18 de abril de 2016

Relato de parto Jane Rocha

História da construção de um parto natural.
Por Jane Adélia S. Rocha
Nascimento de Victor Silva Rocha
Participação muito especial do Papai Osmar José Rocha
E da Doula Isabel.
Data: Dezesseis de janeiro de 2010.
Local: Belo Horizonte - MG 2

Victor nasceu no sábado, 16/01, às 15:35h, na maternidade Sofia Feldman / BH.
Era um lindo dia de sol, com temperaturas altas e primeira lua cheia de 2010.
É um menino saudável e cheio de vida. Pesou 3,110g e mediu 48cm.
Papai transbordante de alegria participou de tudo e assistiu o nascimento!!! Ele esteve presente em toda a gestação. É um pai ativo, apoia a mamãe e ela conta muito com ele; sua presença foi muito importante para nós.
    Mamãe contou com a presença, apoio, ajuda, palavras amigas e orientadoras da Doula Isabel, uma pessoa que ela escolheu com muito cuidado para participar conosco deste momento. Foi ela também quem cortou o cordão umbilical e depois ainda nos relatou que sentiu grande emoção por esta oportunidade.
     Nasceu em um parto natural, sem anestesias e sem intervenções.
   Chorou com força no primeiro segundo de vida e mamou na primeira hora de vida.
   Apgar 10! Não precisou ser aspirado e em seguida foi para o colinho da família que já o aguardava no horário de visitas da maternidade.
   Recebeu várias visitas logo em seguida ao nascimento: titias, titios, priminho ...
   Mas, como foi o trabalho de parto?!
   Primeiramente gostaria de dizer que as últimas horas do trabalho de parto começaram no sábado pela manhã.
   Mas vamos voltar ao tempo para vocês entenderem como tudo, tudo mesmo aconteceu e como a natureza ágil sabiamente.
   Como tudo começou!
   Mamãe ficou sabendo que estava grávida no dia 01/06/2009. Foi o presente de aniversário dela.
   Ela fez uma histerorsalpingografia para ver o motivo pelo qual eu estava demorando na fila lá do céu, e o exame acabou estimulando as trompas para concepção.
   Após o Beta HCG, ela viu que o sonho havia virado realidade. Mas não foi tão simples assim; antes ela passou por um susto. A médica havia dito que ela não estava grávida e que era para tomar um remédio. Mamãe ficou com medo, sentiu algo diferente e não quis tomar o remédio. Daí, a médica insistiu, chegou até brigar com ela. Então, mamãe pediu para fazer o exame, e olha eu lá.
   Mamãe e papai olhavam para o exame e não acreditavam. Queriam muito que fosse verdade, mas a dúvida sempre rondava. Foram a vários obstetras. Ninguém colocava o exame em dúvida, todos faziam as contas e diziam: "ih, ele vai nascer em janeiro, vou dia 03 estar de férias, então podemos já já agendar a cesariana". Ahahmm???? Cesariana, mas eu nem tenho certeza se estou grávida e vocês já querem agendar uma cesariana. Quero um parto normal, com anestesia e tudo o que tiver direito, mas um parto normal!
   Volto às palavras para a mamãe que ela explica melhor.
   Bom, eu sempre quis ser mãe. Sempre escolhi parto normal. Mas pensava em um parto com médico, cheio de intervenções, com anestesia, em um hospital particular... Era para isto que há tantos anos eu pagava um plano de saúde. Para usar o bloco cirúrgico e tudo o mais que tivesse direito. Pensava que usaríamos o "mineirinho" e que toda família assistiria o parto, com fotos, filmagem e tudo mais.
    Ouvir que era para agendar uma cesariana era um afronto para mim.
   Quando fiz o Beta HCG, eu estava desacreditada e por isso demorei a pegar o resultado.
    Meu marido cobrou o resultado, então fui lá buscar. Peguei como quem já sabia que seria negativo. Abri, li o resultado: 4244,4. Na explicação do resultado dizia: acima de 50,0 positivo. Então pensei: Puxa, quase fiquei grávida.
   Você não está entendendo nada, né? É que na minha cabeça eu coloquei a vírgula no lugar errado e li assim: 42,444 – Logo, não estava acima de 50,0, portanto não estava grávida. Kkkkkkkkkkkkkkkk
   Voltei ao laboratório para alguém me explicar melhor. A recepcionista disse que não poderia interpretar o resultado para mim. Então, uma pessoa que estava lá disse: Eu leio, nossa!!!!!! Tá gravidíiiiiiisiiiima. Já pode comprar o enxoval.
    Saí de lá radiante, mas sem saber o que fazer. Fui trabalhar normalmente, se é que trabalhei normalmente naquele dia. Antes de ir para o trabalho comprei um par de sapatinhos e guardei escondidinho na bolsa.
    A noite coloquei o resultado com o par de sapatinhos em cima da mesa, para que o Osmar visse quando chegasse da faculdade. Ele viu, fingiu que não viu. Depois, antes de deitar perguntou o que era aquilo lá na mesa. Eu respondi: Dá uma olhada lá.
   Ele foi, olhou e pensou igual a mim: Nossa amor, você quase ficou grávida hein?! Rsrsrsrsrsrs
   Expliquei o resultado para ele, falei que havia marcado um obstetra para gente no outro dia pela manhã. Fomos dormir. Se é que dormimos naquela noite. Acho que já foi a primeira de muitas noites "mal" dormidas.
