21 de outubro de 2007

Cesariana

Cesariana: quem é o responsável pelas altas taxas no Brasil? - 12/01/2007

A primeira cesárea realizada com sucesso ocorreu em 1500, quando Jacobo Nuffer, um castrador de porcos na Suíça, ao ver que as forças de sua esposa se esvaíam após um prolongado trabalho de parto, que não se resolvia mesmo com a ajuda de todas as parteiras dos arredores, abriu-lhe o ventre e, posteriormente, o costurou, salvando filho e esposa, que, segundo as referências históricas, ainda teve outros seis partos por via vaginal, e um deles gemelar.

Com o passar dos anos, o modo de fazer a cirurgia mudou. Os médicos conheceram novas técnicas cirúrgicas, de antisepsia e esterilização; surgiu a antibioticoterapia; desenvolveram-se matérias como os fios e instrumentais cirúrgicos. Todos esses avanços tornaram a cesárea um procedimento cirúrgico PERIGOSAMENTE SEGURO!

Hoje, o Brasil é um dos campeões mundiais de cesariana. Na América Latina, está em segundo lugar, atrás do Chile. Em Belo Horizonte, a taxa de cesárea é de 44,67% no geral e atinge 80% nos hospitais privados. Segundo a Health People 2010 do Departamento Americano de Saúde e Serviços Humanos, em todo o mundo está ocorrendo um rápido aumento nos índices de partos cesariana em gestantes de baixo risco. A prática tem méritos, porém, por exemplo, aumenta a taxa de mortalidade infantil nos EUA em 1,5 vezes do que no parto Natural, segundo a National Center for Health Statistics (2006).

De acordo com diretor financeiro da SOGIMIG, Clóvis Bacha, quem está à frente dos consultórios sabe que os médicos não são os únicos responsáveis por estes números. “Temos nossa parcela de culpa quando não nos preparamos adequadamente para dar assistência a partos vaginais complicados, quando tememos de forma irracional os processos médicos, quando não nos colocamos disponíveis para darmos assistência a um parto vaginal prolongado, quando nos negamos a trabalhar em equipe e privamos pelo individualismo, e quando por qualquer motivo deixamos de fazer o parto que, temos consciência, seria o melhor para a paciente”, admite.

Segundo a conclusão do Simpósio sobre Cesariana em Campinas, realizado em 2002, o aumento da incidência de cesariana demonstra um despreparo profissional para o atendimento ao parto vaginal, assim como, uma maior comodidade e segurança do obstetra, como a rapidez e o planejamento do procedimento que não interfiram nos outros afazeres do profissional. Para o vice-presidente da Regional Sul da SOGIMIG, Renato Ajeje, o parto vaginal tem muitas vantagens que devem ser analisadas no momento da escolha da via de parto. “O parto normal tem um menor custo, menor taxa de complicações, menor morbi-mortalidade materna e perinatal, é mais fisiológico, tem menor taxa de infecção e, portanto, é muito mais seguro para a gestante/puérpera e o seu recémnascido”, incentiva.

Além disso, “o serviço de saúde que não fornece analgesia intraparto e fácil acesso a Salpingotripsia Bilateral (STB) no puerpério também é responsável pelo excesso de cesarianas, juntamente com a sociedade que não remunera adequadamente o acompanhamento do trabalho de parto, que não diferencia fatalidade de erro médico, que, devido à criminalidade crescente dificulta o deslocamento do médico durante o período noturno, que promove um culto à cesárea, aos pontos negativos da gestação e do parto vaginal”, alerta dr. Clóvis Bacha. Ele ainda responsabiliza os familiares ansiosos que pressionam o médico pelo término da gestação e do trabalho de parto e a gestante que não dá crédito suficiente ao seu médico e sim para as “amigas” que lhe aumentam o temor pela dor, pelo acometimento da musculatura perineal ou do concepto.

“Cabe a nós médicos modificar esta realidade, orientar e rediscutir os conceitos existentes, exigindo melhor remuneração e condições de trabalho e, principalmente, dando o melhor parto para a paciente, baseando nossa decisão em evidências e não em nossos temores e necessidades, tornando a cesárea não a nossa primeira opção e sim uma ótima opção para quando a tentativa de parto normal não deu certo”, estimula dr. Clóvis Bacha.

fonte: http://www.sogimig.org.br/novidades/integra.php?id=22

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