18 de abril de 2016

Relato de parto Mariana Espírito Santo

   Com a alegria de reviver esses momento tão único, encaminho relato de parto das minhas meninas.
    Parto da Maria Luiza - 03/05/2014 - Maternidade Santa Fé
    Obstetras: Sandro Ribeiro e Marco Aurélio Valadares
    Doula: Bel Cristina
    Pais: Vitor e Mariana
    Minha querida Maria Luiza, 
  Com você aos 46 dias dormindo no meu colo e me proporcionando a maior paz do universo, começo a te contar como foi a sua chegada nas nossas vidas.
    Desde que eu e o papai nos casamos nós já pensávamos em ter filhos. Mas ainda era cedo, mamãe não trabalhava e estava estudando muito para provas de concurso.
    Passado um tempo, mamãe foi morar em Ipatinga e estando longe do papai também não vivia o melhor momento para engravidar.
    2013 chegou e junto dele o instinto de pai e mãe gritou bem forte em mim e no papai. Desde janeiro esperávamos ansiosos pela notícia da remoção da mamãe pra uma cidade perto de Belo Horizonte. Os meses passavam e nada! Até que em julho decidimos, muito chateados, adiar um pouco a sua vinda, já que a transferência não acontecia. E foi aí que você veio!!!! De surpresa, sem avisar!
    A princípio mamãe se assustou, pensava em como passaria a gravidez sozinha naquela cidade e como voltaria pra lá com um bebê pequeno. O papai desde o dia em que ficou sabendo - dia em que chorou de emoção por quarenta minutos- sempre soube que tudo se encaixaria.
    Bom, bastou eu escutar o seu coração pela primeira vez, em setembro de 2013, pra me derramar em lágrimas e perceber que nada era problema: com você eu nunca mais estaria sozinha.
    Certo dia, antes de sabermos o seu sexo, perguntei ao papai o que ele achava. Juntos respondemos: menina! E assim foi!
     Minha pequena, você chegou trazendo sorte. Mamãe passou os primeiros meses da gravidez longe do papai. Mas em dezembro, quando já não havia tanta esperança, a notícia chegou: mamãe após 1 ano e nove meses finalmente voltaria pra morar junto do papai.
     E até sua chegada nós te enchemos de amor: conversávamos com a barriga, cantávamos, fazíamos carinho.
     Estudamos qual seria a melhor forma de você vir a esse mundo e nos preparamos juntos pra isso. Queríamos tudo muito natural, pra que você logo soubesse que viver exige esforço, mas com amor tudo é mais fácil e lindo. E assim fomos nos afastando dos medos e ansiedades!
    Trocamos de médico já com quase oito meses de gravidez. Nossa médica cuidou de nós até ali, mas não nos assistiria no parto que sonhávamos. E ainda bem que no nosso caminho surgiu o Dr. Marco Aurélio. Tranquilo e seguro que só ele, era tudo que precisávamos pra continuar firme nesse sonho de te trazer.
     Os últimos dias pareciam não ter fim. Já havia passado o dia que mamãe e papai acreditavam que você viria. E seguíamos à sua espera, no seu tempo, quando você estivesse pronta.
      Dr. Marco Aurélio viajaria no dia 01/05, e como você não havia nascido ainda, dia 30/04 fui com a vovó a uma consulta com outro médico da equipe, o Dr. Sandro. E gostamos de cara! Eu relatei a ansiedade, vovó perguntou se não era hora de induzir o parto e ele passou as seguintes recomendações médicas: ir a um casamento que tínhamos no dia, caminhar em um parque arborizado, namorar, ir ao cinema (risos)! Cumprimos à risca!
     E eis que em 02/05 o corpo da mamãe começou a dar sinais e o papai apressou-se e largou o serviço no meio do expediente pra ficar do nosso lado.
     A noite chegou e dormimos. As contrações acompanharam a mamãe na madrugada e eu não poderia estar mais feliz. Como eu esperei pra sentir aquelas contrações! Era você chegando.
      Às 6h da manhã ligamos para o médico. E rumamos à maternidade, felizes, na cia do vovô e da vovó. Você caprichava e ainda não era hora. Não quisemos te aguardar no hospital, era melhor te sentir o maior tempo possível em um ambiente nosso e fomos para a casa da vovó Cintia. Chegando na garagem, na rádio tocou Aquarela de Toquinho, música que eu e papai tantas vezes ouvimos durante a gravidez. Era um sinal!
