14 de novembro de 2007

CASA DE PARTO DE JUIZ DE FORA

MANIFESTO EM DEFESA DA CASA DE PARTO DE JUIZ DE FORA

No começo da humanidade, o parto era um acontecimento familiar e social, ocorria em casa e a mulher era assistida pela vizinhança, parentes e parteiras que a apoiavam na dor e na celebração da chegada de um novo ser.

Com o passar dos anos, o parto passou a acontecer dentro dos hospitais, mas a ciência vem mostrando, através do movimento conhecido como “medicina baseada em evidência” que intervenções como a cesariana, quando não necessárias podem fazer mais mal do que bem.
Em nosso país, a cesariana tem sido realizada excessivamente e muitas vezes tem sido passado para as mulheres que esta é a melhor (mais rápida, com menos dor) e a mais segura maneira para elas darem a luz. No entanto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a taxa de cesáreas esteja próximo de 15%. Como toda cirurgia ela deve ter indicações precisas, pois já se sabe que valores maiores que estes são prejudiciais para as mães e bebês. No Brasil, em 2005, esta taxa chegou a 43%, quase 3 vezes maior que o recomendado. Em Juiz de Fora, neste mesmo ano, atingiu 52%, ou seja, mais da metade das mulheres tiveram seus filhos através de uma cesárea.

Preocupados com esta situação, reflexo de uma tendência mundial, existe um crescente movimento dentro das sociedades e dos próprios governos, no sentido de mudar as práticas hospitalares no parto normal, resgatando-se valores humanistas e de respeito às mulheres em um momento tão importante da vida.

Assim, “parto humanizado” é a expressão usada para aqueles partos em que a mulher é respeitada em seus direitos básicos, como por exemplo, ter um acompanhante de sua escolha, poder movimentar-se e escolher a melhor posição para parir seus filhos, concentrar-se para fazer força de acordo com o ritmo do seu corpo, poder tomar líquidos ou comer alimentos leves. Entre estes direitos a mulher deve também receber palavras de encorajamento e apoio e ser poupada de intervenções, se desnecessárias, como soro para apressar o trabalho de parto e ser cortada embaixo (fazer episiotomia ).

Com esta filosofia, o Ministério da Saúde apoiou a construção de Centros de Parto Normal (semelhantes às Casa de Parto), como o de Juiz de Fora, inaugurado em
dezembro de 2001. Com um ambiente aconchegante, diferente do hospitalar, mas com todo equipamento necessário e profissionais capacitados para atender os partos normais, neste centros, as mulheres podem ter seus filhos dentro de limites cientificamente estabelecidos de segurança, mas mais à vontade, vivenciando a experiência do parto com mais satisfação e como um momento também de celebração para ela e sua família.

A Casa de Parto de Juiz de Fora, apesar de ter realizado nos seus mais de 5 anos de existência um trabalho sério, competente, seguro e com excelentes resultados nos mais de 700 partos que assistiu, está impedida de realizar a sua principal atividade desde 27 de agosto de 2007, não podendo assim garantir às mulheres e suas famílias o seu direito de escolher ter o seu filho em um Centro de Parto Normal.

Por isto, conclamamos a população que nos apóie nesta luta, reivindicando junto conosco a garantia do seu direito, mostrando ao Brasil que esta é uma cidade que preserva as suas grandes conquistas!

PARTICIPE DESTA AÇÃO EM FAVOR DA VIDA.
http://www.dendimim.com.br/humanizacaodoparto/