21 de agosto de 2014

PARTO EM CASA


Olha que mesa bonita! Cinco enfermeiras obstetras. Cinco parteiras da melhor qualidade e assistem partos domiciliares.  : Mirian Rego , Sybille Vogt, Nelcy Muller, Odete Pregal e Nágela Santos. 

É seguro o Parto Domiciliar?

“Segundo a Organização Mundial da Saúde (1996), uma mulher deve dar à luz num local onde se sinta segura e no nível mais periférico onde a assistência for viável. No caso de uma gestante de baixo risco, este local pode ser sua casa, uma maternidade ou centro de parto. Se o parto ocorrer fora do hospital, as providências pré-natais devem incluir planos para acesso a um centro de referência (OMS, 1996). Apesar de não haver consenso na literatura científica atual e ser necessária a publicação de mais pesquisas sobre a segurança do local do parto, alguns estudos realizados no Canadá, Estados Unidos, Austrália, Suécia e Holanda demonstraram não haver maiores riscos de morbidade e mortalidade perinatal e materna nos partos domiciliares planejados.
       As taxas de transferência para o hospital situam-se em torno de 12,5% e são mais freqüentes entre nulíparas que multíparas. A falha de progressão do parto é a causa mais freqüente de transferência. As taxas de intervenções obstétricas como analgesia peridural, episiotomia e cesárea são menores (Hutton et al, 2009; Janssen et al, 2009; Jonge et al, 2009; Lindgren et al, 2008, Johnson and Daviss, 2005).
       Alguns estudos evidenciaram ainda elevado nível de satisfação das mães com a experiência do parto domiciliar. Assim, a decisão pelo parto em casa é individual e baseada em valores pessoais e culturais. A gestante que deseja parir em casa e não tem contra-indicações médicas não deve ser privada desta possibilidade, desde que haja um sistema de referência para possíveis complicações.

Mirian Rego Leão (professora da PUC/Minas, integrante da ONG Bem Nascer, presidente da Abenfo nacional, uma das idealizadoras do Movimento BH pelo Parto Normal)”

Mirian Rego Leão (professora da PUC/Minas)
Matéria publicada no Jornal Bem Nascer


 Olha a experiência de Alessandra Meira. Esta matéria foi publicada no Jornal Bem Nascer.

A CASA É O MEU NINHO

          Quando a terapeuta Alessandra Meira sentiu as primeiras “dores” do parto se contraiu e viu que a dor piorava. Então, resolveu relaxar e respirar. Terapeuta Renascedora, passou a praticar as respirações indicadas. Foi para o banheiro e ficou respirando profundo debaixo da água e “a dor passou”. Resolveu dançar, colocou uma música e passou a fazer os movimentos circulares com o quadril, que aprendeu nas práticas de Yoga. 

Então ,chamou seu marido. Ela mora em um condomínio afastado de Belo Horizonte, apoiada pelas enfermeiras obstetras Mirian Rego e Sibylle Vogt Campos, optou por ter seu filho perto da natureza. Ficou de quatro para receber as massagens do companheiro, quando o nenê nasceu,  nesta posição. O trabalho de parto durou 3 horas.
     
‘Eu quis mais que o parto humanizado. Mas um parto natural e um pós parto também humanizado. Eu saí da minha casa com o Breno sete dias depois. A consciência dos profissionais envolvidos da importância da chegada de uma vida a esse mundo. Isso é parto humanizado. Como será cuidada àquela vida naqueles primeiros momentos? A estrela é o nenê. Além de ser humanizado, deve ser um processo de confiança e respeito à natureza.
    
  Ao optar pelo parto em casa, pensei - quais os riscos que eu posso correr? Fui assistida por duas enfermeiras, com duas ambulâncias à porta da minha casa. Elas levaram balão de oxigênio e uma balança. Tudo muito monitorado. Meu parto domiciliar não foi uma loucura. A mulher não é ouvida. Eu tive força para bancar, outras se submetem. No meu primeiro parto, fui para um hospital e me submeti. Agora, em casa, não tem comparação. Para mim casa é lugar onde eu descanso, me alimento, me nutro. Estou no meu ninho, meu aconchego.

- Você atribui esse parto tranqüilo à tranqüilidade do Breno?
- Sem dúvida. Ele é um menino seguro, vai com as pessoas. Ele sabe quando não quer. Não tem dúvidas que tem a ver com o parto. O momento do parto é um resumo do antes e do depois da pessoa e influencia toda sua vida. Naquele momento, ela recria experiências que quer aprender e define como vai funcionar depois. O nenê não tem intelecto, registra tudo no sentir, como ela é, como é o mundo. Os registros ficam impressos.
“Para modificar a sociedade, tem que se modificar a forma de nascer.”
     
Em seu consultório de terapeuta Renascedora, Alessandra tem feito constatações. Uma delas, percebe uma seqüela nas pessoas que nasceram de cesárea. “Elas tem dificuldade de decidir qual o caminho seguir, tomar decisões”. Diante dos seus relatos percebe-se que os partos podem deixar seqüelas inimagináveis:
    
  Segundo ela, a geração da década de 50/60, que veio da presença de pais e avós, partos normais, é uma geração batalhadora, trabalhadora. A década de 70 é a geração/anestesia, o que teria gerado a geração das drogas, para estar conectada à vida, há que se drogar. Foi feita uma associação entre a droga absorvida durante o parto e a opção pelas drogas no futuro. Já a geração cesariana/incubadora, vitima da tecnologia, teria fixação por máquinas, computadores...


Alessandra Meira recomenda as parturientes a respirar. “O que é a respiração? O ar é veículo de energia. Ao respirar você traz energia para dentro do seu corpo. Quando você respira, está alimentando a sua essência. O que limita vai sendo colocado para fora e você se expande".

  

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