     Na casa da vovó tomei um longo banho quente e depois caminhei, me alegrando com a dor de cada contração. Era você cada vez mais perto. Papai dormiu pra ficar bem descansado pra quando você chegasse. Vovô e vovó ficavam meio aflitos, achando que a dor era sofrimento (hoje eu sei que a dor dos filhos dói bem mais nos pais). Eis que por volta de 11:30 as contrações apertaram e era hora de voltar pra maternidade! Que alegria!
     O caminho foi dolorido e divertido. Ter contrações no carro não era nada prazeroso, mas o vovô, vovó e papai ficavam contado histórias atrapalhadas e divertidas e a dor das contrações eram amenizadas com as gargalhadas.
     Enfim, chegamos e por volta de 12:15 subimos para a suíte de parto! Não queríamos que você nascesse sem necessidade em uma sala de cirurgia fria, cheia de médicos, com a mamãe deitada, sem movimentos, papai com roupa estranha.
      Por isso escolhemos essa suíte. Ali tivemos liberdade.
      Mamãe foi direto pro chuveiro deixando a água quente caindo nas costas para aliviar a dor. Papai com sua bermuda, camiseta e descalço observava e dava muito apoio. O tempo inteiro sorria pra mim, sorriso que trazia conforto e certeza que a dor era só um detalhe.
     O Dr Sandro foi nos encontrar no quarto e me colocou um pouco na banheira. Fiquei ali, segurando a mão do papai e escutando as músicas que ele colocou no celular pra ouvirmos. Tocava Maskavos e a energia era muito boa: era a seleção de músicas que papai e mamãe escutavam no carro nas nossas deliciosas viagens. E ali estávamos desfrutando a melhor viagem de todas!
     Devia ser por volta de 13:00 quando a Bel, nossa doula, chegou. A partir dai eu me entreguei ao trabalho de parto e perdi a noção do tempo e da sequência dos acontecimentos. 
     Me lembro que ela sugeriu sair da banheira e ir para a bola de Pilates. Fiquei na bola, alongava durante as contrações e o alívio era grande. A cada contração a dor era maior. E a gente aliviava como podia, muita massagem, caminhada, alongamento, compressa de água quente, olhares de cumplicidade do papai. 
    E você ia chegando! Em determinado momento a dor apertou muito! Mamãe que sempre foi muito tolerante a dor anunciou que doía muito e que precisava gritar! E gritei! Acho que não foi muito, mas gritei. Doía!
    E então eu achava que não mais aguentaria e pedi anestesia. Papai e a Bel começaram a dizer que o Dr Sandro já iria subir pra me anestesiar e vieram mais umas duas contrações. Pedi de novo. Doía!
     E eles novamente disseram que o Dr Sandro já estava vindo.
     Eu já não era mais racional, estava entregue à viagem que era te parir. Mas num surto de consciência percebi que os dois estavam comigo o tempo inteiro e não haviam chamado o médico. E nem era o Dr. Sandro o anestesista (risos). Ou seja, minha filha, estavam ganhando tempo pra você vir naturalmente e esse era o meu desejo que deixei escrito no nosso plano de parto. 
    Nessa hora pedi ao seu pai pra me dar logo a anestesia e até lembrei uma senha difícil de letras e números que ele havia estabelecido pra esse momento.
     Quando ele ouviu a senha ele me sorriu com os olhos com uma expressão de " não acredito que ela lembrou".  
E foi então que a Bel me devolveu as forças que eu estava deixando escapar. Ela me disse que você já estava bem perto e que se eu fosse pro bloco pra analgesia você nasceria lá mesmo, longe do papai.
     Parei, refleti e antes de chegar a alguma conclusão me levaram pra banheira novamente. Ali a dor parece que dissolveu!
     Dr Sandro perguntou se podíamos fazer um toque. Eu respondi que não (estava no nosso plano de parto que eu não queria toques) e ele me devolveu com doçura: "Mari, você que manda." Ali me senti maior!  
     A Bel, então, colocou um espelho e me mostrou a bolsa já saindo e disse que você era cabeluda. Realmente já dava pra te ver, filha. Você estava perto.
