19 de março de 2016

Relato de parto Anii Brito


18 de Fevereiro de 2016 - (Finalmente) Meu Parto Humanizado 
        Bem, vou tentar ser breve em descrever quase 1 ano. Rsrs. Me desculpem pelas partes em que sou sincera demais....
        Minha gravidez foi infelizmente vivida com certa revolta e eu sempre triste pois eu não queria mais ter filhos. Parei de tomar o remédio por pressão do meu marido. Na verdade, o meu primeiro parto, da minha filha, foi hospitalar, numa cidade do interior. Foi um parto traumático. Muito longo, com todas as intervenções possíveis e imagináveis. Além do descaso de eu ter ficado sozinha, numa sala escura e desconfortável, com frio, medo, com sede (e me lembro bem, muita sede) e fome durante todo trabalho de parto. Comecei sentir as dores fortes as 17:00 e minha filha amada, Ranna, nasceu as 4:45 da manhã. Nem a ouvi chorar. Desmaiei. Teve minha mãe do lado de fora ouvindo meus gritos. "Sorinho" Manobra, Episio, grosseria... e nasce minha primeira filha com 3.950 kg. E nasce aì minha promessa de nunca mais engravidar. Junto a tudo isso meus 19 anos de imaturidade e inexperiência e um namorado ainda mais imaturo e ausente.
        Mas então, voltando ao contexto atual, meu marido, que ainda não fora pai, sonhava com um filho. Parei com o remédio e uma semana depois (apenas uma semana depois, acreditem!) eu engravidei. E então vivi toda a gravidez triste e com pânico do parto... me culpando por ter deixado acontecer. Sofri e chorei até. Então conheci esse grupo... Depois conheci a Lena Rubia Borgo Bezerra, através da Valéria aqui do grupo. Mais uma vez obrigada Valeria por compartilhar seu relato comigo. 
        Então eu e meu marido visitamos a Lena. E ela começou a falar da parte boa do parto... que eu relutava em acreditar que era possível ter uma parte boa...e tentou me estimular a ter um parto natural que é mais seguro e saudável. Com muitas vantagens. Mas eu nem quis cogitar essa possibilidade. Eu via uma gravida e sentia um misto de pânico, raiva e pena... Falar de parto me fazia passar mal. 
       Então comecei a ler o que ela me enviava pelo email, pelo whats, pelo face. Comecei a me informar. E confesso que até no dia do parto ainda não acreditava que seria possível que fosse bom. Então, dia 6 de Dezembro, as 6:00 da manhã comecei a sentir uma cólica quase imperceptível. Bem fraca. Até que me mantive tranquila. E durou ate 12:00. Voltou as 18:00. E voltou forte. As 20:00 eu já não conseguia ficar de pé. Apoiei na cama. No guarda roupa. Na bancada da cozinha. Lembrei de avisar a Lena. Marido chega do trabalho e faz o favor de esquecer de imprimir meu plano de parto, o que me deixou extremamente irritada. Mas estava com muita dor pra discutir. Fomos para o Sofia Feldman. No carro as contrações ficaram insuportáveis e eu gritava, cantava um mantra xamã, e gritava de novo. Cheguei com 7 cm de dilatação as 23:55. Me perguntaram se queria a casa de parto. Prontamente respondi que não. Então me levaram pro quarto, suíte Maria de Nazareth. E simplesmente me deixaram lá. Sumiu todo mundo. Achei um absurdo. Procurei a tampa da banheira pra eu mesma enche-la mas não encontrei. Então lembrei da Lena, respirei fundo, procurei manter a calma pois não seria eu mesma a atrapalhar meu parto, e fui pro chuveiro quentinho. Agachei. A dor era intensa. Não adiantou... Gritei por alguém e ninguém aparecia. E aquela banheira enorme lá, vazia, que raiva que me deu. Até que meu marido chegou. Eu queria entrar na água mas Não achávamos a bendita tampa. Então pedi analgesia. A essa hora a Lena já estava tentando entrar na portaria. Alguém colocou a tampa na banheira e encheu muito lentamente e com o maior pouco caso metade da banheira. Mas já era tarde. Insegura, não quis esperar mais. Corri pra analgesia. Mas uma vez, na analgesia a mulher quis me colocar um soro e eu já me apavorei. Vendo que fiquei nervosa, ela simplesmente saiu e sumiu. Então meu marido foi procurar o anestesista. Minutos depois, colocam o soro (que era normal mas eu até então não sabia) e a anestesista (um amor, educada, gentil) me fala que eu não tinha espaço para a agulha na minha coluna, que talvez era genético ou