21 de agosto de 2014

UM MOMENTO SAGRADO

NASCER E RENASCER

Nasce uma criança, um pai, uma mãe, uma avó, um avô, sobrinhos, tios, uma família. O nenê está nascendo, todos os outros estão renascendo diante do milagre do nascimento. Cada criança que nasce, com ela nasce a esperança e o mundo recomeça. A Roda da vida, ecológica, natural. Segundo a natureza, desde que o mundo é mundo e que o homem é homem. Desde o princípio. Mas a Roda da Vida está ameaçada. Está suja de sangue e de dor. O parto deve voltar à sua naturalidade, segundo à natureza, sem procedimentos iatrogênicos, sem cortes, suturas, costuras, rupturas.

Pelos seus filhos e por si mesmas, as mulheres devem se empoderar dos seus partos e dar passagem para seu filho. Atualmente, são tantas as que passam por uma cesariana porque “não tiveram passagem”. Num universo de 56% de cesarianas no Brasil em 2013, o Ministério da Saúde, a Secretaria Municipal de Saúde, ongs e movimentos civis questionam, será que todas essas cesarianas foram necessárias? Ou atenderam a conveniências do médico e da parturiente e seus familiares? A Organização Mundial de Saúde garante que apenas 15% destas seriam necessárias.

Hoje se intervêm muitas vezes com a gravidez de 38 semanas (quando o nenê está realmente maduro com 40 semanas ou até 41).  "Internei e não tive dilatação". Será que as mulheres perderam a capacidade de parir? Teria a máquina humana feminina enguiçado? Qual a verdade sobre a cesariana?

No Brasil, a cultura pró-cesárea preconiza 100% de segurança na cirurgia. E parto normal virou coisa do passado; parto de cócoras, coisa de índio. Se o resultado é o mesmo – uma criança perfeita – o que importa a forma como ela nasce, perguntam alguns médicos cesaristas. Dá até para fazer uma relação com  um dito histórico: Daí à César o que é de César, a Deus o que é de Deus. (Dizem que a primeira cesariana foi feita no imperador romanco, César). Se Deus é a natureza, outros procedimentos são criações humanas.

Nós perguntamos. E a parte psicológica do nenê e da mulher? E o lado emocional desse bebê que não nasceu, mas foi retirado e dessa mãe, que fecundou, gerou e não pariu? Será que tudo isso deixa sequelas? Vamos raciocinar, tentar sentir o lado da criança. Ela está lá quietinha, confortável, segura, dentro da mãe, esperando a sua hora. De repente, um bisturi –uma pequena faca – corta o seu casulo e duas mãos invadem a sua privacidade. Ela sente medo? Insegurança? Ela entende essa situação? Como fica registrada a experiência em seu subconsciente?

No parto natural, o ritmo é da natureza, às vezes uma lua cheia e o nenê nasce na hora certa. Ele luta com a mãe, ambos tomam um banho de hormônios – endorfina, ocitocina - que vão ajudá-los na química do amor, ele passa pelo canal de parto, canal da vida, seu pulmão amadurece, os líquidos deglutidos saem naturalmente, ele vê a luz no fim do túnel e ganha a luz. 

A mãe dá a luz!

 Enquanto essa criança vai diretamente para o seio da mãe, faz seu primeiro contato, olho no olho, cheiros e dá a sua primeira mamada, ficando quietinho assim que a mãe o acolhe, sossegando o susto de cair em um novo mundo...

Na cesárea,  muitas vezes  a mãe não vê o nascimento, uma cortina a impede de ver os cortes, o sangue e  a realidade da cirurgia, mas sente o corte das sete camadas que são cortadas até chegar ao corte do útero – mesmo sem dor – ouve os ruídos dos líquidos sendo sugados e quando passa a anestesia já está cortada e dolorida. Como receber o nenê nesse estado, recuperando-se de uma cirurgia, quando poderia estar em plena saúde, recuperada de uma dor rápida, dor de vida? A cesariana torna o parto um evento médico e demanda mais internações e UTIs Neo Natal. Enquanto no parto normal, o nenê está logo depois de nascido no peito da mãe, na cesárea ela o vê de longe, sem poder dar uma olhadinha, uma cheiradinha,  fazer um dengo, conhecer a sua cria, protegê-la junto ao peito. A criança vai para outras mãos, ser manipulada, incomodada com sugadores de nariz, que vão tentar retirar os líquidos que naturalmente seriam expelidos num parto normal. Mais procedimentos. Sua mãe está lá longe.

Quando ele chega, o primeiro contato já está perdido para sempre, esse momento único na vida do ser humano, estar com a mãe que o gerou na chegada a este mundo. Perdido para sempre a primeira carícia, o primeiro olhar, a primeira mamada. Será que o nenê fica inseguro? Cadê a minha mãe? Sente-se traído? E ainda por cima, muitas vezes vai para um berço aquecido terminar de amadurecer, pois nasceu antes do tempo.

A mãe o vê de longe. Entregou seu parto, o seu filho à instituição, aos médicos, à máquina, essa nova cultura do parto tecnicista, frio, mecânico, achando que está fazendo o melhor para si mesma e para o filho. Num modelo humanizado, o bebê vai para o lado da mãe e do pai  bem juntinhos, incia assim  a sua vidinha.

Buscamos um novo paradigma de parto para o ano 2.000, que bebe de sabedorias antigas e incorpora o novo, buscando um nascimento respeitoso para todos os seres humanos, com respeito à fisiologia da mulher, respeito às suas escolhas.

A foto lá no alto mostra um momento mágico no parto da amiga Jane Adélia. A foto fala por si mesma, do equilíbrio, da beleza, do sagrado daquele momento. Jane acolhida por duas doulas - Isabel e Daphne e em um ambiente acolhedor.

PRÓXIMA RODA BEM NASCER enfoca a PEDIATRIA HUMANIZADAPara gestantes, casais grávidos e demais interessadosúltimo sábado do mês - 9h30 - Centro de Educação Ambiental/Parque das Mangabeiras/Belo HorizonteEntrada gratuita - Lanche coletivoPromoção: ong Bem Nascer

 

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