8 de novembro de 2015

Relato de Parto - Rosa Maria Freitas Brito

Meu relato de parto
Quando lia relatos de parto que começavam contando o parto anterior achava uma canseira, mas lia com muita curiosidade.
Para contar como foi o parto que me trouxe o meu tesouro, Kluivert Fabiano, nosso Pepito, preciso falar do nascimento do José.
Concebemos o José no final de 2012, depois de uma vontade louca e repentina de ser mãe. Moro numa região extremamente ‘cesarista’ e por esse motivo busquei um atendimento com um médico humanizado. Pesquisando no google encontrei a doutora Quésia, marquei a consulta e lá fomos nós. Havia combinado com o meu esposo que se tudo o que eu pensava fosse ilusão da minha cabeça, voltava a fazer o pré natal aqui mesmo, caso contrário continuava o pré natal com a Dra. Quésia.
Ao sair da consulta, olhei para o meu esposo e ele disse “Amor a primeira vista”. Gravidez tranquila, planejando o parto humanizado. Até chegar a 32+5 semana e não sentir mais os movimentos do meu José. Induzimos o parto e nasceu meu pequeno as 2:15h do dia 08/05/2013 no silêncio, sem vida, considerado um natimorto. A doula Izabel me ofereceu pega-lo no colo, recusei por alguns segundos... Peguei cheirei, beijei, tirei fotos, batizei-o e fizemos uma oração. E juntos eu e meu esposo o entregamos para os procedimentos do hospital, para aguardar a alta e fazer o sepultamento.
Agora a batalha era engravidar novamente, queria ter mais um filho, não outro filho, pois ninguém é substituído. Cinco meses depois estava grávida de novo, nosso coração enchia de alegria, chorei ao pegar o resultado positivo.
Essa foi a gravidez dos medos, tinha medo de tudo... e tudo sentia. Com 22 semanas de gestação, em uma noite de carnaval o tampão do colo do útero começou a sair, o desespero tomou conta. A cada dia que passava saia mais e mais por uma semana. Eu resistia de ir consultar. Na consulta o diagnóstico o colo começou a dilatar, repouso absoluto. Fiquei de repouso por 3 meses. Foram 40 dias em casa, 28 dias na casa da gestante do Hospital Sofia Feldman e mais 30 dias em casa.
Em uma consulta de pré natal com 38 semanas, Dra. Quésia me fala: “Rosa, se você fazer uma forcinha esse menino nasce, 7 cm de dilatação e bebê bem baixo. Se você for embora ele nasce no caminho.”
Resolvemos então que iríamos para o hospital. Aguardei o marido chegar e internei as 21:30 horas. Combinamos que receberia um pouco de ocitocina sintética pois não queria ficar no hospital aguardando  o trabalho de parto engrenar, com medo dos sentimentos do parto anterior, também a noite.
Às 23 horas iniciamos com o soro, a Isabel já estava conosco dando todo o apoio, com seu jeito carinhoso e amigo. Meu esposo todo solícito e observador me acompanhava.
As contrações intensificaram, os puxos logo começaram, fiquei de cócoras, amparada pela Izabel e Nélio ao meu lado. Logo a banqueta de parto estava disponível e pude acomodar-me nela. Meus olhos estavam travados, a cada contração apertava forte as mãos de Nélio. Os sentimentos eram confusos, tinha vontade de morder, de tocar a doutora, cheguei a perguntar se ela estava lá mesmo. Questionei-me, ‘bendita hora que encontrei esta loira, o que eu fui procurar’.Tinha vontade que acabasse logo, gritei, gritei muito, queria extravasar aquela dor de alguma forma e sobrou até para a Izabel, quando achei o seu cabelo e puxei.
Às 01:52 horas, do dia 25/06/2014, nasce o meu pequeno, rosado, lindo e vivo. Que nascimento diferente! Este estava vivo, é meu, assim combinei com o Senhor, este é meu. Veio direto para os meu braços, eu estava como dizia a minha mãe, nas nuvens.
Tive uma laceração que foi suturada pela Dra. Quésia e acompanhado pela Dra. Alessandra. Meu bebê só saiu de perto de mim para ser pesado e vestido. Não quis que o aspirassem e nem pingassem o colírio nos olhinhos.
Parir naturalmente foi uma experiência maravilhosa, busquei pelos benefícios ao bebê e também para mim. O atendimento humanizado, respeitoso, acolhedor e amoroso da equipe do Instituto Nascer fazem a diferença neste momento único em nossa vida familiar.
Agradecemos a todos que fizeram parte desta etapa de nossa vida e cuidaram tão bem de nós.
Rosa Maria.
21 de outubro de 2015. 

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