12 de setembro de 2011

CESÁREA ELETIVA COLOCA MAIS A VIDA DO BEBÊ EM RISCO.

O risco de agendar um parto cesárea sem necessidade

Novo estudo mostra que o risco de morte do bebê que nasce antes de 39
semanas é maior do que aqueles que chegam ao fim da gestação. Confira

Ana Paula Pontes e Malu Echeverria

Cada vez mais os estudos confirmam e alertam o quanto adiantar o parto
sem necessidade, mesmo que em poucas semanas, traz riscos para o bebê.
Um deles, publicado este mês na revista científica Obstetrics &
Gynecology, revelou que antes de 39 semanas há risco de morte para a
criança.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas da March of Dimes
Foundation, uma organização não governamental que encabeça campanhas
nos Estados Unidos para evitar nascimentos prematuros, analisaram mais
de 46 milhões de nascimentos, usando dados do National Center for
Health Statistics U.S. O resultado revelou que a taxa de mortalidade
infantil era de 1.9 para cada 1.000 bebês nascidos na 40a semana de
gestação e subia para 3.9 para aqueles nascidos pouco antes, na 37a
semana.

De acordo com Antônio Júlio de Sales Barbosa, ginecologista e obstetra
do Hospital Santa Catarina (SP), a pesquisa apenas reforça o que já é
sabido entre os obstetras. "São considerados prematuros bebês que
nascem com menos de 37 semanas. Mas isso não quer dizer que aquele que
chegou até a 37a já possa nascer. Não é bem assim. Eles ainda têm um
pequeno cumprimento de maturidade pulmonar a ser vencido – o que
acontece entre a 38a ou 39a semana", diz.

E o especialista reforça, ainda, que, mesmo na 38a semana, as cesáreas
eletivas (agendadas sem necessidade) podem trazer surpresas, ao
acarretar em complicações para os bebês, como infecções respiratórias,
febre, alteração na temperatura. "Parece que uma semana é pouco, mas
para o bebê na barriga é muito", afirma Júlio.

Sobre problemas respiratórios, aliás, cientistas da Universidade de
Illinois, nos Estados Unidos, já haviam mostrado como o risco de
complicação acaba sendo maior para quem nasceu antes da hora. Eles
avaliaram mais de 230 mil partos feitos entre 2002 e 2008 em hospitais
dos Estados Unidos. Cerca de 7 mil bebês tiveram de ser internados em
UTIs, sendo que, destes, mais de 2 mil sofreram de problemas
respiratórios. Entre os casos de pneumonia, por exemplo, o problema
caiu de 1,5% entre os que nasceram de até 38 semanas para 0,1% na 39ª
semana.

No Brasil, a maioria dos nascimentos na rede particular ainda é feita
por cesáreas. O maior problema é o crescente número de cesáreas
eletivas, ou seja, quando a cirurgia é agendada antes de a grávida
entrar em trabalho de parto. Um dos riscos envolvidos é a chance de o
médico errar no cálculo gestacional e o bebê nascer prematuro. Com
isso, a criança deixa de ganhar peso e de amadurecer os pulmões, e
ainda corre o risco de precisar ser internada em uma UTI neonatal por
conta da prematuridade. "Muitas cirurgias são feitas sem necessidade,
apenas por comodismo, tanto dos pais da criança, que querem se
organizar melhor, quanto dos médicos, que não precisam desmarcar
consultas para realizar um parto a qualquer momento", diz Alexandre
Pupo Nogueira, ginecologista do Hospital Sírio-Libanês (SP). Nos
Estados Unidos, dados do March of Dimes mostram que 543 mil bebês (1 a
cada 8) nascem prematuramente.

