4 de setembro de 2015

Relato de Parto - Telma de Assis

Mamãe Telma - Bebê Rafael
 
PRÉ-PARTO – RAFAEL
 
       Nada colaborava, poucos apoiavam, família com medo e duvidava, pra muitos, “louca” por eu estar pra ter um parto natural depois de uma cesariana complicada.
      A minha “desnecesárea” foi realizada em Set/2011 sob a “justificativa” de que aos 32 anos eu estava “velha” pra tentar meu primeiro parto normal ou outro que não fosse sob o método cirúrgico. E isto com 37 semanas, depois de eu falar desse meu desejo de parto normal durante todo o pré-natal. Enfim, fui mais uma vítima do sistema cesarista brasileiro, tive minha filha com 38 sem e 4 dias, sem entrar em Trabalho de Partol. Falo hoje com o conhecimento que não tive à época, e digo que fui vítima e não sou mais, pois a informação me tirou desta situação.
      Bom, e quando gestante da minha princesa, eu trabalhava fora, profissão advogada, muitas horas semanais de trabalho, inclusive viagens, sem tempo pra me informar sobre o desejado parto ideal, fosse ele qual fosse.
      Pois bem, passei pela cesariana e por bons bocados com hemorragia pós parto, curetagem, cefaleia pós Raqui, pra resumir. Pingaram nitrato de prata nos olhinhos da minha pequena, não me deram minha filha pra amamentar até o terceiro dia de nascida, ainda que eu pedisse insistentemente, este último, talvez até pela minha fraqueza – recebi duas bolsas de sangue. O restante, vou pular.
      Segunda gestação descoberta com 5 semanas aos 35 p/ 36 anos de idade. Desta vez, estou do lar e sendo mãe em tempo integral por opção, pra cuidar eu mesma da minha princesa Mariana (o melhor motivo pra essa decisão), sem renda mensal própria, economias ao máximo, início de construção da tão sonhada casa própria... muitas dificuldades, mas, desta vez, com uma certa facilidade (pouco tempo) pra pesquisar sobre parto.
      Resumindo como me informei, foram anjos voando neste lugar chamado facebook que me apresentaram a humanização do parto e me deram total apoio para ter meu VABC (Vaginal Birth After Cesarean) – Parto Vaginal Após Cesárea.
      Morando em Caratinga, interior de Minas, tinha que ter lugar pra aguardar o TP-Trabalho de Parto e ter meu bebê num hospital público humanizado pesquisado e eleito na capital, o Sofia Feldman. Problema resolvido por outro anjo, uma prima e toda sua família nos ofereceram não só a estada, mas todo carinho que possuem.
      Segui o conselho de não divulgar minha opinião enquanto ainda estava sendo formada. Cheguei a afirmar várias vezes quando perguntavam se seria cesariana de novo que “Sim, é claro!”. Era engraçado, pra não dizer triste, a cara de alívio das pessoas.
     Gestação avançada, decisão tomada e até meu marido, como a maioria, ainda não estava convencido. Mas enfrentei os contras e fui a grande BH até cedo demais, aproveitando uma carona oferecida por mais um anjo de Deus nesta terra.
      Através dos contatos, tive doulas maravilhosas que também me forneceram informações, carinho, atenção e cuidado aos montes.
      No fim até o marido inseguro, que antes, cheio de dúvidas e medos, fez questão de estar comigo quando chegasse a hora do nosso príncipe se apresentar.
     Já em BH, dia 27/07/15, com 38 semanas, houve profissionais da saúde, no próprio Sofia Feldman, que me disseram que já estava com 40 semanas e teria que fazer a cesariana daí a 2 (dois) dias se não entrasse em Trabalho de Parto nesse período. Fui a outros profissionais, inclusive Dr. Lucas que atende também no Sofia e sempre em conversa com as doulas, tive a segurança que poderia esperar mais. Tudo com toda segurança necessária, faria até ultrassonografia uma vez por semana daí por diante. Só que nem deu tempo.
TRABALHO DE PARTO – RAFAEL
