15 de março de 2011

Sobre a Roda Bem Nascer de 12 de Março

Por: Kalu Brum


Simone (Natura), Cleise (Presidente da Ong),
Odete Pregal (enfermeira Obstetra e Associada da ONG).
 Era uma Roda especial como todas as outras. Nesta, havia uma razão para se comemorar. Fomos visitados por Simone, responsável técnica do Projeto Acolher da Natura do qual a ONG Bem Nascer foi uma das instituições pré-finalistas para concorrer a um prêmio em dinheiro, além de outros benefícios. De 1.500 projetos estamos entre os 76 que chegaram a reta final.

A Roda começou às 9h30, no Centro de Educação Ambiental do Parque da Mangabeiras, com uma visualização que gosto muito: abrir o coração e nos conectarmos a partir deste lugar sagrado. Quando as palavras saem do coração elas ganham uma dimensão incrível.


Simone e julia.
 Quem abriu a Roda foi a Enfermeira Obstetra Odete Pregal, abordando a necessidade e o direito de mulheres e bebês a um Parto Respeitoso. Movida pela emoção de quem trabalha de perto lutando contra um sistema para garantir um parto digno para mulheres e seus filhos, Odete derramou lágrimas. Lágrimas de alegria por estarmos juntas nesta linda luta. Lágrimas de tristeza por presenciarmos, ainda tantas vezes, o desrespeito por este momento precioso que é nascer.

Simone e Junior
Seguindo o molde das Rodas do Mangabeiras, os relatos de Parto seguiram com de Simone que nos contou sobre seu parto quiabo: um domiciliar não planejado que pela segurança e preparo emocional e de informações desta participante, terminou em domiciliar desassistido, bem assistido pelo emocionado esposo Junior. Seu relato na Roda, regado a lágrimas, foi uma emoção a parte: "Ela estava tão segura, tão poderosa, que sabia que tudo ia dar certo, por isso nossa pequena Júlia nasceu tão bem", contou. Ele também reforçou como o chá de bênçãos foi importante para que o casal tivesse confiança nos processos e ainda recebessem orientação, caso fosse um parto a jato, como aconteceu.

Carol Souza e Maia
Carol Souza seguiu com o relato de seus dois partos: Luna, há 4 anos (parto normal hospitalar) e Maia (parto domiciliar), que naquele dia completava 5 meses. Carol reforçou sobre a importância de fazer a escolha certa desde a primeira vez: "A gente supera o que fizeram conosco. Mas é difícil saber que fomos responsáveis pela recepção tão agressiva que nossos bebês sofreram". Entre lágrimas, Carol reforçou a importância de planejarmos o parto e a recepção ao bebê, da maneira mais pacífica e amorosa possível, sem intervenções e separações.

Simone, da Natura, que teve sua cesárea, perguntou como acolhíamos as cesáreas de quem se preparou para um Parto Natural. Polly relatou sobre a cesárea desnecessária de Mayara e a cesárea consciente e bem indicada de Kyara, mostrando que a história pode ter finais semelhantes mas processos tão diferentes que nos transformam em mulheres mais fortes e preparadas.

Pedi a palavra para contar como foi meu parto, escolha por parir aqui nestes belos horizontes, agora fazem um sentido profundo para minha vida, como voluntária da ONG, como doula. Ter chegado até onde chegamos é um estímulo a mais para que tenhamos a real importância de nosso trabalho.

Patrícia e Miyuki
Simone teve que sair 11h, para pegar o avião rumo a um novo projeto. A Roda continuou com depoimentos emocionantes, como o de Patrícia da Miyuki e muitas outras que infelizmente não pude ouvir como gostaria. A Enfermeira Obstetra Míriam Rego tirou dúvidas de gestantes. Tivemos ainda a presença da enfermeira Nelci Müller, abordada por gestantes para tirar dúvidas.

Nelci (EO) e Maia
Banners produzidos pela ONG e camisetas oficiais mostraram a força do nosso movimento.

Míriam (EO)
Força para quem estava de fora e ainda mais para quem está aqui dentro. Me lembrou a história de uma menininha muito pobre que ganhou lindos sapatinhos de verniz. A mãe ficou com vergonha de suas roupas surradas, que não honravam aquele sapatinho e batalhou para fazer roupas novas. Lavou os cabelos e a pele da garotinha. A menina parecia uma princesa e não combinava com aquela casa suja e caindo aos pedaços. Reuniu-se com amigos e fez uma limpeza e reforma naquela casa. Os vizinhos achavam que suas casas ficaram feias, comparadas com a casa reformada da menininha. E assim, quando se deram conta, toda a cidade estava nova. E tudo começou com um lindo sapato de verniz.

Que estarmos entre os 76 de 1500 projetos de todo Brasil mostra a nossa importância, a força de nosso trabalho. E através de cada história, cada lágrima, temos a certeza de que o caminho é de acolher, empoderar, informar a todas as mulheres que pudermos.

Cada mulher faz parte desta história.

Veja mais fotos desta Roda aqui em nosso álbum oficial.

3 comentários:

Vívian, Eric e Theo disse...

Foi ótimo realmente. Estar presente e ouvir todos os relatos contados me faz agradecer sempre a oportunidade que tive de ser mãe e vivenciar a materinidade e o parto em sua plenitude. Obrigada a todas.

Clara disse...

A Roda, como todas as rodas, foi maravilhosa. Acho que deve ser impossível conhecer a ONG e assistir às rodas sem se transformar, como flor que se abre para a maternidade.

Um abraço a todas.

sarah disse...

Essa roda do dia 12/03 era o que faltava pra que eu pudesse acreditar em mim, para que eu assumisse a responsabilidade pelas minhas escolhas. Não estou sozinha nessa caminhada. Amei conhecer mulheres tão á frente de seu tempo, tão comprometidas com o feminino. Beijo especial para Kalu, Helena,Polly, que enfim conheci pessoalmente e à Isabel, que já conhecia. E à todas as mães empoderadas com quem conversei.