4 de setembro de 2015

Relato de Parto - Luciana Rocha Brandão

Relato de Parto de Lis filha da mamãe Luciana e papai Danilo
      O parto humanizado foi uma experiência unica para mim e para o Dan Mesmo que eu tenha me preparado para o momento me surpreendi com a minha força e coragem. Foinuma oportunidade para o meu crescimento e também do Danilo. Espero que o relato sirva para dar coragem para quem está pensando em fazer o mesmo.
      Gergelim...era assim que à chamávamos quando nem sabíamos ainda o seu sexo. Uma forma carinhosa de chamar a nossa sementinha Lis que estava a caminho... A primeira vez que ouvi falar de parto natural eu nem pensava ainda em ter filhos, mas desde então pensava apenas que fosse assim...naturalmente. Durante os meses de gravidez eu e o papai Dan nos informamos muito. Líamos sobre o assunto, íamos nas rodas da ONG Bem Nascer que por sinal as informações ali obtidas foram as mais esclarecedoras e ainda mais encorajadoras. Além disso busquei ser acompanhada por profissionais que foram essenciais na minha gravidez como o Doutor Marco Aurélio e a querida doula Daphne.  Esses dois anjos são um capítulo `a parte desse relato!!
      Bom, vamos direto ao assunto?! 38 semana e 5 dias...esse foi o tempo em que a Lis resolveu nascer para esse mundo. Eu jurava que iria chegar `as 40 semanas, achava até que ia passar um pouquinho!! Mas não, Lis estava pronta! Corria tudo bem, madrugada de terça feira. Papai não estava em casa, havia saído para trabalhar na segunda feira `a noite. Isso mesmo, o papai estava tocando forró numa casa de shows! Fui dormir como de costume as 22h, e lá pelas 3h da manhã escuto um barulhinho de um balão estourando PLUFT!! E junto com esse estourinho uma cachoeira de líquido. Logo pensei...é... a bolsa estourou!! Corri para o banheiro para verificar a coloração, parecia bem normal como já havia me mostrado através de fotos o Dr. Marco Aurélio. Pensei, vou ligar para o Danilo e avisar, mas o papai não atendia o telefone...ixi não tá me escutando!! Fazer o quê? Esperar um pouco e arrumar a minha mala de maternidade que ainda não estava pronta!! Resolvi então ligar para o médico que me disse para ir para a maternidade que eu seria examinada. Eu já sentia algumas cólicas, nada muito forte, mas constante. Resolvi ligar para a Doula...nossa que vergonha de acordá-la!! Mas foi muito bom ter ligado. Daphne me acalmou e disse: tranquila Lu! Tome um banho, coma alguma coisa e espere o Danilo dar notícias. Foi exatamente o que fiz (nem tudo!), comi uma banana e então Danilo ligou. Quando lhe disse pelo telefone que a bolsa havia estourado, senti em sua respiração a felicidade!! Eu estava muito tranquila, terminei de arrumar as coisas, Dan tomou um banho após chegar em casa e fomos então para a maternidade. Chegando lá por volta das 4:00 fui examinada e para minha surpresa já estava com 3 cm de dilatação. Foi então que fomos para o quarto. Infelizmente a sala de parto estava ocupada, mas sabe...isso não importava! Estava tão feliz que o tão esperado momento havia chegado e que em algumas horas eu teria minha filha em meus braços! Pra ser bem sincera, nunca fiquei sonhando ou planejando demais como eu queria que fosse aquele momento. O que na verdade me importava é que fosse respeitada a minha natureza mulher, o meu poder a minha vontade de parir naturalmente. Além disso, queria minha filha assim que nascesse nos meus braços, sem nenhuma separação antecipada. Quanto a isso eu estava muito tranquila, pois tinha quem eu precisava ao meu lado...meu marido, companheiro fiel e a Daphne para me dar essa segurança que eu precisava.