A situação é diferente quando a mãe entra em trabalho de parto e, no
meio do caminho, é preciso realizar uma cesárea. A chance de a criança
ter problemas pulmonares é menor porque, durante o processo, segundo
Pupo, há uma série de transformações que acontecem na criança que a
deixam mais preparada para sobreviver fora do útero. "Não se deve
interferir num processo natural, a não ser em casos específicos em que
há risco de vida para a mãe e o bebê". A data provável dos partos é em
torno de 40 semanas de gestação. E, se mãe e filho estiverem bem, esse
prazo pode se estender até 41 semanas e 6 dias.
Por que o número de cesárea só cresce?

Por falta de informação , incentivo do médico ou até mesmo por medo do
parto normal, as gestantes tendem a acreditar que a cesárea é o tipo
de parto mais seguro. Mas os dados da Organização Mundial da Saúde
(OMS) mostram que é justamente o contrário. Um estudo, que avaliou
mais de 100 mil nascimentos em países asiáticos, mostrou que as
grávidas que passaram por uma cesárea têm mais de sofrer complicações
sérias, que podem levar à morte. Caso a cesárea seja realizada antes
da mulher entrar em trabalho de parto e sem indicação médica, os
riscos são 2.7 vezes maiores do que no parto vaginal, segundo as
estatísticas. Já no caso dos partos cirúrgicos feitos antes do
trabalho de parto, mas com indicação médica, o número cai para 2.1.

Ainda assim, se numa roda de conversa com outras mães, você perguntar
quem teve parto normal, vai perceber que as estatísticas sobre o parto
cesárea no mundo são mesmo alarmantes. Dados do The NHS INformation
Centre, na Inglaterra, por exemplo, mostram que 25% dos partos no
Reino Unido, entre 2008 e 2009, foram cirúrgicos. Já nos Estados
Unidos, em 2005, esse índice já era de 30,2%. No Brasil, os números
são ainda mais assustadores. Somente no SUS, 33,25% dos partos
realizados em 2008 foram cirúrgicos, de acordo com o Ministério da
Saúde, o que representa cerca de 655 mil cesáreas. Todos esses dados
contrariam a recomendação da Organização Mundial de Saúde, que
determina que esse tipo de parto represente somente entre 10% e 15% do
total realizado em um país.

Os benefícios do parto normal

Para o bebê: esse tipo de nascimento é bom porque segue o processo
natural. Ela nasce na hora certa, a não ser nos casos de prematuros.
Existem várias evidências e especulações de que o trabalho de parto
não é meramente uma atitude física de expulsão do bebê, e sim uma
alteração de padrão hormonal em que há liberação de hormônios pela mãe
e bebê que sinalizam que o momento de nascer está chegando. Outro
beneficio é que o tórax do bebê é comprimido ao passar pelo canal de
parto, o que faz com que ele expulse secreções das vias respiratórias,
tornando-o mais adaptado a respirar.

Para a mãe: além do aspecto psicológico, da satisfação da mulher em
poder dar à luz, a recuperação é mais rápida e são menores as chances
de complicações após o procedimento, como sangramentos ou infecções,
por exemplo.

Quando o parto cesárea é realmente necessário?

-->Quando a placenta cobre parcial ou totalmente o colo do útero,
impedindo a saída do bebê, a chamada placenta prévia;

--> Caso a mãe tenha herpes genital com lesão ativa até um mês antes do parto;

--> Em casos raros de doenças cardíacas;

--> Se o bebê está atravessado, mas antes é possível tentar ajudá-lo a
ficar na posição correta;

--> Nos casos em que a gestante tenha aids com varga viral muito alta
ou desconhecida;

--> Quando há descolamento prematuro de placenta;

--> Se a abertura do colo da mãe é pequena para o bebê, algo que
ocorre em menos de 5% dos partos;

--> Nas situações em que o cordão umbilical penetra no canal de parto
antes do bebê;

--> Se há diminuição drástica no fluxo de oxigênio ou nos batimentos
cardíacos, o que ocorre em apenas 1% dos partos.

Fonte: 300 respostas da Crescer sobre gravidez

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