2 de agosto de 2014

O Trauma do Nascimento


"QUEM NÃO LUTA PARA NASCER, NÃO LUTA PARA VIVER"

OTTO RANK - (Fonte: Infopédia)

Psicanalista e psicólogo austríaco, Otto Rank (inicialmente, Otto Rosenfeld) nasceu a 22 de abril de 1884,em Viena, e faleceu a 31 de outubro de 1939, em Nova Iorque.Na sua juventude, entrou para o círculo de discussão de Freud e, em 1906, tornou-se secretário da Sociedade Psicanalítica de Viena. 

Divergindo de Freud, que valorizava o complexo de Édipo, Rank 
deu importância ao trauma, fator principal na psiconeurose, pois 
considerava que a ansiedade neurótica era uma repetição do 
fenômeno fisiológico do nascimento. 

Otto Rank escreveu vários livros dos quais se destacam Der Mythus von der Geburt des Helden (1909;trad. livre: Mito do nascimento do herói), Das Trauma der Geburt (1924, trad. livre: O trauma donascimento), Kunst und Künstler (1932, trad. livre: Arte e Artista), entre outros.
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Ele era da turma do Freud, Young....

Reflexão: Como é que ficam as milhares de crianças que estão sendo retiradas do útero de suas mães, muitas vezes prematuramente? Muitas delas carregam consequências por toda a vida por nascer em hora errada, antes do pulmão amadurecer. Eu acredito, também como Otto Rank, que a cirurgia cesariana pode deixar sequelas psicológicas, emocionais, comportamentais. Já ouvi de alguns psicólogos que percebem um comportamento recorrente nas pessoas que nasceram de cesárea: uma dificuldade de tomar decisões; começam coisas e nunca terminam...

Quem não luta para nascer, não luta para viver?

Desde a década de 70 a cesariana sofreu um boom. A ponto de mudar o paradigma do nascimento, a visão das pessoas sobre o ato natural de parir. Houve uma interferência enorme nos processos de parto e a cesariana passou a ser eleita por muitas mulheres e se tornou prática diária para muitos médicos. Chegamos então a 56,7% das crianças nascendo de cesárea em 2013.

Escolha das mulheres? Comodidade para os médicos? Uma enorme falta de informação.

 O governo federal tem cumprido sua parte com a criação da Rede Cegonha, um programa implantado em todo o Brasil e que se propõe a mudar o modelo de assistência. Passar de uma medicina mecânica, medicamentosa, intervencionista para a simplificação dos processos do parto, o retorno à fisiologia natural  da mulher. 

Como jornalista do Hospital Sofia Feldman entrevisto profissionais de todos os estados brasileiros. Eles passam ali - gestores e profissionais de saúde, arquitetos - para ver, na prática, como é atender em um modelo de assistência humanizada. A Rede Cegonha chega com custeio para as maternidades, reforma da ambiência interna (recomenda quartos com banheira para parto na água, com a bola de Pilates, bancos para parto de cócoras etc.) e, ainda, capacita os profissionais. 

Por isso, vejo que num trabalho de formiguinha as coisas começam a mudar. Os médicos mais velhos são os mais resistentes. Mas mesmo assim estão começando a adotar outras posturas. Um deles - do Norte do Brasil -  me disse: o mais difícil para mim foi colocar aquele menino melento em cima da mãe...Passou a garantir o pele a pele entre mãe e bebê logo após o nascimento. O outro, lá do Nordeste garantiu: cortar eu não corto mais. Ele não faz mais episiotomia. 

Boca no trombone!

Mesmo assim, os índices de cesariana não abaixam. É preciso uma enorme boca no trombone. A ong Bem Nascer faz esse papel. De informar as mulheres e a sociedade sobre as boas práticas no parto, sobre as evidências científicas, os métodos não farmacológicos de alívio à dor. Mostra à mulher que ela tem uma força interna, ela pode se empoderar na vivência do seu parto. Procura mudar o cenário participando das audiências públicas na Assembleia de Minas Gerais, da Comissão Perinatal da Secretaria Municipal de Saúde, do Movimento BH pelo Parto Normal. E oferece as rodas de conversa - RODAS BEM NASCER - realizadas quinzenalmente nos Parques Municipal e das Mangabeiras, em Belo Horizonte.

Amamentem!Amem!

Para as mães, que passaram pelas milhares de cesarianas que não foram escolhidas por elas, mas pelos profissionais que a assistiram, aquelas que choram as cesáreas, as que dizem sentir que não pariram, acolham muito seus filhos na amamentação. A ocitocina que pode ter faltado numa cesárea sem hormônios, chega com o aleitamento. O vínculo pode ser feito.O amor, o acolhimento podem amenizar as possíveis consequências. Ame muito, o amor cura as dores de ambos.

 O mestre Tomio Kikushi, introdutor da Macrobiótica no Brasil, chama a cesárea de horrorism e disse que podem ocorrer problemas mais tarde nas crianças e mulheres. Em uma entrevista que concedeu ao Jornal Bem Nascer falou sobre os bebês, ele diz que "elas não nasceram, foram retiradas". Foi negada a elas o direito de nascer conforme a sua natureza!

A questão é grave e diz respeito à ecologia do ser humano. Imagine só mais da metade dos brasileirinhos e brasileirinhas nascidas no ano passado podem ter dificuldades de se lançar, apresentar problemas pulmonares, começar projetos e não concluir...Não lutaram para nascer e podem não lutar para viver, na tede Otto Rank.



Vamos refletir sobre tudo isto? 

Cleise Soares

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