1 de outubro de 2015

Relato de parto - Raquel Zanatta

18 de abril · Editado
     Oi gente, escrevi um relato sobre meu parto. Eh um exemplo de como as coisas podem sair diferente daquilo que você planejou para seu parto mas também um exemplo sobre como uma cesárea pode ser humanizada! Espero que seja valido para alguém. beijos da Raquel e beijinhos do Theodor, meu neném. *Raquel Zanatta, 30. Papai André
    Aos 23 anos minha mãe perdeu seu primeiro bebê. Aos 25, teve meu irmão, com uma gravidez de alto risco. Aos 28, no meu nascimento, ela quase morreu porque teve uma hemorragia. Ela foi submetida a uma histerectomia de emergência, perdeu muito sangue, mas sobrevivemos.
    Então, eu cresci com um certo medo de parto. Mas, à medida em que fui lendo muito a respeito disso e comecei a estudar saúde sexual e reprodutiva na faculdade, fui entendendo que cesáreas são necessárias em certas situações (como a da minha mãe), mas são uma minoria.
     Resolvi que quando chegasse a minha vez, eu tentaria o parto normal. Então, meu marido André e eu resolvemos encomendar um bebê. Foi muito rápido e, logo no primeiro mês, já conseguimos essa bênção.
    Comecei a ler sobre parto humanizado, vi diversos vídeos, conversei com várias pessoas, frequentei algumas rodas de parto no parque municipal organizadas pelas queridas Daphne e Bel (menos do que eu gostaria), frequentei os cursos do Núcleo Bem Nascer.
    Me sentia bem informada e pronta para tentar um parto natural e humanizado.
    Mas, a verdade é que quando chega a sua hora, talvez as coisas não sejam exatamente como você planejava. Ou talvez você não tenha aprendido o suficiente, ou tenha criado expectativa demais e a vida queira te ensinar que nem tudo está sob o seu controle.
     A dor, por exemplo, é algo muito pior do que eu pensava. Mas as alegrias de carregar o meu neném é muito maior!
     Vou contar aqui o meu relato. São muitos detalhes, e muitos que deixei de fora, então, estou à disposição para quem quiser conversar sobre essas coisas.
     Tive uma gravidez absolutamente saudável. Engordei apenas 12 quilos, a pressão estava ótima, a glicemia também. O bebê estava sempre maior que a idade gestacional. Tudo indicava que seria um gorduchinho. Fora as dores, o sono, os enjoos dos primeiros meses, o peso nas costas e nos joelhos, tudo estava ótimo.
      Tive o apoio do meu marido e das nossas famílias, e trabalhei de casa durante toda a gravidez. Sofri alguns estresses do nosso relacionamento (é muito fácil o casal esquecer de si mesmo durante a gravidez. Fica aqui uma dica para futuras rodas de parto), mas meu único choque foi a morte de uma tia muito querida quando eu estava no oitavo mês. Ela teve um câncer repentino e morreu em apenas um mês, com 51 anos de vida. Desde então, comecei a dormir mal, fiquei muito abalada, mas as homeopatias foram de grande ajuda pro meu restabelecimento.
      Eu já tinha como ginecologista o Dr. Marco Aurélio Valadares, do Núcleo Bem Nascer. Ele sabia do meu histórico e cuidava de mim desde os 13 anos. Eu já o conhecia muito bem, então foi nossa escolha fazer o pré-natal com ele. Um médico maravilhoso, sempre muito calmo, sensato e compreensivo. Tirava minhas dúvidas, explicava tudo passo a passo, e me ajudava a ver a gravidez como um processo de vida, e não como uma doença ou algo que requer cuidados intensivos ou intensa medicalização.
     No final da gravidez também comecei a ser acompanhada pela Nelci Muller, que além de enfermeira obstetra, é amiga dos meus pais, e uma pessoa muito querida que me viu crescer. Aliás, ajudou a me criar, pois a Laila, sua filhinha mais nova, é da minha idade, então brincamos juntas a infância inteira. Eu encontrei com ela em sua casa algumas vezes antes do parto. Conversamos muito sobre tudo, ela me ensinou exercícios e me ajudou a manter a tranquilidade com a aproximação do grande dia.
