7 de abril de 2009

Por que escolhi um Parto Domiciliar?

Por: Kalu Brum - participante da ONG Bem Nascer

(publicado originalmente no site Mamíferas)

Quando engravidei achava que lugar de nascer era em hospital. Afinal, ainda tinha aquela idéia de que parto era coisa perigosa e que precisaria dos recursos médicos e dos super heróis para salvar meu filho da vagina assassina...rs

Depois descobri que o parto era um ato fisiológico e sagrado, de tamanhha importância para uma mulher que uma idosa pode não saber o nome de seus neto, mas se lembrará com detalhes do nascimento de cada filho.

O passo seguinte foi saber como poderia ter um parto hospitalar dentro das diretrizes da humanização: sem episiotomia, sem raspagem de pêlos, sem ocitocina (sorinho), sem anestesia, ter o direito de caminhar e comer durante o parto, parir na posição que meu corpo quisesse, ao som da música que escolhesse.

Descobri que teria que dar um chute no meu obstetra, contratar um humanizado (fora do plano).Ah, eu não queria que meu filho fosse separado de mim um segundo sequer. Não queria que pingassem colírio, dessem injeção de vitamina K ou qualquer coisa. Gostaria que o cordão fosse cortado pelo pai, depois que parasse de pulsar. Então, soube que teria que contratar também um neonatologista humanizado e uma doula, para garantir que minhas vontades fossem cumpridas e me ajudar a ter forças, além de auxiliar no alívio das dores.Sendo assim os anos e anos que paguei de plano de saúde de nada serviriam porque teria que pagar tudo por fora.

Foi quando descobri que havia um hospital público em Belo Horizonte chamado Sofia Feldman, que tem uma linda Casa de Parto e um hospital dentro de diretrizes da humanização. Fui conhecer as enfermeiras que lá trabalhavam. Elas me disseram:- Você é uma gestante de baixo risco (bebê cefálico, tamanho normal, sem pressão alta, diabetes). Possui muito conhecimento, não deseja recorrer a analgesia. Por que não em casa?

Eu nunca tinha pensado nisso. Nossa, um parto como aqueles do livro Parto Ativo! Elas me explicaram que era importante ter um plno B e um plano C. No nosso caso o plano A era ter um parto em casa, com a presença de 2 enfermeiras. O plano B era seguir para o Hospital Sofia Feldman, que fica bastante afastado de minha casa (45 minutos), no caso de uma complicação como sangramento, queda de batimentos do bebê ou estagnação do Trabalho de Parto. A opção C era seguir para um hospital ao lado de casa (15 minutos) no caso de uma emergência. Haveria uma ambulância de sobreaviso.

Então, o Parto Domiciliar era a opção no caso de TUDO andar dentro da normalidade. Fiquei na dúvida se gostaria de ter ou não uma Doula. Achei que 3 mulheres durante meu parto seria demais. Decidido isso tive que comprar: um plaático e alcool absoluto. Só!Precisaria de toalhas (as minhas), lençóis (os meus). O resto as enfermeiras trariam. Além de tesoura, agulha e linha para caso de suturas, um balão de oxigênio. Uma perinha para sucção da boca e nariz do bebê.

Nos concentramos em pensar na música do parto, no local do parto, que a príncípio seria em nossa banheira.No fim quase tive um parto sem assistência. Apenas uma enfermeira chegou a tempo de segurar o bebê já coroado. Não consegui encher a banheira, mas hoje sei que a água deve ser usada para alívio da dor e não necessariamente ser o meio do parto. A música que escolhi meu marido lembrou de ligar. O cordão foi cortado depois que parou de pulsar, pelo pai. E todos os meus desejos realizados.

No Parto Dominiliar assumimos todas as responsabilidades por nossoas escolhas e é uma delícia depois de parir comer daquela comida com seu tempero, deitar na sua cama, ao lado de quem você ama e daquele pequeno ser, perfeito e cheio de saúde. Em casa podemos sentir todas as sensações intensas do parto, sabendo que não dá para voltar atrás. É abençoado, absolutamente sexual, privado e idiossincrático.