    O obstetra confirmou: Positivo!!! - Viva, viva !!!
    Encurtando a história, foquei no parto normal. Tudo estava bem. Os primeiros exames estavam ótimos. 4
    Daí, fomos a vários Obstetras e percebemos que todos tinham a mesma postura: Cesariana Eletiva. Resolvemos que íamos continuar com aquele que mais nos identificávamos e depois pensaríamos no parto.
   Antes de engravidar eu tinha arritmia cardíaca, nada preocupante, embora eu sempre cuidasse. Então um dos obstetras disse que isto era fator para indicar cesariana. Disse que meu coração poderia não aguentar o esforço que é o trabalho de parto. Fui ao cardiologista, fiz vários exames, e este me afirmou que uma cesariana seria muito mais perigosa no meu caso, me colocaria muito mais em risco por se tratar de uma intervenção cirúrgica. Ufa!!! Que bom, era a resposta que eu queria.
O primeiro Ultra-som.
    Na nossa primeira ultra som, vimos o bebê, perfeitinho, aí que alívio!!! Ele realmente estava lá. A médica estava errada. A natureza sabiamente havia realmente avisado a mamãe. Viva, viva!! Meu bebê havia sido preservado de qualquer desgaste desnecessário. Eu me sentia aliviada em ter seguido meu coração.
  Lembro-me que quando cheguei em casa perguntei ao meu marido: O que você sentiu quando viu o bebê no vídeo da Ultra som? Ele respondeu: Alívio por você estar realmente grávida. Era o mesmo que eu havia sentido. Rsrsrsrsrs ...
   E agora, como eu ia fazer para ter o parto que desejava? Quem iria me ajudar a não ter uma cesariana eletiva?
   Peguei uma revista. Não lembro-me onde e li: Maternidade ativa: mulheres que vivem sua gestação de uma forma ativa e voltada para o parto natural. Op´s! Era o que eu queria.
    Fui ao Google. Escrevi aquela frase. E encontrei: Encontrei o site da Ong Bem Nascer.
   Lá falava das rodas e de todo o trabalho da Ong. Era uma sexta-feira, vi que teria uma roda no outro dia. Resolvi então passar um e-mail verificando se realmente teria a roda. Lembro-me da ansiedade que fiquei pela resposta.
   Logo pensei no Osmar. Será que ele toparia ir comigo? Será que ele participaria?
   Logo Daphne apareceu com a resposta sobre a roda. Fiquei tão feliz. Então a Ong realmente estava ativa e eu via uma luzinha no fim do túnel.
   Não deu para ir no outro dia, tinha que conversa direito com o Osmar e como ele estudava a noite. Não poderia assustá-lo. Prometi que até a próxima eu já teria falado. E assim fiz.
    Fomos em nossa primeira roda no municipal. Lá foi muito bom! Fomos muito bem acolhidos. Nesta data eu já estava participando muito das conversas pela internet. 5
   Bom, lá o Osmar ouviu falar melhor sobre o Sofia Feldman. Acontece que eu também já estava falando de lá com ele e infelizmente sempre aparecia alguém com uma história trágica sobre o Sofia. A irmã dele havia vivido uma experiência ruim no Sofia e em seguida a mãe dele contou uma série de pessoas que tinham algo a reclamar do Sofia.
    Quando o Osmar ouviu falando muito bem do Sofia na roda e viu que ali várias pessoas apoiavam o Sofia, ele me falou: aquela roda é pro-Sofia. Não gostei, não vou lá mais. Se você quiser, você irá sozinha. Não posso te proibir.
    Aí que dor. Justo quem mais me apoiava, com quem eu mais contava, estava contra o movimento que eu acreditava ser bom?! Pensei na mulher sábia que edifica o lar. Pensei no bambu chinês, que se mantém porque é flexível. Pensei em todo o amor e dedicação que o Osmar sempre me disponibilizou.
    Os meses foram passando, a gravidez evoluindo muito bem, as conversas pela internet também. Fui mais uma vez a roda no Municipal e desta vez fui sozinha. Osmar continuava contra o Sofia. Chegou a dizer que se eu fosse ganhar o bebê lá, que eu iria sozinha. Que ele não se responsabilizava pelo que poderia acontecer conosco lá. Mas, estava sempre presente em toda a gestação, e me acompanhava nas consultas do pré-natal.
    Tentava conversar e mostrar muitas coisas para ele. Como ele estava resistente a Ong, não contava que a Ong, ás vezes era a fonte da informação. Eu lia muito sobre parto e ele sempre estava pronto a me ouvir.
    Ouvi a Daphne dizer uma frase que seria muito importante no meu processo: "Parto acontece é entre as duas orelhas, não entre as duas pernas". Lembrei da foto que vi da Daphne após o parto da filha dela. Eu nunca havia visto uma mulher sorrindo daquela forma, após o parto. Maravilhei-me.
   Gente, como percebi que aquela frase era verdadeira. Como a repeti pra mim, inclusive na hora do parto.
    Neste dia ouvi relato de várias mulheres, conheci mais de perto a Isabel e conversei com ela sobre a Santa Casa de BH. Ela foi bem discreta, disse apenas que era doula voluntária na Santa Casa.