     Fiquei um tempo em silêncio olhando pro espelho. Dr Sandro me convidou a tocar a bolsa que te envolveu por 40 semanas e dois dias. E eu toquei!
     E de você, meu amor, que se apresentava pra mim prontinha pra nascer, retirei energia e calma pra continuar.
     Olhei pra Bel assustada e disse que estava com vontade de fazer força. Sorrindo ela me respondeu: "então faz!"
     Simples assim?
     Então vamos lá.
    Papai sentou na beirada da banheira e nele eu me apoiei. Ele tinha que ficar imóvel me sustentando e cada leve mexida eu reclamava e ele sorria apertado! O corpo dele deve ter doido muito filha. Papai é o nosso grande companheiro pra tudo que precisarmos.
    Por meia hora mais ou menos eu fazia força durante as contrações e permanecia concentrada nos intervalos. 
Pedi pra desligar a música, um enorme silêncio se fez, somente uma baixa luz azul acesa. E seguimos concentrados até que em uma das forças alguém anunciou: a bolsa estourou!
    Poucos minuto depois eu avisei: está queimando. E a Bel completou: é o círculo de fogo.
     Me animei muito nessa hora. Nas minhas leituras sabia que o círculo de fogo era a última dor do parto. 
     Mais duas forças e você nasceu, minha flor. Sem sofrimento, sem cortes, sem pontos, sem medicação. Só amor! Mergulhou feito um peixinho na água às 15:35h. Papai não se conteve e pulou na banheira pra junto da mamãe, de bermuda e camiseta mesmo. E você veio direto pro meu colo! Chorou: choro de vida!
      E eu e papai ficamos ali engasgados de emoção. Eu disse a ele, muito emocionada: é nossa, é nossa!! Minutos depois você já mamava em mim.
     Sim minha filha, você é nossa! E nós somos seus! Obrigada por ter nos escolhido. Quando você nasceu, nós renascemos!
    Te amo infinitamente.




Parto da Ana Laura
22/09/2015 - Maternidade Santa Fé
Obstetra: Marco Aurelio Valadares
Doula: Bel Cristina
Pais: Vitor e Mariana
Minha querida Ana Laura,
     Eu nunca pensei que iria escrever essa carta pra você tão rápido.
    Sua irmã tinha apenas sete meses quando o corpo da mamãe sinalizou que você já estava aqui.
   Um teste, um susto! Chego pro papai, sentado tranquilo assistindo televisão e conto ainda anestesiada. Ele levanta, me pega no colo, me roda e chora de alegria! Chora mesmo!
    Sua gestação passou num piscar de olhos, pequena. Cuidar da sua irmã e trabalhar em outra cidade me consumia e os meses passaram rápido.
    Apesar da correria, daqui de fora você recebia todo o carinho do mundo do papai e da Malu, que sempre acordava e beijava a barriga da mamãe chamando Lalá.
   A barriga crescia e sua irmã engatinhou. Crescia e sua irmã andou. Crescia e sua irmã correu. Opa, você já estava perto!
    E de repente, aquela gravidez que passou num piscar de olhos, parece ter estacionado.
    37 semanas e eu tinha certeza que você chegaria. Passei a não acumular nada no serviço e dar satisfação diária pras colegas de trabalho sobre o que fazia. Estava certa de que você viria com 37 semanas.
   38 semanas e uma dor no alto da barriga me derrubou. Dr Marco Aurélio dizia que era o corpo pedindo pra parar.
   Parei! E comecei a fazer tudo que podia para relaxar e te convidar pra nascer logo.
   39 semanas e acabaram meus dias de crédito no trabalho. Eu já achava que você tinha desistido de nascer. Sessão de "power acupuntura" com Dr Marco Aurélio. Volto ao serviço, Vovô de motorista.
     39 semanas e 4 dias. Não dá mais. Parei de novo.
   Fiquei sabendo que a lua ia virar quando completasse 40 semanas, na noite de 21/9.
   E pronto: anunciei pro mundo que a lua ia virar e você ia nascer.
   Dia 21/9, 20h, olho pro papai e falo: a lua vai virar. Pouco depois, uma cólica. Será? Espero, sem dizer nada... Outra cólica. Outra e outra! Pronto! Era oficial. Falei pro papai: está começando, ela nasce amanhã.
   As contrações seguiram leves. Por volta de 23h avisei a Bel, nossa Doula pela segunda vez, que o corpo dava sinais, mas que ainda não era hora. Fui deitar!
