7 de abril de 2009

Sobre parto em casa


por: Cleise Soares- presidente da ONG Bem Nascer

Minha mãe, nos anos 50, teve alguns filhos em casa, assistida por um médico de alma, Dr. Luís Introcaso Neto. Vale aqui o nome completo. Naquele tempo, médico era para atender todos os tipos de doença e também atendia partos. Ele era daqueles médicos que só de olhar, diagnosticava, não precisava de toneladas de raios X como os médicos de hoje.

E não cobrava as consultas, vivia do escambo, das retribuições que a cidade lhe fazia. Assim ganhou carro e casa, pencas de banana e dúzias de ovos. Quando a mulher chegava pedindo algum dinheiro, ele dizia: abre a gaveta, está cheia de Deus lhe pague! As doulas eram a mãe, as tias, as vizinhas mais amigas. Crianças e marido ficavam longe. Mamãe se enfiava no quarto, quando abria a porta a nossos olhos, havia um menino, um novo recém nascido. Ela teve sete filhos.

Muitas mulheres da cidade de Carmo do Rio Claro de então, tiveram seus filhos com parteiras. Todas se cercavam de orações de proteção. Minha avó Beatriz era mensageira de fé e levava para todas as gestantes da cidade o quadro da Nossa Senhora do Bom Parto, uma faixa para amarrar na cintura e as pílulas do Frei Galvão.

Agora, começamos beber das fontes. Para muitos, voltar à ancestralidade é andar para trás. Não concordamos. A mulher perdeu tanto o seu contato com seu corpo, com sua feminilidade natural, que precisa sim beber de fontes antigas, onde a ecologia do ser ainda estava preservada. O maior ser que a humanidade já conheceu – Jesus Cristo – nasceu na simplicidade de uma manjedoura, entre animais. Está no simples o segredo da vida.

Hoje se tem a oportunidade de ter parto em casa com todo amparo da medicina e sem perder a companhia das mulheres, que sempre estiveram presentes no parto, uma ao lado da outra em todos os tempos.
Agora, as parteiras são gabaritadas, são acadêmicas e as que fazem partos em casa estão amparadas por um hospital – onde deixam ambulâncias de prontidão – elas levam aparelhos de oxigênio e se cercam de todos os cuidados. São formadas para isto, Parteiras preparadas. Elas sempre vão em duas.

Mas muitas vezes – como foi o caso da Kalu (com a Sibylle Campos) e a Alessandra Meira (com Mirian Rego) os partos foram tão tranqüilos que elas chegaram a tempo apenas de pegar os meninos. Esse tema PARTO DOMICILIAR – recado para as companheiras que vão viajar na semana santa – voltará outras vezes às Rodas Bem Nascer.