    Todos os relatos de parto que ouvi me faziam chorar e, quando lia na internet não era diferente. O Osmar não gostava que eu lesse relatos de parto. Ele desejava me poupar, porque sempre me encontrava aos prantos após a leitura. Grávida fica sensível, né? Eu percebia que o Osmar sofria em me ver chorar e, por isso acabei parando de ler os relatos.
    Fui conhecer o Sofia Feldman. Daphne me acompanhou e falou comigo: Vamos lá, assim você para de pensar com a cabeça dos outros, você terá a sua própria impressão e pode definir se você quer ou não. Eu gostei de lá. Mas ainda era pouco para eu definir, embora já sentisse que era o primeiro passo. Convidei ele para ir lá comigo, a resposta: não. Procurei respeitar a postura dele e me colocar em seu lugar.
   Para envolver ainda mais o Osmar, resolvi fazer o curso sobre aleitamento materno no banco de leite da maternidade Odete Valadares. Fizemos e foi ótimo. Ele participou ativamente.
   Empolguei e resolvi fazer um curso: Oficina para gestantes. Era pago, durava 3 sábados e era voltado para o casal. Osmar bateu o pé e disse que não iria. Disse que eu estava inventando moda de mais. Minha irmã me disse que ele tinha razão. Fui a dois dias do curso. No primeiro, minha mãe me acompanhou, no segundo dia do curso, ela também não quis ir. O curso foi bom, acrescentou-me bastante. Mas lá ouvi de uma pessoa que eu estava me preparando para uma cesariana. Foi muito ruim ouvir isto. Mencionou isso por eu ter falado a ela sobre os medos que me acometiam.
    Ainda não falei aqui, mas tinha medo da dor do parto. Tinha muito medo de morrer no parto. Sim, eu já havia ouvido muitas estórias de mulheres que morreram na hora do parto. O marido delas havia tido que escolher entre a criança ou a mulher. Isto me assustava muito. Osmar ainda completava: fica tranquila, se precisar vou escolher você. Acho que era a forma que ele encontrava de me acalmar.
   Eu pensava: nunca pari, será que vou aguentar?
  O que eu tinha de mais forte na minha cabeça e no meu coração era que Deus estaria sempre no comando. Eu pedia um bebê perfeito e que acontecesse o melhor parto para nós dois. O importante era a gente ficar bem! Mesmo que para isto fosse necessário uma cesariana. Sabe, não pensava em ter um parto natural. Isto para mim era coisa do passado. O que eu queria era ter um parto o mais normal possível, mesmo que para isso fosse necessário algumas intervenções tipo: anestesia, episiotomia ou alguma outra intervenção.
    Um dia até cheguei a escrever na lista de discussão da Ong: "Quero um parto normal, mas não a qualquer custo". Convidei minha mãe para ser minha doula. Ela se prontificou, mas percebi que não estava preparada, que estava exigindo muito dela com este pedido. Então recuei.
    Comecei então a me aproximar da Isabel. A gente conversava muito pelo telefone. Eu me identificava com ela e, além disso, conversei com o Osmar sobre a possibilidade de ter nosso filho na Santa Casa, e isto ele aprovava.
  Fizemos uma visita a Maternidade Santa Fé. Osmar me acompanhou. Nossa foi péssimo. Saímos de lá quase com a cesariana marcada. Fiquei muito triste em ver como as pessoas focam na parte de hotelaria das maternidades. Osmar também ficou muito triste. Foi solidário ao meu sentimento. Ele entendeu que eu precisava da presença dele conosco.
   A moça que nos apresentou a maternidade queria vender o pacote completo, até filmagem estava incluso. Eu só não precisava contar com a presença de um acompanhante. Doula então? Ela nem sabia o que era isto.
   Vivi as mesmas ansiedades que toda gestante vive. Sofri as mesmas pressões para o meu filho nascer. Quantas vezes ouvi a frase: "Nossa, seu filho ainda não nasceu? Estou cansada por você. Coitada. Como tá demorando. Ainda não tem nove meses?" E por aí vai. Quantas histórias e horrores ouvi.
   Como a DPP (Data Provável do Parto) era para fim de Janeiro, sofremos muito na época do natal e do ano novo. Ah!!! Seu filho vai nascer no natal. Ah!!! Aposto que será o primeiro bebê do ano... Era o que muita gente falava.  
    Liguei para Isabel e perguntei se eu poderia visitar a Santa Casa.    
    Osmar, embora quisesse, não pode ir comigo. A visita foi ótima.    
    Descrevi para ele como era lá e ele aprovou. Ai, que alívio! Assim escolhemos o local no qual nosso filho nasceria. Lá é permitido acompanhante, e ele poderia ficar o tempo todo comigo, tem também as doulas voluntárias com as quais eu poderia contar. Lá tem anestesia e eu não precisava ter medo da dor e o bebê nasce no bloco cirúrgico. Estas definições do local me ajudaram a ficar mais tranquila. Eu sonhava e visualizava a gente lá. Nossa família vivendo este momento tão importante e o Osmar participando ativamente conosco.
   Às vezes eu chorava, porque as palavras das pessoas me causavam medo e me enfraqueciam. Osmar me confortava. Minha família não entendia o porquê, de mesmo tendo um plano de saúde, eu havia escolhido uma maternidade pública. Meu pai oferecia o tempo todo para pagar pelo parto particular. Minha irmã me fez prometer que, caso não tivesse vaga na Santa Casa, eu iria para a maternidade Santa Fé.