      Numa quinta-feira, quando eu completava 39 semanas, comecei a sentir contrações fortes, mas sem ritmo, como cólicas menstruais. Era como se uma mão empurrasse minha barriga para baixo e ao mesmo tempo uma dor no baixo ventre começava a me apertar. Vinham a cada uma hora, ou a cada duas ou três horas. Como eu tinha pré-natal agendado para aquele mesmo dia, às 3h da tarde, não liguei para o Marco Aurélio, apenas fui à consulta. Cheguei sentindo muitas dores. Ele me examinou e me disse que o colo do útero ainda estava fechado e como as contrações ainda não estavam ritmadas e não eram muito dolorosas, eu ainda não estava em trabalho de parto, mas poderia entrar a qualquer momento. Nesse momento, ele também constatou, pelo ultrassom, que meu bebê estava com quase 4 quilos. Era questão de horas, ou de dias. Nada poderia prever.
      Fui pra casa e fiquei no sofá o dia inteiro, com as pernas para cima. Um dos meus medos era não saber que estava em trabalho de parto e o bebê nascer aqui em casa. Avisei à Nelci, que me convidou para andar com ela na barragem Santa Lucia, na sexta-feira de manhã, já que andar induz o parto. No outro dia, demos duas voltas na lagoa durante a manhã. Tinha que parar para descansar, pois minha barriga estava enorme. Eu ainda sentia as cólicas e contrações. Voltei pra casa, almocei na minha avó, e coloquei as pernas pra cima no sofá o resto do dia. À noite, fomos na casa dos meus pais comer pizza. Voltamos pra casa e dormimos 12 horas seguidas. No sábado, eu ainda sentia as mesmas contrações e cólicas não ritmadas. Almoçamos na minha sogra e voltamos pra casa. Recebemos a visita de um casal de amigos. Minha amiga Marcinha massageou meus pés e mãos e permaneci no sofá. Parecia que meu corpo se preparava para algo grande e poupava energia.
      Eu sempre tive a personalidade meio controladora e sempre gostei de tudo planejadinho, então era incrível o sentimento de não ter controle sobre alguma coisa na minha vida que era tão importante. "Pode ser hoje, pode ser daqui uma semana". Mas eu estava calma e serena, pois sabia que tudo estava dentro da normalidade e já não via a hora de ver meu filhinho. Naquela noite, perdi o sono. Consegui dormir perto de 1h30 da madrugada de sábado pra domingo. As cólicas e as contrações deram uma paradinha.
      Finalmente, às 4h em ponto da madrugada de domingo, dia 22 de março, a primeira contração verdadeira veio. E era algo muuuuito diferente das cólicas que eu estava sentindo. Não tinha como errar. A dor era excruciante, eu estava sentindo algo que nunca sentira na vida.
     Acordei assustada e feliz, agarrei o celular e comecei a marcar. Durou dois minutos. E parou. Fiquei acordada, meio assustada, meio ansiosa. Dez minutos depois, veio outra. Durou dois minutos. Dez minutos depois, a terceira. Acordei meu marido. Tive a quarta contração e ligamos para o Marco Aurélio. Ele combinou que me veria na maternidade Santa Fé, às 8h da manhã. Até lá, eu deveria esperar em casa.
      Fomos para o sofá da sala, onde fiquei sentava, apoiada de lado com várias almofadas. Massagem, bolsa de água quente, Buscopan, nada resolvia. Começou a ficar mais intenso. Meu marido me dava melão picadinho e água de coco, e contava comigo os intervalos ficando cada vez menores. Saímos de casa às 7h40 com contrações a cada 6 minutos. E eu com medo de o bebê nascer no carro....não sabia que longas horas me esperavam.
     No Santa Fé, Marco Aurélio fez um toque e constatou que eu estava com 2 cm de dilatação, mas as contrações ainda não estavam exatamente ritmadas. Estava acontecendo, seria naquele dia, mas ainda era muito cedo para ser internada. Eu sabia que essas coisas levavam tempo, mas quando chegou a minha vez, eu morria de medo de o bebê estar descendo, apesar de que ele estava super alto na minha barriga. Voltamos para casa e tínhamos que voltar para o Santa Fé ao meio dia.