       Então, esperei a hora que Rafael estivesse pronto pra vir e foi dia 03/08/2015 que ele começou a mandar contrações ritmadas, diferentes dos ensaios até então. Começou as 6h, fui caminhar na Praça e ao retornar as 7h40m não havia interrompido. E assim foi durante todo o dia, mesmo no banho ou deitada. Às 9h avisei o marido, ele não sabia se já precisava ir até mim ou não e nem eu... Ao longo da tarde, idas com a prima e seu esposo a diversos lugares, paradinhas quando vinham as contrações e anotando o tempo de duração e intervalos. Às 14h, quando pensávamos que já era o “verdadeiro” sinal de TP (Trabalho de Parto), liguei para o amor e ele já estava a caminho. Lá pelas 18h as contrações ficaram com espaço de 5m e duração de 40 ou 50 segundos. Aí, eu e a doula, pensamos que poderíamos ir ao hospital a noite.
       Plano de Parto em mãos, preparamos e fomos lá pelas 22h. Ficamos eu, a doula e meu marido. Na admissão do hospital, viram que estava com 4 cm de dilatação, ainda pouco, então aguardamos mais lá mesmo. As 2h30m, 6 cm, então, foi possível irmos (eu, doula e marido) ao CPN-Centro de Parto Normal, onde não há intervenções no parto, como eu pretendia. Na Sala de Parto Leila Diniz, a banheira e a ducha quentinhas foram ótimas auxiliares no relaxamento durante as contrações de dilatação, a bola de pilates também, mesmo que eu não conseguisse fazer muitos movimentos, e o marido, nem se fala, me agarrava nele como quem estava com medo de cair – tipo assim: “me segura, ou melhor, me deixa segurar firme em você”.
       Entre contrações e gemidos, lanchinho, água, gatorade que levei de casa e até gelatina oferecida pelo hospital pra fortalecer. Muita respiração, que a doula me lembrava de fazer, só que ficou prejudicada quando minhas narinas me fizeram o favor de entupir. Resfriei naquela madrugada. Às 6h mais ou menos, ainda com 8cm de dilatação,  a enfermeira obstetra rompeu a bolsa (indolor diga-se de passagem, já que foi na hora da contração). Então, depois das 8h, com dilatação total (10cm) veio o expulsivo, onde o próprio corpo pede pra fazer força. Às 10h o bebê estava com desaceleração cardíaca, faltava oxigênio por causa da dificuldade de respiração. Me deram oxigênio, veio pediatra, mais enfermeiras e uma médica obstetra e foi verificado que o bebê, até que enfim, estava pra vir. Então, depois de ser analisada na cama, sentei na banqueta de parto e com a primeira contração após, o Rafael coroou, não inclinei pra tocar porque sentia muita dor no corpo, mas senti tudo, na segunda, saiu a cabeça, daí, tiraram o cordão que estava com uma volta no pescoço dele, na terceira, escorregou todo o corpinho dele, a enfermeira segurou e o levou direto aos meus braços. Meu marido cortou o cordão, ele chorou e Deus de tudo cuidou.
      Enquanto suturavam a laceração de grau II, eu o amamentava e ficava admirada com o tamanho do rapaz e sua atenção para com o rosto da mamãe, amor que já existia. Pesando 4.270kg e medindo 52cm, o meu guerreiro não teve nenhuma distócia de ombros como suspeitavam que poderia, porque foi tão forte ou mais do que eu, às 41 sem. e 4 dias (ou 39 sem. e 5 dias – como queiram) Exames ok, sem nitrato de prata, conforme o Plano de Parto entregue previamente. TUDO MARAVILHOSO!
Assistência fenomenal dos profissionais do CPN do Hospital Sofia Feldman.
      Chorei mais que na gravidez inteira. NÓS CONSEGUIMOS! Cheguei a duvidar no final, mas CONSEGUIMOS! E também contribuímos pra provar que o sistema cesarista não tem razão de o ser ou permanecer.
PÓS PARTO – RAFAEL
      Banho com a ajuda da enfermeira e doula, fui para o quarto. Alta no dia seguinte. Nos primeiros dias, tive incontinência urinária, sem controle nenhum, o que foi melhorando. Em consulta com obstetra pós parto, disse que talvez, tenha que fazer cirurgia de períneo, e se tiver, mesmo assim, tudo valeu a pena! Presença e ajuda da minha mamãe nas primeiras noites também foi fundamental!
      Ainda em recuperação, com alguns pontos por cair, meu bebê vai fazer 1 mês, continua forte como um touro, já adquiriu 1 kg com 23 dias de vida, somente com amamentação materna a livre demanda.
      Não vou citar as pessoas, mas meus agradecimentos vão primeiro a Deus que de tudo cuidou e àqueles que me apoiaram todo esse tempo com presença, todo tipo de ajuda, bons conselhos, apoio e/ou orações – eles sabem que foram importantes e permanecerão sendo pra nossa família!
Família feliz e completa!

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