21 de outubro de 2007

De volta ao parto natural

De volta ao parto natural

É cada vez maior o número de médicos, especialistas e mães que buscam um procedimento mais humanizado para diminuir impacto do nascimento sobre o bebê

A forma como as pessoas vêm ao mundo pode influenciar na formação da personalidade e do comportamento. Por isso, já existe gente preocupada em humanizar esse momento, a fim de transformar o parto em um procedimento mais natural e diminuir o impacto sobre o bebê. Alguns médicos, com o apoio de organizações não-governamentais, se empenham em levar esse tipo de informação ao maior número de mulheres.

De acordo com o obstetra Marco Aurélio Valadares, a humanização do parto torna a relação entre a mãe e o bebê mais intensa. "Implica, inclusive, em mudanças no ambiente onde a criança vai nascer. Tentamos manter o contato entre mãe e filho logo após o nascimento. Isso aumenta a estimulação da lactação e firma o vínculo emocional entre eles."

Marco Aurélio afirma que, no Brasil, cerca de 40% dos partos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são feitos via cesarianas. "Esse é um procedimento cirúrgico que deve ser usado em último caso. Por uma série de implicações sociais e culturais, associadas a uma visão muito técnica, a medicina adotou a cesárea." No entanto, desde quando o obstetra francês Federic Lebourie propôs que a criança chegasse ao mundo de forma mais tranqüila, algumas pessoas têm se empenhado para evitar esse tipo de parto. "Antes, considerava-se que o bebê não tinha percepções. Foi esse obstetra quem defendeu que um parto tranqüilo resultaria em uma criança mais calma", afirma Marco Aurélio.

Em Belo Horizonte, na maioria das maternidades particulares, não há um ambiente propício para se fazer o parto mais humanizado. "Na hora do nascimento, procuramos criar um ambiente com música, usando banheira inflável, porque a água facilita o trabalho de parto e relaxa a mãe. Buscamos um espaço mais informal, com a participação do marido ou da família com respeito à mulher e à criança."

Preparação física e psicológica

Foi há cinco anos que a instrutora de ioga Cleise Soares fundou a organização não-governamental (ONG) Bem Nascer pelo Parto Humanizado. "Começamos com um projeto que, atualmente, é oficial", explica. O objetivo da entidade é informar a população sobre os benefícios do parto natural, que é menos intervencionista. "A diferença desse procedimento para o parto normal é que não se usa soro para estimular as contrações, não é feita a lavagem intestinal nem a episitomia (corte vaginal para aumentar o canal do parto)", ressalta Cleise.

Em contrapartida, a mulher aprende a usar mais a respiração, pelo contato com a água e a ter uma atitude interna de permissão do trabalho de parto. O foco do parto humanizado é voltado para a tranqüilidade e o relaxamento, essenciais para evitar a dor das contrações. "Queremos mostrar às mães que elas têm o direito de perguntar aos médicos o que será feito no momento em que ela for ter seu filho. É uma negociação para que ela possa ser ouvida nos seus direitos e anseios", afirma Cleise, que prepara os casais que estão esperando um bebê. "Preparo o corpo da mulher para suportar o parto, ensino as técnicas de respiração e oriento o marido a massagear e ajudar a mulher", esclarece.

Uma vez por mês, os integrantes da ONG Bem Nascer promovem a Roda Bem Nascer. O evento, do qual todas as pessoas podem participar, baseia-se em depoimentos das mães que compartilham com as gestantes suas experiências. Conta ainda com harmonização por meio de exercícios de ioga e exibição de filmes sobre o parto natural.

Desde quando ficou grávida do primeiro filho, Alessandra Meira de Oliveira, de 38 anos, decidiu que seu parto seria humanizado. Ela se preparou física e psicologicamente para ter o bebê de forma bem natural. "Ele nasceu no hospital, de forma humanizada", diz.

Foi na gravidez do segundo bebê que ela resolveu fazer o parto em casa. "Apesar de todos os alertas sobre os riscos, fiz uma escolha consciente. Preparei tudo para que, no momento do nascimento, se acontecesse algum problema, houvesse uma equipe para nos levar para o hospital", afirma.
Alessandra sabia da data provável do parto, mas não tinha certeza. "No dia 15 de março deste ano, acordei às 23h com contrações, mas estavam espaçadas. Levantei, organizei algumas coisas pela casa e dormi novamente. Senti apenas medo de não reconhecer o momento em que entrasse em trabalho de parto", lembra.

Às 3h, ela começou a sentir as contrações de cinco em cinco minutos. "Acordei meu marido e liguei para a Mirian, a profissional que me daria suporte. Ela disse que pegaria o material no hospital e viria para minha casa." Ela explica que não estava sentindo cólicas, apenas um incômodo. "Até que senti uma dor intensa, tive sangramento e perdi o tampão." Foi nesse momento que ela começou a trabalhar a respiração, entrou no banho e passou a cantar mantras de ioga para relaxar.

Pouco depois, enquanto recebia a massagem do marido, ela percebeu que o bebê ia nascer. "Dei um grito instintivo e o Breno nasceu, antes mesmo da Mirian chegar. Foi um momento mágico e o André, hoje com 3 anos, foi quem cortou o cordão umbilical enquanto o bebê amamentava."

Ela afirma que tudo aconteceu da forma planejada. "Meu filho nasceu com 3,4 quilos e é uma criança tranqüila e saudável. Quando conto às pessoas elas acham extraordinário, o que para mim é natural. Mas, antes, não disse a ninguém que tinha planejado tê-lo em casa. Contei, apenas, com o apoio do meu marido e busquei orientação de profissionais que respeitaram minha escolha e me orientaram na parte técnica."

Fonte: Estado de Minas, 26/09/2005

Um comentário:

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