     Ligamos para a anja Nelci, que veio para nossa casa nos ajudar e acompanhar o processo. Fazíamos a respiração durante as contrações e conversávamos durante os intervalos. E meio-dia chegou. Nelci, com toda a sua experiência, sabia que ainda levariam várias horas. Logo, sugeriu que ficássemos em casa mais um pouco. Ficamos até às 14h. Enquanto esperávamos, meus pais deram uma passadinha em nossa casa, buscaram nossas tartarugas para cuidar durante um tempo e deixaram flores e comidinhas. As contrações já estavam de 3 em 3 minutos e ritmadas, e a dor foi ficando cada vez mais insuportável, pois o período de descanso agora passava muito rápido e eu não conseguia descansar. Não conseguia caminhar até o banheiro para fazer xixi. Tinha que sentar no chão quando a contração vinha e eu estava em pé. Tentei fazer cocô, mas a dor era muito forte, e eu não sabia se era mesmo vontade ou era um reflexo do meu intestino. Entramos no carro e urrei de dor a cada quebra-molas, cada curva mais sinuosa. Eu só pensava que no próximo parto eu só quero ir pro hospital uma vez. Ao invés de ter ido às 8h da manhã, eu deveria ter ficado em casa até as contrações ficarem mais frequentes e depois ir de uma vez só. Mas como tudo era novo, como eu iria saber?
      Chegamos ao hospital às 3h da tarde. Internei em uma suíte PPP bacana, que tinha até banheira. Mas, na hora da dor, a última coisa que eu queria era agachar na banheira. Acabou que o único que nadou na banheira foi o meu marido. Aquele negócio lindo que eu sempre sonhara de parir na água não funcionou pra mim! Mas entrei no chuveiro e fiquei rebolando na bola. As duas técnicas eram boas pra me distrair durante os curtos intervalos de descanso, mas na hora da contração, eu só conseguia gemer e gritar. Não tinha bola que adiantasse! E não aguentei. Depois de 12 horas sentindo muita dor, eu pedi cesárea. Eu gritava de dor e falei todos os palavrões que eu conhecia. Segundo meu marido, eu também disse a seguinte frase "chega desse negócio de parto humanizado. Humanizado o caralho!!!! Marco Auréeeeeeeelio, eu não aguento maaaaaaaais".
     Marco Aurélio, com seu jeitinho, lembrou-me que antes da cesárea, ainda existia a anestesia, e que deveríamos tentá-la, antes de sair cortando a barriga. Eu tinha me esquecido que existia esse recurso, pois na minha cabeça, "parto natural" era a única coisa que eu havia focado nos últimos meses. Meu marido ainda tentou me engabelar para adiar a anestesia (ja que pode atrasar a dilatação) e Marco Aurélio ainda demorou muito dentro do bloco cirúrgico tentando encontrar a anestesista de plantão.
     Hoje, 17 dias depois, eu me pergunto se a dor era mesmo tão grande assim. Pasmem! Eu não me lembro mais dela! Talvez fosse medo do desconhecido. Tenho certeza que se fizesse de novo, se eu soubesse que a dor era aquela e que ainda demoraria horas pro meu filho nascer, eu teria aguentado pelo menos um pouco mais antes de pedir arrego.
      E foi assim que eu fui levada para o bloco cirúrgico e tomei uma epidural, apertando a mão do Marco Aurélio, que ficou comigo em todos os momentos, explicando passo a passo tudo o que acontecia.
     Ele me tranquilizou e disse que era isso mesmo... que a anestesia era uma coisa pra ser usada, pra dar conforto pra quem precisa, pra não ter que fazer cesarianas só por medo da dor, e que eu não precisava me preocupar com o bebê, que ele estava bem e que ficaria bem independente da anestesia, que isso não invalidaria minha experiência de parto.