   Antes liguei pra vovó e avisei que ela poderia ser acionada na madrugada pra ficar com a Malu.
   Acordei por volta de 2 da manhã com uma contração mais forte. E achei que era hora de andar. Andei, andei, fui no quarto da sua irmã várias vezes, na varanda, na cozinha, olhava a lua. Não engrenava! Banho quente! Nada. As contrações eram mais fortes mas de 10 em 10 minutos. 04 da manhã: liguei pra vovó. Pedi que ela viesse, pois assim eu ficaria mais tranquila que ela estaria aqui com a Malu e tudo ia fluir.
   Vovó já chegou com o vovô pronto pra nos levar pra maternidade (o vovô cismou que ele é o motorista oficial do parto dos netos - e de fato foi de todos!) .
   Vovó acelerada, me falando pra ligar pro médico: “o segundo filho é mais rápido”!
   Ai Meu Deus! E eu queria ficar tranquila. SOS papai! Enrola esses dois que eu vou tomar banho. Não é hora ainda. Tomei banho e dormi.
   Acordei por volta de 06 horas com uma contração forte. E outra e outra. Opa: já foram várias com intervalo de menos de 3 minutos. Hora de ligar pro Dr Marco Aurélio e ir pra maternidade.
   Encontramos com ele por volta de 07:30: 04 cm de dilatação.
   Resolvemos internar. Na minha cabeça ficava "o segundo é mais rápido".
   Esperamos uma eternidade pra fazer a internação. Por volta de 09:30 subimos pro quarto.
   A supervisora da enfermagem estava lá. Ana!
   Simpatia em pessoa perguntou quem faria o meu parto. Respondi: eu!
  Depois sorri e disse que o Dr Marco Aurélio era quem me acompanharia.
   Ela sorriu e disse que adorava ele e as pacientes dele. Ótimo!
  Perguntei quem era a pediatra de plantão. Ela confirmou a informação que seu pai já tinha tido o cuidado de obter: Dra Soraia. Excelente!
   Até o dia 22/09/2015 eu não tinha me livrado da mágoa que tinha do pediatra de plantão do nascimento da sua irmã. Ela foi medida, pesada e recebeu injeção de vitamina K longe dos meus olhos, num berçário estranho. E recebeu colírio contrariando tudo que eu tinha constado no plano de parto lido pelo Dr. pediatra de plantão. E teve conjuntivite química com poucos dias de vida. Enfim!
  Ana, a enfermeira, curou essa mágoa de um ano e cinco meses em poucos minutos, com um sorriso no rosto e muito carinho.
   Eu perguntei a ela se o plantão virasse quem seria a pediatra. Ela disse não saber, mas que poderia olhar. Perguntou se eu queria saber alguém específico. Eu travei!
    Nessa hora ela disse: Mariana, fala tudo que você quer. A hora é de falar, não fica guardando.
   Tomei coragem e disse: quero saber se tem chance de ser o Dr. Fulano! E ela sorriu e disse que não! Ufa!
    Em seguida me perguntou o que eu queria para você, minha flor. E assim foi nosso diálogo:
- Ana, eu não quero que aplique colírio.
- Perfeito, não vamos pingar!
- Eu também gostaria que não desse banho.
- Sem banho!
- Quero que ela seja medida e pesada aqui no quarto.
- Será!
- Queria que a vitamina K fosse aplicada com ela no meu colo, se possível mamando.
- Vou dar um jeitinho. O que mais você quer, é só pedir.
- Quero um abraço!
  Pronto! Estava leve! Aliviada! Dr. fulano finalmente saiu da minha cabeça. Abracei Ana, bem forte!
   Bel chegou querendo ler o seu plano de parto: não tinha! Esqueci!
   Musicas? Esqueci também!
  Ela ligou as do celular dela! Gostei! E vamos lá: bola, alongamento, massagem, agachamentos, música.
   Dr Marco Aurélio entrou por volta de 11 horas e resolvemos fazer um toque. 5/6 cm de dilatação!
  Mais agachamentos, massagem, bola. Bel saiu um pouco, Dr Marco Aurélio tb. Fiquei no chuveiro pedindo algumas músicas da Marisa Monte pro papai. Momento só nosso! Papai do lado o tempo inteiro, sorrindo e apoiando.