   Conversava muito com a Isabel sobre estes medos e ela me ajudava a afastá-los. Falava para eu visualizar lugares que eu gostava de estar.
  Meu pré natal seguia tranquilo e o obstetra sempre fugia do assunto parto. Osmar seguia amável, compreensivo, presente, carinhoso...
   Como estava cada vez entendendo mais todo o processo, me sentia segura, bem e entendia o meu corpo agindo. Sentia "dores" do meu corpo se preparando para a hora do nascimento. Um dia fiquei duas horas andando pelo shopping sentindo contrações. Ainda faltavam dois meses, as contrações não eram ritmadas, percebia que não estava na hora do bebê nascer. Osmar oferecia para me levar a maternidade, mas também respeitava muito minha vontade. Ele sempre teve uma postura de companheiro.
   Também acordei com contrações um dia. Mas não eram ritmadas e não tinham haver com a descrição das contrações da hora do parto. Então, tomei um banho para relaxar e deitei tranquila novamente.
  Passou o natal. Passou o reveillon. Eu comecei a viver a contagem regressiva para o nascimento do meu filho. Pensava que se ele não nascesse até o dia 22 de janeiro, que era a DPP, então eu iria optar por fazermos alguma coisa, no caso pensava em cesariana já que eu nunca havia ouvido falar em induzir um parto. Compartilhava com o Osmar este medo e ele me dizia que assim como eu, ele só queria o melhor para nós.
  Não pude fazer um chá de parto, não sentia a vontade em convidar as pessoas para virem na minha casa, se meu marido não se sentia a vontade com elas. Eu tinha que respeitar o momento dele. Meu coração não pedia para fazer, embora o Osmar dissesse que eu podia fazer. Mas no fundo, eu queria sim. Porém, também sei que a gente tem que focar no principal, no mais importante.
  Um dia liguei para Aline Fêlix (grávida da Juju). Tinha acontecido o chá de parto dela e ela estava muito feliz. Conversamos bastante e ela me convidou para irmos ao Sofia Feldman para um escalda pés.
  Hoje vejo que neste dia, Deus começou a agir para o que havia escolhido para nós.
   Como agradeço a Deus e a Aline pelo convite!
   Primeiro falei com o Osmar que eu iria visitar a Aline antes de ir para o trabalho. No dia, falei a verdade: Estou indo ao Sofia Feldman, com a Aline, fazer um escalda pés para me acalmar e ajudar no nascimento do nosso filho. Ele não reprovou. Mas também não falou nada. Muito carinhoso me levou para pegar o metrô, já que eu havia escolhido ir até lá de metrô.
   Fui e foi ótimo. Conheci a enfermeira Lilian que fez uma aurículoacupuntura com sementes de mostarda. Tomei alguns florais e fiz o escalda pés com a Cleusa. Saí de lá tão bem!
   Começamos a ir lá duas vezes por semana (eu e Aline) e confesso que comecei a curtir muito as idas. A Cleusa sempre conversava muito comigo e isto era muito bom. Em uma destas vezes a Isabel nos acompanhou com muito carinho.
   Também fui a outro obstetra, desta vez humanizado. O Osmar me acompanhou também. Falei toda a verdade com ele. Ele atendia na Santa Casa, mas, ia viajar de férias em Janeiro, portanto não dava para contar com ele para o parto. Mesmo assim foi muito bom, ele me acalmava sempre que era necessário, e Osmar me dava todo apoio que precisava para seguir em frente.
  Me cuidava muito. Estava atenta a hidratação e alimentação. Engordei 4Kg em toda a gravidez. Fiz hidroginástica e não dispensava nenhuma caminhada. Sempre que tinha oportunidade descansava, mas não deixava de me divertir por causa da gravidez.
  No dia 14 de Janeiro, uma quinta-feira, acordei muito triste. Chorei pela manhã e me senti como se tivesse perdendo algo. Liguei para a maternidade Santa Fé e perguntei se lá havia algum programa de apoio a gestante. Expliquei que estava na 39ª semana e que me sentia um pouco ansiosa. Alguém do outro lado da linha respondeu: vem aqui, a gente faz uma cesariana em você e sua ansiedade passa. Desliguei o telefone e chorei o dobro.
   Quando recuperei, liguei na Santa Casa de BH. Fiz a mesma pergunta e uma enfermeira me respondeu: Vem aqui, parece que você está um pouco nervosa. Vindo aqui vamos conversar com você e te acalmar. Venha, me procure, vou te ajudar. Era a enfermeira obstetra Liliane. Fui. Até o momento que ela me atendeu, chorei pelos corredores como criança pequena que perdeu algo. Não sabia explicar o motivo.
    Liliane me perguntou se eu sentia alguma coisa. Disse que não, só tristeza. Então ela me encaminhou para ser examinada por uma médica. A médica me examinou, olhou minha pressão, escutou o coração do meu bebê e foi me falando como estava tudo. Depois definiu: você está com 1cm de dilatação. O nascimento do seu filho está próximo, mas não é para agora. Vocês estão muito bem! Pode ir para casa.
