23 de agosto de 2015

Relato de parto Janaína Goulart

 
Relato de parto – Parte I
Janaina Goulart com Rosana Cupertino e Cristiano Loureiro
20 de agosto às 14:09
        Estava em dívida com o depoimento do meu parto e somente agora consegui escrevê-lo. Minha bebê já está quase com três meses e parece que já estamos juntas há uma eternidade...
        Entrei em trabalho de parto na terça-feira, dia 19 de maio. Rodei nesse dia todo... Durante a manhã fui ao médico e como ainda estava com 39 semanas, achei que voltaria na semana seguinte, sendo assim dispensei o exame de toque para que ele pudesse avaliar minha dilatação. Chegando em casa senti uma dor de barriga que voltava a cada 1hora. Desconfiei que pudesse ser contração, mas fiquei na dúvida. À tarde fui à terapia e para aula de ioga. Havia decidido que seriam minhas últimas idas antes de ter bebê. Na ioga havíamos combinado de fazer um chá de bênçãos para abençoar a chegada da minha bebê. Foi um evento especial organizado com muito carinho pela Rosana Cupertino e pela Bel Cristina. Da ioga busquei meu marido na academia e fomos embora. No caminho já alertei a ele que estava sentindo contrações, mas que pudesse ficar tranquilo, pois havia mulheres que ficavam dias com essa “dorzinha”.
        Contudo, em casa as dores foram aumentando e comecei a ter contrações a cada 10min, com duração de até 2min. Achei que ia conseguir esperar passar a noite e descansar um pouco mais em casa, mas as dores só aumentaram. Liguei para Rosana Cupertino, com quem combinei de fazer a doulagem e fomos todos para o Sofia Feldman. Chegamos lá por volta das 02 da madrugada. Como foram chegando grávidas em estado mais urgente que o meu, elas foram passando na minha frente e eu só consegui dar entrada na maternidade às 05:00. Fiquei com receio de me mandarem de volta para casa, mas como havia vaga na Casa de Parto, me deixaram ficar. Estava com dilatação 3,4. Já acomodada, meu marido e Rosana puderam descansar, mas eu não conseguia deitar para dormir porque era incômodo. Durante o dia recebi lava-pés com massagem e chá relaxante em uma casa anexa à maternidade que oferece esse carinho às gestantes. O dia foi passando e no final da tarde a enfermeira pediu para me avaliar e disse que eu teria que ser transferida para a maternidade, já que a enfermeira do turno da noite que ficaria na Casa de Parto iria faltar. Na avaliação minha dilatação estava 7,8, o que meu deixou muito frustrada, pois já havia passado uma noite e praticamente um dia de trabalho de parto. Imaginei que não seria tão demorado. Fui transferida para um quarto com condições semelhantes ao que estava na Casa de Parto: cama, chuveiro, banheira, etc. As contrações, assim como o cansaço foram aumentando... revezava entre o chuveiro e a banheira, mas na banheira eu relaxava e as contrações diminuíam, o que atrapalhava no trabalho de parto. Já de madrugada, a enfermeira orientou para que tentássemos agilizar o trabalho de parto, com caminhada, agachamento, etc. Eu estava exausta, não conseguia me alimentar e agachar para mim era um sacrifício enorme... mas só vinha em minha mente o seguinte pensamento: “Não vou morrer na praia. Me preparei tanto para ter um parto natural, não posso me entregar”. Em uma nova avaliação minha dilatação era 8,9 e a enfermeira ofereceu para acabar de abrir meu colo através do toque, de forma que pudesse encaixar a cabeça do bebê, que era somente o que faltava para o nascimento. Foi uma dor terrível, mas foi, sem dúvida, a intervenção necessária. Todas as medidas sugeridas pelas enfermeiras, eu aceitava de acordo com o aval da Rosana. Seu apoio foi fundamental para que eu não me sentisse invadida e nem perdida em meio a pessoas que nunca tive contato antes. Meu marido foi excepcionalmente especial nesse processo e essencial em meu suporte emocional. Esteve comigo em todos os momentos e “sofreu” as dores junto comigo. Luísa nasceu às 05:20 de quinta-feira, dia 21, toda curiosa prestando atenção a tudo à sua volta.
        Foram quase 30 horas muito exaustivas de parto, mas não me arrependo de jeito nenhum de minha escolha de ser um parto natural. Se tiver outro filho e puder optar, farei da mesma forma.                                                                 


Relato de parto – Parte II
Janaina Goulart com Rosana Cupertino e Cristiano Loureiro
20 de agosto às 14:13
         Em relação ao nascimento ocorreu tudo bem e estava satisfeita com minha escolha de ter filho no Sofia Feldman, mas gostaria de relatar ainda um fato pós parto... Durante o dia após o nascimento de minha filha fui tentando amamentar, porém meu seio começou a doer e logo fiquei com receio de ele ferir e eu não conseguir mais. Pedi ao meu marido que comprasse para mim um bico de silicone, mas não cheguei a usa-lo. Contei para a enfermeira minha intenção e ela disse que estava doendo porque o bebê não estava sugando de forma correta. De forma bastante invasiva ela pegou no meio seio para mostrar como se fazia e ainda ficou apertando a bochecha da minha bebê mostrando como não deixar o bebê dormir enquanto mama. Fiquei bastante assustada e desconfortável com a demonstração. No dia seguinte – dia da minha alta – acordei e fiquei sentada no corredor. Estava havendo troca de plantão das enfermeiras e ali mesmo no corredor, perto de mim, elas se comunicavam repassando orientações e, para minha surpresa, uma delas disse à outra que não deixassem a fulana de tal (que no caso era eu) receber alta, pois eu não queria amamentar minha filha. Terminando a conversa me apresentei para a enfermeira do novo turno me identificando e explicando quais eram minhas verdadeiras intenções em relação à amamentação e que realmente seria um desafio.
        Fiquei muito chateada com a postura da enfermeira, afinal, amamentar sempre foi minha intenção. Achei que ela ignorou o que estava sentindo, além dos meus conhecimentos a respeito dos benefícios da amamentação. Apesar da minha própria resistência, usei o bico de silicone e logo que meu seio parou de doer, tirei. Penso que não teria conseguido se não fosse esse acessório. Hoje amamento minha filha com tranquilidade e ela consome somente leite materno. Ela está desenvolvendo bem e adquirindo peso acima da média, para minha alegria.
 


 

 

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