      Em seguida, dormi por uma hora dentro do bloco porque eu estava exausta de tanto sentir dor. No retorno para o quarto, ele fez um novo toque e constatou que eu estava somente com 4 cm. Poxa vida, 8 horas para andar 4 cm! Foram os 4 cm mais longos da minha vida. Fiquei frustrada com meu corpo que não estava me ajudando, mas fiquei feliz porque não estava sentindo mais dor. Diz meu marido que eu voltei pro quarto radiante de alegria depois da epidural.
      Com essa dose fraquinha de epidural eu ainda sentia as contrações e conseguia diferenciar os músculos de cima da barriga empurrando o bebê para baixo enquanto um outro músculo parecia puxar o colo do útero para os lados como se quisesse abri-lo. Mas tudo isso sem dor! Fiquei ótima, feliz da vida, dando graças a Deus que anestesia existe e que eu poderia continuar esperando meu filho descer. Rebolei na bola, caminhei bastante pelos corredores, sempre acompanhada da Nelci e do Marco Aurélio, que vinha ouvir o coraçãozinho do bebê toda hora. So nao podia nadar na banheira, pois haviam colocado um cateter em minhas costas para aplicar novas doses da anestesia sem ter que ficar me furando. Tomei muito picolé de limão e suco de uva, únicas coisas que ele me permitia comer.
     Mas o bebê não desceu. Estava altíssimo na minha barriga, colado embaixo das costelas. 3 horas se passaram e passou o efeito da anestesia. Eram 19 horas. Assim que comecei a sentir dores de novo, pedi o reforço da anestesia, mas quando a médica anestesista veio aplicar, viu que o cateter estava entupido com um coágulo de sangue. Eles tiveram que me levar para o bloco cirúrgico novamente e me furar de novo. Marco Aurélio segurou minhas mãos novamente durante a aplicação da anestesia e colocação do cateter. Ele aproveitou a oportunidade para estourar a minha bolsa para tentar acelerar o processo. O liquido estava claro e o coração do bebê batia a 150. Eram 20h.
     Voltei para quarto e fui caminhar no corredor com meu marido. Foi quando, de repente, percebi que a anestesia não tinha pego no lado direito do corpo. Eu estava voltando a sentir as dores apenas de um lado. E agora doía de minuto em minuto, quase que sem parar. Eu não aguentava mais e já estava rouca de tanto gemer. Chamamos a anestesista para corrigir o problema.
    A anestesista plantonista voltou às 21h e dessa vez, ao invés de apenas corrigir o problema do lado direito, me deu uma dose cavalar que me paralisou completamente as pernas e calou totalmente a sensação das contrações. Eu já não sentia mais nada da cintura para baixo. Além disso, eu fiquei com muito sono, prostrada. Não conseguiria empurrar meu filho se tivesse um parto normal. Ai, eu chorei. Já estava em trabalho de parto há 17 horas e agora não sentia meu corpo. Fiquei assustada e triste. A verdade é que eu estava exausta. Marco Aurélio e Nelci tentaram me consolar dizendo que eu havia sido forte. Eu havia sonhado em pari-lo naturalmente, num parto tranquilo e como manda o figurino. Mas eu tinha que entender que agora teria que esperar mais tempo já que a anestesia me paralisou, ou teria que acabar numa cesárea.
    O coração do meu bebê batia forte. Ele estava muito bem dentro da minha barriga, apesar de que eu me sentia uma baleia encalhada, deitada na maca sem conseguir mexer as pernas, toda molhada de liquido amniótico e sangue, suada, cansada, chorada. Eu nem conseguia ficar em pé pra tomar um banho.
    Marco Aurélio solicitou a presença de seu companheiro de equipe, Dr. Sandro, para que ele pudesse dar uma segunda opinião sobre meu caso. Poderíamos esperar para ter parto normal ou deveríamos fazer uma cesárea?
     Eu adormeci e acordei, à meia noite, com o Dr. Sandro entrando na sala. Ele foi muito gentil e simpático. Os dois fizeram um toque (eu já nem sentia mais nada mesmo!) e eu tinha apenas 6 cm de dilatação, depois de 20 horas de trabalho de parto! Dr. Sandro concordou com Marco Aurélio de que o bebê estava muito alto e a dilatação não estava evoluindo. Também concordaram que o bebê estava muito grande e que eu sofreria muito se tivesse que esperar mais 20 horas para esperar o bebê descer (sem nenhuma garantia que desceria ou que eu conseguia expulsá-lo devido ao seu tamanho e meu grau de cansaço). A cesárea foi indicada.