   Voltei na Liliane e ela me falou: Você chora porque está vivendo o fim da sua gestação. Seu parto está próximo. Seu choro é de despedida. Volte aqui pela manhã para você conversar com a psicóloga. Tenho certeza que ela poderá te ajudar.
   No outro dia, pela manhã, levantei e fui novamente ao Sofia. Fiz escalda pés. Conversei muito com a Cleusa. Contei que meu parto seria na Santa Casa. Ela ficou triste, pois queria que ele nascesse no Sofia, mas me desejou boa sorte. Aliás, ela sempre despedia de mim e da Aline, que sempre me acompanhava, desejando boa sorte. Era tão bom, tão acolhedor.
   Como trabalho em Lagoa Santa, meu marido me levava e me buscava quase todos os dias. Naquela sexta-feira ele não poderia me buscar e pediu para que eu não fosse trabalhar. Entrei no metrô para ir para casa, mas senti vontade de ir para Lagoa Santa.
   Desci do metrô e andei uns 500 metros para pegar o ônibus para Lagoa Santa. O ônibus tava lotado e como minha barriga tava pequena as pessoas custavam a me oferecerem o lugar. Fui sentar já quase na entrada da cidade. Mas mesmo assim, me sentia muito bem. Osmar ligou para saber como estávamos.
   Trabalhei e resolvi voltar mais cedo para casa. Avisei meu estagiário e assim fiz. Na volta Deus ainda mandou uma carona para mim e eu vim para BH de carro, com uma mulher muito legal que eu conheci pouco antes de vir.
   Cheguei em casa e meus familiares estavam reunidos na casa da minha mãe. Era o aniversário do meu pai. Torcida pelo nascimento do Victor naquele dia.
   Eu me sentia bem, porem sentia que meu corpo trabalhava. Osmar então disse que iria me levar para maternidade, que havia chegado a hora. Ele estava sofrendo a pressão da minha família. Eu disse a ele: vou ligar para Isabel e te falo. Descrevi para Isabel o que eu esta sentindo e perguntei: Mulher em trabalho de parto dorme? Ela respondeu, acredito que não! Então eu disse, se eu não dormir, te ligo.
    Falei com o Osmar: Se eu não dormir nos próximos 20 minutos você me leva para a maternidade. Dormi super bem! A noite foi uma das melhores.
     Dia 16/01/2010 – O dia escolhido
    Acordei me sentindo muito bem. E normal também como nos outros dias.
    Lembro-me que sempre que lia os relatos de parto, as mulheres diziam que no dia do nascimento do filho elas ficavam muito bem. Diziam que em trabalho de parto ativo aproveitavam para lavar roupinhas do bebê entre outras coisas. Eu lia e achava um absurdo. Levantei e coloquei roupas para lavar. Comecei a arrumar nossa casa e preparei o café da manhã. Comemos coisas leves como já era de costume.
   Desci até a casa da minha mãe. Conversei com ela e me despedi já que ela e meu pai estavam indo para o sitio. Minha mãe perguntou se eu queria que ela ficasse. Respondi que não estava na hora ainda, que faltavam alguns dias, que ela ficasse tranqüila.
   Voltei para minha casa. Conversei assuntos diversos com o Osmar e de repente ele me perguntou porque eu estava fazendo caretas. Eu disse que não estava. Ele afirmou que estava sim e que me levaria para maternidade naquela hora.
    Então eu aceitei. Disse para ele: vou me arrumar, a gente vai lá e o médico manda voltar, daí você me dá sossego.
   Fui me arrumar, peguei a pinça e comecei a pinçar minha sobrancelha. Ele chegou no quarto e falou: você ainda está assim, não vai arrumar não. Eu respondi: calma, até parece que é você quem vai ter o bebê.
   Liguei para Isabel. Disse que o Osmar queria ir para maternidade e que eu ia lá com ele, mas que ela ficasse tranquila, não estava na hora. Qualquer coisa a gente ligava.
    Ele estava sentindo que havia chegado o momento!
    Começamos a ir para maternidade, Osmar escolheu uma música para gente ir ouvindo e eu comecei a cantarolar a música bem alto. Ele me perguntou porque eu estava cantando tão alto. Eu disse que não estava. Que estava era feliz.
    De repente falei com ele: Osmar marca 10 minutos. Ele então marcou. Aí falei: estamos em trabalho de parto ativo, Victor vai nascer, vou ligar para Isabel. Eu sentia contrações ritmadas e uma certeza que o momento havia chegado.
    Avisei Isabel e chegamos em seguida na Santa Casa. Como lá não pode beber líquidos durante o trabalho de parto, eu pedi para o Osmar comprar água de coco e nós bebemos antes de entrar para maternidade.
    Subimos, fomos atendidos e a recepcionista já foi logo me falando: estamos lotados, não tem vaga hoje. Mas você fica tranquila, a médica vai lhe examinar e se for necessário te encaminha.
    Eu tinha certeza que estava em trabalho de parto. Eu sentia meu corpo ativo.
   A médica não demorou. Veio e me examinou. Perguntei: como está minha pressão: ela respondeu: boa! Perguntei: boa quanto? Respondeu: 10x7. Falou que o batimento cardíaco estava bom. Perguntei quanto, respondeu 140bpm. Perguntou a que horas minha bolsa havia rompido. Perguntei? Rompeu? Nem percebi. Ela afirmou, você está com bolsa rota alta. Eu já sabia o que significava e fiquei feliz. Daí ela fez o toque. Disse: você está dilatando bem. Perguntei, quantos centímetros e ela me respondeu 3cm.