      No apartamento as coisas foram acontecendo...uma dorzinha aumentando aqui, um período de repouso ali...e assim foi desde as 4 da matina. As cólicas ia aumentando gradativamente, Dan tentava minimizá-las com massagens e muito carinho. Entrei no chuveiro algumas vezes nesse tempo. Realmente a água quente amenizava um pouco as dores. `As 7h estava com 5 cm de dilatação e pelas palavras do médico caminhando muito bem.  Para minha tranquilidade Daphne chegou...nossa como me senti ainda mais amparada e protegida para o momento! Daphne me acalmava, me dava carinho, me encorajava. Na bola me fazia massagem e me ajudava na respiração. Não posso imaginar o parto sem a presença desse “personagem”! Com o passar do tempo, as contrações iam aumentando de intensidade e o intervalo entre elas cada vez menor. Por volta das 10:30 para amenizar um pouco a dor, Daphne sugeriu encher a banheira. Dan e Dr. Marco Aurélio ali engajados, enchendo a banheira e eu sentada no vaso sanitário juntamente com a Daphne recebendo dela um aconchego (não esqueço esse momento, eu ali frágil e ao mesmo tempo forte recebendo um afago que me dava a sensação de proteção). O vaso sanitário também era meu grande aliado. A partir de determinado momento, sentada nele eu parecia querer fazer muita força. Foi então que o médico resolveu me examinar novamente e eu já estava com 9 cm de dilatação. Foi então abortada a operação relaxamento na banheira. Fui para o bloco cirúrgico, pois aquele tipo de parto não poderia ser feito naquele apartamento. Em uma sala, montaram todo o aparato...apenas o banquinho de parto! Para que mais? O que realmente uma mulher precisa para parir? Precisa na verdade de querer muito, desejar que a natureza faça o que tem que fazer. Tudo bem...também precisa de pessoas ao seu lado que a apoiem e não julguem o seu querer.
       Durante uma hora sentia uma força expulsiva. Aqui preciso dizer a verdade...gritei muito...rsrs na verdade urrei mesmo!! Acho que assustei todo o hospital! Mas foi assim  que tudo aconteceu. Na hora você não pensa em nada, somente deixa a natureza fazer seu trabalho. Daphne me alertava, para que eu tentasse me relaxar durante as contrações, mas aos poucos Lis se aproximava (2 passinhos para frente e um para trás), eu já me sentia cansada e sem forças. Mas com mais um grito e uma força tremenda Lis CHEGOU! Veio direto aos meus braços. Que emoção sentir aquele cheiro, aquela umidade, aquele calor. O cordão era curtinho, mas a Lis estava vermelhinha, em pouco tempo abriu os olhinhos. Ficou no meu colo e ali alguns procedimentos médicos (poucos, pois no hospital isso é padrão) foram feitos. Mas tudo ali, no meu colo! O cordão não foi cortado imediatamente, mas como era muito curto precisou ser cortado antes de para de pulsar. Mas tudo bem...estava muito feliz. E foi o papai que cortou o cordão, dando inicio a mais nova e linda etapa de nossa vidas!
Foram 9 horas de trabalho de parto, o que considerei bastante rápido e com vontade de fazer de novo! Quando a Lis resolveu que as 12 horas e 5 minutos seria o momento de seu nascimento, ela saiu e veio direto para o meu colo, não foi arrancada dos meus braços abruptamente. Em vez disso, ficou ali comigo pele a pele, descansando e acostumando com o novo mundo. Abriu os olhos e viu a mãe e o pai emocionados a admirando.
          O nascimento de um bebê é algo que envolve várias esferas e para mim tem muito a ver com o que essa criança vai se tornar. Com certeza o tipo de parto, a primeira impressão dela comigo, com o pai e com o mundo vão influenciar positivamente na vida da Lis. Com isso, espero apenas coisas boas para ela! Melhor saúde por ter sido colonizada naturalmente pela minha microbiota normal...por ter nascido na hora em que estava realmente pronta e não em uma data pré agendada e por uma cesariana desnecessária. Melhor saúde, por não ter sido exposta a drogas (anestesia) no momento inicial da sua vida!! Para finalizar, eu não poderia passar por essa vida sem sentir o que é realmente parir um filho,  sentir aos poucos a sua chegada! Depois disso, me sinto ainda mais forte, corajosa...ainda mais mulher ainda mais mamífera! Agradeço imensamente ao Dr. Marco Aurélio a Daphne e ao Dan...”equipe” tão competente que me ajudou muito nesse momento!  E a Lis pela oportunidade que está me dando de ser mãe!!

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