     Pra quem queria um parto natural, chegar a uma cesárea foi frustrante. Chorei de novo, mas concordei que era o melhor para nos dois, afinal, tudo estava dando certo e o mais importante é que o bebê ficasse bem.
     Apesar de ter terminado em cesárea, eu tinha plena noção de que meu bebê havia escolhido a hora dele, quando comecei a sentir dor às 4h da manhã. Estivemos sob o efeito dos hormônios do parto e do amor durante 20 horas. Era mais do que precisava para sinalizar que ele estava maduro e pronto para seguir vida própria.
     Em menos de 10 minutos eu estava no bloco cirúrgico novamente, com a mesma anestesista plantonista que havia paralisado minhas pernas. Dessa vez, ela injetou mais um monte de coisas e começaram a me preparar. Nelci e meu marido foram trocar de roupa e logo comecei a sentir os tremores da anestesia. Marco Aurélio e Sandro se preparavam para a cirurgia enquanto uma enfermeira raspava meus pelos e começava a me esterilizar e cobrir.
     Minha vida estava mudando para sempre. Vomitei deitada, numa gaze que Marco Aurélio segurava próximo a minha boca. Só me lembro dele dizer com aquela calma toda: "por isso que a gente só recomenda tomar picolé de limão e suco de uva durante o trabalho de parto. A gente nunca sabe quando precisa de uma cesárea". "Ainda bem mesmo que eu não comi uma feijoada", pensei!
      Eu tremia, eu estava com frio, eu estava nervosa, aflita, com medo de morrer, com medo de não ser uma boa mãe, com medo de tudo. Meu marido entrou, segurou a minha mão, trocamos um olhar de amor e eu sentia Marco Aurélio e Sandro terem que fazer muita força para puxar o bebê para fora. A hora dele chegou, mas ele não queria sair de mim. Foi quando ouvi seu chorinho forte e minha vida renasceu pra mim. Era 00h50 de segunda-feira. Meu gorduchinho cabeludo nascia, com mãozinhas geladas e gosmentas, e um cheirinho que é só dele. Meu amorzinho foi colocado no meu rosto, mas como tive outra ânsia de vômito, ele foi retirado, pois vomitei novamente (não era bem assim, com um vômito, que eu esperava receber meu filho ao mundo... mas, e dai...)
     Nelci tirou o bebê do meu rosto e o entregou ao meu marido que disse "nunca carreguei um recém- nascido antes!". E ela disse "Mas esse é seu filho, toma". E ele embalou nosso filho enquanto as enfermeiras cuidavam de mim. Depois, fiquei na sala de recuperação observando outras mamães lindas que estavam maquiadas e descansadas recebendo seus bebês de cesáreas. Eu estava nojenta, descabelada, toda molhada, mas infinitamente feliz e ansiosa para carregar nos braços a vidinha a quem eu dava a luz.
     E ai, tiveram os pontos, a internação, a recuperação, as dificuldades com o aleitamento, a falta de sono e tudo aquilo que querendo ou não, não importa, pois é igual para toda a mãe, independente do tipo de parto. 
    O que importa é que meu bebê e eu fomos respeitados em todas as nossas escolhas. E para as escolhas que não pudemos fazer, como por exemplo, esperar um parto normal ou fazer uma cesárea, pudemos contar com a ajuda de profissionais e amigos nos quais confiamos as nossas escolhas. E se confiamos as nossas escolhas, confiamos a nossa vida. Não foi um parto normal natural, mas foi uma cesárea humanizada, pois Theodor escolheu a hora dele nascer e pessoas competentes e preparadas, extremamente respeitosas, me ajudaram a escolher a forma de ele nascer. E isso é o que importa. Pra mim, isso é parto humanizado.
Theodor nasceu com 4 quilos e 53 cm. Forte, curioso, cheio de vida. E eu, renasci mãe.
 
 

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