    Em seguida ela falou: você agora é responsabilidade da Santa Casa, pois já esta com bolsa rota. Vou te colocar na central de leitos e eles lhe encaminharam para onde tem vaga. Você não pode mais sair daqui.
    Era virada de Lua, dia de lua cheia, que coincidência ou não, as pessoas me avisaram que favorece o nascimento de bebês.
    Eu então disse: ah! Quero ir para o Sofia Feldman, posso?
    Ela respondeu: Infelizmente não temos como escolher.
    Eu falei. Vou conversar com minha Doula.
   Gente, nesta hora, pensei em Deus: Havia pedido a Ele para encaminhar o que fosse melhor para mim e eu não podia deixar a central de leitos definir minha história.
   Ainda estava na sala de consulta, quando Isabel chegou, pediu licença e adentrou o consultório. Daí olhei pra ela dizendo que não havia vaga e que iriam colocar-me na central de leitos, mas que não ia ficar. Levantamos e fomos pra recepção novamente. Sentei-me e conversamos, daí falei para ela – não vou para qualquer lugar, vou para o Sofia. Ela olhou-me nos olhos e confirmou comigo – é isso que você quer mesmo? Respondi: -Sim, não tenho dúvida; reafirmando para o Osmar também. Vamos para o Sofia. Como ele sentiu-me segura no que queria não questionou. Foi até o recepcionista e entregou-lhe a ficha de entrada e retornou para junto de mim.
    Então vamos! A médica apareceu e disse: ei, ela não pode sair daqui.
   Chamei o elevador. Ele abriu rapidinho a porta. Eu falei para o rapaz da recepção: Não precisa chamar a central de leitos, eu não vou ficar aqui. Vou para o Sofia. Segurei minha barriga e entrei no elevador e bem atrás Isabel e Osmar. As mulheres que estavam dentro do elevador me chamaram de maluca e eu fiquei confiante.
    Eu tinha plena consciência do meu estado, sabia que estava em trabalho de parto, mas que não precisava desesperar.
     Osmar pegou o nosso carro. Deitei no banco de trás, no colo da Isabel. No meio do caminho o Osmar perguntou se eu não queria mudar o caminho e ir para o Santa Fé. Respondi novamente que não. Meu celular não parava de tocar, era minha família querendo notícias. Osmar colocou música alta, que eu pedi. Eu disse para ele que estava tudo bem e que não assustasse caso eu gritasse.
   Quando estava chegando perto do Sofia, eles não sabiam o caminho. Eu então levantei e expliquei como chegar.
     Chegamos ao Sofia Feldman!
     Desci correndo e segurando a barriga. Entrei pela casa de parto. Quando chegamos a porta estava fechada e nós estranhamos. Abrimos, entramos e eu deitei na recepção.
   Isabel entrou para procurar alguém. Voltou muito triste e me falou. Não tem vaga aqui não. Vamos ter que ir para a maternidade.
   Falei com ela. Beleza, então vamos!! A gente passa aqui por dentro e já sai lá na maternidade.
    Isabel estranhou, achou que eu ia ficar decepcionada. Gente, eu queria anestesia, claro que a maternidade era melhor para mim.
   Chegamos na admissão. Logo, em minutos, veio a moça e me examinou. Já estávamos com 4cm de dilatação. Oba!!!! Tudo estava indo muito bem. A água da bolsa somente minava, ainda tínhamos muito líquido.
    Fomos para dentro da maternidade: Eu e Isabel. Osmar ficou na recepção cuidando da documentação.
    Nesta hora o Osmar ficou um pouco triste porque me perguntou com quem eu queria entrar. Eu respondi que a doula ia comigo e que ele ficava para cuidar da minha entrada. Ele não gostou. Depois me disse que não queria ter assinado minha internação, ficou com medo.
  Chegamos dentro da maternidade. Fomos recebidos pelo Cristovão que logo disse. Tá lotado, não tem vaga para ela. Nossa !!!! Que dia hein?!?! Todo mundo resolveu nascer neste dia???? Rsrsrsrs É a força da lua???
    Indicou então que me colocassem no Box 4. É que não tinha vaga no local que as mulheres ficam lá no pré parto. Foi sorte minha. Ficamos assim em um local mais reservado.
     Ai, agora sim, tranquilidade.
    De repente alguém diz: risco de pré-eclampsia. Pressão alta 16 e qualquer coisa, nem lembro.
    Como assim? A pressão tava boa a gestação inteira e também até alguns minutos atrás.
    Começa então um entra e sai no Box. Alguém pede para eu fazer xixi em um copinho.
    Isabel explica para equipe que eu havia acabado de passar por um stress, que isto poderia ter alterado a pressão.
    Tento fazer o xixi. Não tem xixi para sair. Ai, meu Deus !!!
    Consigo fazer um milímetro de xixi e a moça com muito carinho diz: está ótimo, este tanto já dá. É para fazer o exame e afastar o risco de pré-eclampsia.
    Isabel fala com a equipe que eu havia pedido, para avisar que ela era minha porta voz, kkkkkk: Estou aqui para colaborar! Sou ativa no meu parto. Contem comigo! Pedi o tempo todo para Isabel me falar quantas horas, relatar tudo que estava acontecendo, nos mínimos detalhes.