algo assim mas eu não tinha o espaço. Nessa hora eu já gritava pra todo o quarteirão ouvir e alguém tinha que me lembrar de respirar... Só queria que passasse aquela dor. E que não se repetisse meu primeiro parto. E que acabasse logo tudo aquilo. Então a Lena chega e pra mim é um alívio vê-la. A minha certeza que eu não ficaria sozinha. Segurou minha mão enquanto a anestesista procurava um modo de aplicar a peridural. E a E.O Carol chega, se apresenta e segura a outra mão. Levei três agulhadas nas costas, mas o tal do espaço não aparecia. Aliviou um pouco as contrações. Agora dava pra segurar a dor sem gritar. Mas ainda doía e eu gemia. Pedi pra ir pra suíte pois sentia que era a hora. Então em vinte minutos entre sala de analgesia e suíte de parto o efeito da analgesia passa e volto a sentir as dores. Na suíte a Lena sugere que eu sente na banqueta, mas não aguentei. Não queria. Queria a banheira, mas o chefe do plantão daquele dia não permitiu porque eu havia tomado analgesia. Frustração... Achei outro absurdo. Mas a dor vinha e eu não conseguia discutir. Então escolhi uma posição ajoelhada na cama. A Lena disse o nome mas não lembro rsrs. E nessa posição senti meu filho vindo. Sentia o que Não sei explicar o que era, mas não era bom não. Então lembrei de fazer força na hora certa e a Lena me acalmando e me orientando. Eu me apoiava no meu marido e urrava. Gritava. Abria bem a garganta imaginava meu filho vindo. E com uns 15 minutos de expulsivo, senti meu filho chegando. Nasceu Lucas. Alívio imediato. Respiro. E amo... meu marido chora. Eu choro. Vejo o rosto emocionado da Lena e da e.o. Carol, que foi extremamente respeitosa e gentil. É. Não consigo acreditar. EU CONSEGUI. Foi incrível. Não foi tão ruim assim rsrs. Lucas nasceu com 3.540 kg a 1:55 da manhã! Veio pro meu colo, pro seio da mãe. Abracei. Chorei. Pedi perdão por tudo que eu senti e pensei na gravidez. Abracei aquele corpinho. Só sentia amor. O pai cortou o cordão um tempo depois. Não teve episio. Não teve ninguém empurrando minha barriga e me segurando. Ninguém ameaçou me amarrar na cama. Bebi agua e suco durante o parto na hora que eu quis. Nada se repetiu. Períneo integro! Sem pontos. Nem a dor foi a mesma. A primeira dor eu lembro magoada, doída na alma, ferida. A segunda (segundo parto) dor eu lembro calma. Consigo até sorrir rsrs. Consigo falar sobre ele sem chorar... conto sorrindo!
Meu parto não foi o que eu sonhei. Eu tinha escolhido a água, mas não deixaram. Mas foi o melhor possível. Meu marido estava comigo. O apoio e o acompanhamento com a Lena foi imprescindível. Lena é uma doula maravilhosa e uma mulher admirável! Muito obrigada! Grata ao universo por ter colocado você no meu caminho! 
       Muitas coisas no Sofia eu não gostei. Mas são funcionários... Umas amam o que fazem e se preocupam, outros não. Mas algo que gostei foi que tudo que eles iam fazer com meu bebê eles me explicavam antes. Sobre os procedimentos com o recém nascido no primeiro dia de vida. Explicavam tudo. Mostravam. Fui respeitada no meu parto, mas acho que falta atenção com as gestantes. Não simplesmente jogar a pessoa dentro do quarto e sumir.
       A E.O. Carol chegou na sala da analgesia, mas me acalmou e foi gentil o tempo todo. Todos podiam ser assim. 
     Fica meu agradecimento aqui a todos que me apoiaram. Acalmaram meus medos. Me compreenderam sem me julgar. Agradeço muito a Lena que se tornou um exemplo pra mim. Agradeço a Bel Cristina que conversou comigo algumas vezes por whats, Sendo sempre amorosa. Agradeço meu marido que fez o possível pra que eu superasse meu trauma. Agradeço a esse grupo, pelos relatos que li, Vídeos que vi, o apoio. A informação fez muita diferença. E não posso esquecer da Fé! Da Espiritualidade. 
      Agradeço também aos Mestres Ascensos, Jesus, Maria, Saint Germain, Gerônimo. Todos os mestres para quem rezei. Que me ampararam com seu amor, luz e compaixão. E ao grupo " Resgate e Luz" que foram muito amorosos e compreensivos comigo e com minha gravidez. Hoje meu filho semeia luz e alegria por onde passa. Meu Lucas. Luminoso. Obrigada por ter me escolhido meu filho.

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