto. Além de descobrir muitas coisas importantes e inimagináveis no grupo, e ouvir tantos relatos ricos, houve muitas leituras: Leboyer, Balaskas, Laura Gutmam, etc.
   Fizemos quase todo o pré-natal com o Dr. Marco Aurélio, que é a bondade em pessoa, e somos muitos gratos pelo cuidado dele. Por ele ter viajado na data do parto, quem nos assistiu foi o Dr. Renato Janone e a doula Daphne.
    Antes de passar ao parto em si, devo confessar que tinha a fantasia de não sentir nada, o bebê passar da hora, e precisar de uma cesárea. Essa foi a história da minha mãe. E como não senti enjoos, desconfortos, ou qualquer dessas coisas comuns na gravidez, também tinha medo de não sentir as contrações. Mas elas vieram! Ao se aproximar da data provável do parto conversei com a nossa filha Clara para que se estivesse bem para ela, que ela não demorasse a vir pois eu ia ficar ansiosa, e funcionou. Depois de duas noites tendo contrações não ritmadas, minha bolsa rompeu na manhã exata da dpp e fui admitida na maternidade da Unimed por volta de meio dia. Logo chegaram a Daphne e o Dr. Renato e o trabalho de parto começou por volta das 15 horas, durando umas 9 horas. Descrever tantas sensações e sentimentos que acontecem nessas horas é meio difícil. Naqueles momentos a dor incomodava muito, mas hoje parece uma vaga lembrança. Estar na banheira ajudou muito a tolerá-la. Também tive medo, aquela descrição típica do Michel Odent, com elementos próprios da minha história. Mas o que mais fica para mim da experiência foi a alegria por estar parindo e a gratidão por estar sendo acompanhada por pessoas tão especiais.
    Meu amado marido ficou ao meu lado o tempo todo e cuidou para que tudo estivesse agradável: trouxe lanches, colocou as músicas que eu gostava e me abraçou e segurou em todos os momentos que precisei.
    Outra pessoa maravilhosa que estava conosco foi a Daphne. Hoje acho que nunca percebi tão profundamente o sentido de apoio emocional quanto ao recebê-lo dessa querida doula. Como é bonito isso de tomar o tempo que for para conhecer os pais e o lugar onde o bebê será recebido! E que sensibilidade tem essa mulher para dizer no momento certo o que conforta e dá força para continuar. Sem contar com as infindáveis massagens nas costas em cada contração dolorida. Como ela consegue?!
     O outro apoio mais que especial que tivemos foi do Dr. Renato. Sempre descontraído e agradável, esse homem grande tem a capacidade incrível de ter uma presença extremamente suave a acolhedora. Como seria possível parir sem uma presença assim? Ele ao mesmo tempo nos dava a segurança de que os aspectos técnicos estavam sendo cuidados e a tranquilidade de que o nascimento da nossa filha estava sendo respeitado.
    E foi assim que ela nasceu. Aos gritos da mãe, banhada em oxitocina natural, e recebida com carinho, ela veio com 2800 kg de pura força e saúde, como havíamos pedido a Deus.

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