    De repente outra gestante gritando muito. Isabel me pede para ficar calma e não ficar ligada aos sons externos. Ela explicou-me que por ser um local onde muitas mulheres, sem preparo dão a luz, poderiam, às vezes, jogar coisas para o alto, quebrar objetos, etc. Respondo que estou bem e que não estou focado nos barulhos externos.
    Isabel me convida para o chuveiro. Não quero ir, mas vou! Eu não disse que ia colaborar?
    Voltamos do chuveiro, um entra e sai toda hora no Box. Pergunto para Isabel – posso ficar sem roupa, mas já tirando. Peço para ficar sem camisola. O enfermeiro entra e pergunta – ela esta sem camisola? Vou providenciar uma, daí Isabel explica que sou eu quem não queria ficar vestida, que estava me sentindo bem assim. Fico totalmente nua. Isabel me convida a fazer exercícios de respiração. Tento fazer, mas não consigo muito. Ela então insiste. Faço, eu não disse que ia colaborar?
    Lembro da frase que aprendi na Roda: Cheira a flor e sopra a vela !!!
    Isabel me convida a caminhar, sair da cama, embora eu não estivesse parada. Ela comentou depois que era uma forma de "mexer" comigo, onde buscou estimular-me a descobrir o movimento que meu corpo pedia. E, era o que acontecia. Movia de um lado para o outro.
    Penso: esta Isabel é louca, como que ela quer que eu caminhe? Levanto, tento caminhar, sempre pensando: eu não disse que ia colaborar?
    Penso o tempo todo na música: "Antes mesmo de você nascer, Deus sonhou com você"
    Grito: vem Victor!
    Penso na frase da Daphne. Penso na foto da Daphne.
    Lembro que eu também nasci no sábado.
    Desço e subo o tempo todo da cama. Peço colo para Isabel. Peço para me abanar, ela me abana com um leque chique que levou. Penso: quantos trabalhos de parto aquele leque já não deve ter assistido? Sinto frio, sinto calor... tudo com muita intensidade. Ela mencionou depois que o movimento a lembrou - Subir montanhas, descer ladeiras... ora deito ora levanto, abro perna, fecho perna. Meu corpo é entregue a uma dança frenética do Parir Instintivamente.
    De repente ouço a outra gestante dizer: Aí, me ajudem!!! A equipe responde para ela: estamos te ajudando, você tem que se ajudar.
    Penso, eu também quero me ajudar.
   Isabel me convida novamente para o chuveiro. Digo que não quero ir.
  Pergunto que horas vão fazer outro toque para ver minha dilatação. Respondem às 15h.
   Penso, nossa como o tempo tá passando rápido. Havíamos entrado no Sofia às 13h. Bebo água o tempo todo. O telefone toca. A enfermeira chega para fazer à dinâmica. Isabel me deixa um pouco com ela e vai lá fora conversar com o Osmar.
     Avisa para ele que está quase na hora e que se ele quiser poderá assistir. Isabel lembra o Osmar que eu gostaria muito que ele estivesse lá, mas que eu entenderia se ele não desse conta, que poderia entrar e se achasse por bem, poderia sair também.
    Neste momento alguém lá dentro me pergunta se eu quero anestesia. Respondo que sim, mas que somente na hora que a dor for ficar insuportável. Digo que ainda não está na hora. Colocam um ferro de apoio na cama para eu acocorar. Fico várias vezes de acocorada.
    Isabel volta. Fala-me para caminhar novamente. Pergunto onde vão aplicar a anestesia, respondem que é em outro local. Sinto uma preguiça de ter que sair dali. Desisto de vez da anestesia. Vou caminhar e vejo um pacote com o material escrito: parto normal completo.
    Pergunto: meu filho vai nascer aqui?! Respondem: sim!!
   Digo para Isabel que eu estou em transe, ela respondeu – que bom, então entregue-se. Sinto uma paz dentro de mim, uma satisfação por estar ali, que o momento estava tão próximo. Parece que saio de mim. Penso em Deus, parece que estou nas mãos Dele.
    15h. fazem o toque. 10cm de dilatação. Tá coroando. Estamos vendo a cabecinha dele.
  Chega alguém perguntando se quero ir para o quarto azul. Na casa de parto. Agora tem vaga. Digo: não, meu filho vai nascer aqui mesmo. Agradeço a atenção! 15
   A enfermeira e o enfermeiro me falam que não são médicos. Que não vão chamar o médico. Digo que por mim tudo bem! E que eu já sabia que eles não eram médicos.
  Pergunto se dá para ver se o cabelinho dele é liso ou encaracolado. Todo mundo rir.
  O tempo todo colocam o sonar para ouvirem os batimentos cardíacos dele. Sempre me falam como esta. Fico muito feliz todas as vezes que me dizem que tudo vai bem.
   Entrego minha máquina fotográfica para Isabel e peço que ela fotografe tudo e que também vá me contando, relatando o que está vendo.
  Chega o momento. Osmar chega ao Box, estava trêmulo, assustado, mas muito envolvido, emocionado, solicito. Fica assustado e pergunta: Cadê o bloco cirúrgico?
    Tranquilizo-o e digo: Amor, o que importa é que eu e nosso filho estamos muito bem!