   Eu estava cansada. E começava a desanimar. Não era a dor que desanimava, era o cansaço mesmo. Eu olhava pro seu pai, confessava o cansaço e ele me pedia calma. Estávamos todos ansiosos por aquele momento em que eu ficava fora de mim, falava coisas que não lembrava, pedia anestesia: a famosa partolândia que é sinal de nascimento próximo. E nada dela chegar!
   12:30 e eu fui pra cama deitar. Estava cansada mesmo! Fiquei ali por meia hora, cochilando entre as contrações. E ali elas doeram. Deitada sem movimentar elas doem, mas eu queria descansar. Bel massageava minhas costas e aliviava. Papai segurava minha mão e passava força e ânimo. Eu queria muito descansar o corpo. Acho que fiz mais agachamentos que já tinha feito na vida toda!
    Dr Marco Aurélio entrou, escutou seu coração e quis fazer um novo toque. Eu não quis. Ele insistiu que seria bom avaliar. Peguei na mão dele e disse não. Ele respondeu: então não vamos fazer.
   Eu, racional o tempo todo, estava muito consciente de tudo que acontecia dentro do meu corpo. Senti todos os movimentos. Todos!    
   Aceitei e consegui lidar com cada contração. Elas não doíam como no parto da sua irmã. Eu aprendi a deixar elas fazerem o seu papel. E nada da partolandia pra me tirar do ar. Eu temia que podia demorar pra alcançar a dilatação total. Achei que não existia parto sem partolandia e ela não chegava nunca. 
   Eram quase 13h e fiquei inquieta. Levantei da cama e fui pro banheiro. Agachei mais algumas vezes, mas já não tinha posição. A Bel enchia a banheira e eu esperava. Dr Marco Aurélio saiu pra buscar o banquinho pra parir de cócoras. 
   Falei que não dava mais pra esperar e pedi pra entrar na banheira. Nem estava completamente cheia. Pedi pra desligar a música e me lembrei do parto da Malu que eu havia pedido silêncio e 40 minutos depois ela nasceu. 
   Entrei na banheira. Papai do lado de fora me dando a mão. Nem deu tempo de achar posição. Me apoiei e senti você descer de uma vez. 
    Uma força e anunciei: a bolsa estourou. 
   Você desceu mais ainda. Estava nascendo e eu não conseguia avisar pra Bel e pro papai. Não dava pra falar, embora eu tentasse. O corpo estava inteiramente voltado pra você nascer. 
    3 minutos outra força: senti sua cabeça. Fiquei acariciando seu cabelo. Não conseguia avisar. Ninguém percebia que você já estava ali. E eu não conseguia falar! 
    A Bel perguntou se eu sentia você descendo ou coroando e entre os dentes consegui anunciar com dificuldade: coroando! 
    Ela se apressou, ligou pro Dr Marco Aurélio, ligou pra pediatra.  
    Outra força e você nasceu, para o espanto do papai, de uma vez. 13:25 você veio de uma vez. Ninguém esperava. Eu mesma te peguei na água e já te trouxe pro meu colo, seu lugar. Nunca vou esquecer a cara de susto misturada com alegria do papai. 
    Dr Marco Aurélio entrou nesse exato momento com o banquinho na mão. Surpreso, exclamou: nasceu! 
    E seu avô entrou em seguida. Ficou sem fala! Seu chorinho nos calou de emoção. 
   Um tempinho depois entraram apressadas a pediatra e Ana, a enfermeira! Todos surpresos e você tranquila no seu colo. Papai cortou o cordão, fomos pra cama e você no meu colo. Buscou, buscou, buscou e mamou! Com poucos minutos de vida! 
   Naquele quarto que você nasceu, Ana Laura, eu vi você sendo medida, pesada, vestida e voltando pro meu colo. Mamando recebeu a injeção de vitamina K. Nem mexeu! Nada de colírio, nada de banho. Ana prometeu e cumpriu! E do nosso colo você não mais saiu.
    Minha filha, a lua virou, a primavera chegou e você veio pra nos tornar quatro! Como no nascimento da sua irmã, sem sofrimento, sem remédio, sem anestesia, sem cortes, sem pontos: só amor!
    Obrigada minha pequena, por também ter nos escolhido! Renascemos mais uma vez.
Te amo!
Mamãe.




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