22 de outubro de 2007

Cesariana acima do normal

Cesariana acima do normal
Especialistas discutem o grande número de partos cirúrgicos em hospitais de Belo Horizonte. Já superaram o mínimo aceitável pela OMS, com risco para mães e bebês
Camilo Júnior *

Beto Magalhães/EM


A médica Sônia Lansky (D) incentiva e apóia os casais que fazem opção pelo método natural
Segundo o movimento BH pelo Parto Normal, coordenado pela Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com associações e entidades não governamentais, o número de cesarianas nos hospitais particulares da capital é um dos mais altos do Brasil. Há hospitais com até 96% de partos por cirurgia. O máximo aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 15%, considerando todos os riscos naturais da gravidez.
A médica Sônia Lansky, coordenadora do movimento, afirma que os hospitais não têm como explicar índices tão altos, o que indica que as informações prestadas ao Ministério da Saúde não estejam corretas. Há suspeita de que motivos falsos estejam sendo usados por médicos e hospitais para justificar a realização de cesarianas desnecessárias. A aceleração nos nascimentos já causou uma epidemia de pré-maturidade nos hospitais. O número de nascidos com menos de 37 semanas de gestação aumentou em mais de 70% entre 1994 e 2005, elevando também o número de bebês com peso inferior a 2,5kg, mínimo aceitável pela OMS.

Entre os hospitais credenciados pelo SUS, o índice de partos por cesarianas é menor (48,5%), mas ainda assim é três vezes maior que o recomendável. O melhor resultado na rede pública é do Hospital Sophia Feldman, no Bairro Tupi, na Região Norte da capital. Com a implantação de uma política de valorização do parto normal e a criação de instalações adequadas ao atendimento às gestantes, o hospital chegou ao índice de 23,4% nos partos por cirurgia.

O ginecologista João Batista Lima, coordenador do Programa de Assistência à Mulher, acredita que é possível diminuir as cesarianas para 20%. O grande feito do Sophia Feldman serve de exemplo aos outros hospitais públicos e privados da capital, que ainda não entenderam o problema como sendo de saúde pública. A médica Sílvia Catarina, presidente da ONG Musa – Centro de Saúde da Mulher, afirma que está provado que se investisse na saúde básica, privilegiando o parto natural, o governo iria reduzir gradualmente os gastos com as UTIs neonatais. No mesmo raciocínio, Sônia Lansky diz que a cesariana representa sete vezes mais risco de morte para a mãe e duas vezes mais para o bebê. Segundo a médica, a criança prematura tem mais problemas respiratórios e no sistema nervoso. Além disso, mãe e filho são privados do primeiro contato logo após o nascimento, por causa das internações.

Na área do direito, o advogado Antônio Carlos Teodoro acha que o ato de tirar uma criança do útero antes da hora deve ser tratado na esfera judicial. Já os planos de saúde começaram a investir em novas formas de remuneração dos médicos, com o objetivo de incentivar os partos normais.

*Da TV Alterosa


Saiba mais sobre cesariana e os personagens desta reportagem no Jornal da Alterosa, às 12h50. Veja outros dados sobre o assunto no Portal UAI: www.uai.com.br

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