    A presença do Osmar era muito importante para mim. Eu queria tanto que ele vivesse comigo aquele momento. Me sentia muito feliz por ele estar ali.
   Meu corpo continua fazendo movimento expulsivo.
  De repente sinto uma força, pergunto se posso empurrar minha barriga. Respondem que sim e me pedem para pensar e focar no meu canal vaginal.
  O momento chega. Não sei descrever o que senti, é uma mistura de prazer, com medo, com felicidade, com alívio... Não sinto dor.
    Sinto o cordão umbilical tocando minha vagina. Ouço o Victor. Ele nasceu! Pergunto as horas, alguém, por favor, verifique o relógio. 15:35h
  Colocam-no em meu peito. Peço para não cortarem o cordão umbilical antes de parar de pulsar. Sou atendida. Lembro que precisa colher o sangue para verificar o fator sanguíneo, já que eu sou Tipo A Rh negativo. Perguntam onde aprendi aquilo tudo.
   Lembro com carinho do Bem Nascer. Falo que desejo que ele mame na primeira hora de vida. Ajudaram-me a colocá-lo em meu peito.
    Sinto a maior felicidade do mundo em meu coração. Olho para o Osmar e vejo que ele compartilha do meu sentimento.
    Oferecem para Osmar cortar o cordão umbilical. Ele fala que não quer. Isabel pergunta se pode ter esta honra. Nós é que nos sentimos honrados. Ela corta o cordão.
    Convido Osmar para fazer a foto da nossa família. Lembro-me de oferecer o melhor dos meus sorrisos.
    Osmar sai e grita para o mundo que o filho dele nasceu. Ele é acolhido pela minha irmã e meu cunhado que o apoiavam durante o trabalho de parto do lado de fora, na maternidade. Os padrinhos do Victor.
    A placenta é expulsa, peço para ver. A Equipe me mostra e ainda me explica sobre ela, com muito carinho e atenção.
    Pergunto se sofri laceração. Ela me responde: de primeiro grau, vai levar dois pontinhos.
    Isabel e Osmar acompanham o Victor para pesar, medir e etc. Me sinto segura pela presença deles com o nosso filho.
    Eu vou tomar um banho para ir para o quarto. O banho é rápido, a enfermeira me explica que é porque estou fraca. Fraca, mas muito bem e feliz.
    Quando passo pela equipe para ir para o quarto, agradeço a todos pelo apoio, trabalho e carinho. Recebo os parabéns da equipe e uma salva de palmas. A enfermeira me diz que se todos os dias tivessem um parto igual ao meu, ela estaria muito feliz.
    Sinto-me feliz e orgulhosa.
    Vou para o quarto acompanhada de uma enfermeira, andando!
   Quando chego lá, recebo o Victor em meus braços e toda a minha família já está lá: mamãe, papai, minha irmã, irmão, cunhada (o), sobrinho, Osmar e etc, todos aproveitando o horário de visitas.
   Isabel nos acompanha o tempo todo, ajuda, conforta, orienta!
   Recebo uma canjinha muito boa! Sinto a felicidade estampada no rosto do Osmar. Ele nos dá toda assistência necessária.
   Estou me sentindo como nunca estive antes. Meu corpo está todo ativo, ligadasso.
    Antes de dormir recebo em meu leito a vista da enfermeira e do enfermeiro que me assistiram no parto. Dizem que foram lá para ver como a gente estava.
   Esta primeira noite não dormi. Acho que foi uma das melhores da minha vida.
   No outro dia recebemos a visita muito especial de Aline Felix, com Juju ainda em seu ventre. Ela nos visitou e ainda almoço conosco no Sofia.
   Fomos para casa às 15h do domingo.
   Agradeço a Deus, por tudo ter acontecido muito bem e por ele ter colocado tantas pessoas boas em nosso caminho.
  Agradeço a todos que contribuíram para que nossa estada na maternidade Sofia Feldman fosse tão boa.
   Agradeço por não ter tido vaga na Santa Casa. Era o propósito de Deus para nós. "Como disse o poema, havia uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra"...
   Agradeço pelos escalda pés na Casa de Sofia.
   Agradecimento especial a Ong Bem Nascer, a Daphne, a Isabel, a todas as mulheres que fizeram e disponibilizaram seus relatos de parto...
   Agradecemos a Aline, que foi a ponte para o Sofia em nossa vida.
   Agradeço ao Osmar por ter me escolhido para ser a mãe do filho dele, e por me amar tão incondicionalmente.
   O meu agradecimento ao Victor, por ter me escolhido como sua mãe, e ao Osmar como seu pai, mesmo sabendo que não somos perfeitos.
    Minha visão sobre a maternidade Sofia Feldman
Antes de engravidar:
Eu nunca havia ido a maternidade Sofia Feldman.
Sempre ouvia falar mal de lá.
Várias eram as histórias ruins que eu conhecia de lá.
Achava que era uma maternidade do SUS.
Tinha medo de lá não ter os recursos necessários para partos ou "casos" especiais.
Depois que engravidei:
Visitei a maternidade Sofia Feldman em uma visita orientada.
Conheci o lado Sofia através da Ong Bem Nascer.
Conheci várias boas histórias sobre o Sofia.
Li muitos e muitos relatos de parto que aconteceram lá. 

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