28 de outubro de 2007

Casa de Parto


[28.1.06 8:25 PM ALESSANDRA GODINHO]

"Parto Natural" em Casa de Parto Independente assistido por Parteiras e Doula 12 de julho de 2001 Dallas, Texas, EUA.


Sou brasileira naturalizada americana e morava nos Estados Unidos durante o nascimento de minha filha. Eu escolhi um "parto natural" em uma casa de parto, pois teria a possibilidade de realizar o parto na água. Durante a gravidez fiz ioga, participei de um curso de parto natural (O Método Bradley) e fui acompanhada por uma doula muito especial. Tive a sorte de encontrar uma enfermeira-obstetra inglesa que tem uma filosofia profissional baseada em respeito, liberdade e dignidade.


Terça-feira Tive muitas contrações durante o fim de semana e um "alarme falso" segunda-feira. Consultei a parteira e fiquei desanimada em saber que o bebê (não sabíamos o sexo) estava posterior (com a coluna na minha coluna). Em outras palavras, meu parto seria irregular, demorado e a dor na coluna ficaria mais acentuada. Então fui fazer uma massagem para me relaxar. Quando cheguei em casa passei horas "de quatro" tentando incentivar o bebê a girar para uma posição mais favorável.


Quarta-feira 3:00 Estava me esforçando para dormir, mas as contrações me acordam a cada 15-20 minutos. Finalmente eu consegui ignorar as contrações e pude dormir. 10:00 Acordei faminta e cansada. As contrações continuaram, e foram ficando cada vez mais freqüentes (3-5 minutos). Liguei para a parteira e a doula para avisar que já estava no começo do trabalho de parto. Minha mãe me levou ao Quiroprata para "ajustar a minha coluna". Fiquei relaxada e tranqüila, cheguei em casa e dormi profundamente. 22:00 As contrações me acordaram, apertando o meu cóccix. Falei com meu marido e minha mãe para irem descansar porque eu provavelmente iria acordá-los em algumas horas para irmos à casa de parto. Comi, tomei um banho demorado e fiquei curtindo as sensações do parto. Eu continuei ativa, ficando "de quatro", dançando, caminhando ou me apoiando no sofá. Existe uma certa serenidade em estar sozinha, especialmente durante o parto. Um momento espiritual, só eu, o meu bebe e Deus. Senti-me forte, abençoada e conectada a tudo.


Quinta-feira, 12 de julho. 1:30 Decidi ligar para minha doula, Dani. Meus joelhos já ardiam de tanto ficar de quatro e nada do bebê girar. A sensação era toda no meu cóccix. 3:00 Dani chegou e sugeriu que eu colocasse o pé em cima do vazo durante a contração. (para abrir o quadril, dando mais espaço para o bebê girar). A primeira tentativa doeu tanto que soltei um belo grito. Então ela sugeriu tentar com a outra perna. E em uma rápida cambalhota o bebê virou dentro de mim. Que sensação maravilhosa, que coisa estranha, que alívio! 5:00 Eu estava me sentindo irritada e sabia que era hora de ir para a casa de parto. Ligamos para a parteira e acordamos meu marido e a minha mãe. 5:30 Fiquei completamente sem paciência para esperar mais um segundo e falei com Dani "Eu tenho que ir AGORA". 5:35 Dani me levou a casa de parto enquanto meu marido e minha mãe decidem limpar a casa! (Eu pensei que era a grávida que sentia esse instinto!) 6:15 Chegamos na casa de parto. A parteira conversou comigo e checou a minha dilatação: 7 cm. Fiquei feliz! (Perdi noção do tempo) A aprendiz da minha parteira chegou, esse era seu primeiro parto também. Um pouco depois meu marido e minha mãe chegaram. Lembro que entrei na banheira, depois de um tempo sai da banheira e fiz ioga. Eu fiquei mais e mais concentrada nas sensações dentro do meu corpo e parei de comunicar com palavras. Entrei e sai, e entrei na banheira novamente. Continuei com este "ritual de entra e sai" por todo restante do parto. 12:00 As contrações estavam completamente irregulares e quase parando. Uma segunda parteira chegou para ajudar. (Nos Estados Unidos parteiras trabalham em pares durante o parto, uma responsável pela a mãe e a outra pelo bebê). Minha querida tia e minha prima de 13 aninhos também chegaram. As parteiras ficaram preocupadas e sugeriram romper a "bolsa d água" antes que meu corpo ficasse muito cansado. Eu não queria romper a bolsa e pedi mais tempo para decidir o que fazer. 14:00 Depois de 8 horas só dilatei mais 1 cm! 8 cm, Fiquei triste. Dei permissão para a parteira romper a minha "bolsa" e logo estava fazendo força. 14:20 A parteira checou a minha dilatação novamente e estava com 9 cm. Meu corpo fazia força involuntariamente antes de 10 cm e o colo do meu útero (cérvix) começou a inchar. 16:27 Depois de um longo período explosivo dentro da banheira, a cabeça da bebê nasceu e entre uma contração e outra sai da banheira e fiquei de cócoras no chão do banheiro. Mas a força no meu cóccix era muito aguda, fiquei de quatro para aliviar. Ali mesmo dei à luz a minha filhinha, Ananda. Seu corpinho saiu lentamente, seus ombros... Mais uma contração e finalmente todo seu corpo escorregou. Que alivio! Que felicidade! Ela não respirou imediatamente e todos ficaram assustados. As parteiras sugaram o liquido de seus pulmões e administraram oxigênio para ajudá-la respirar. Logo ela ficou bem e nos deitamos na cama para a primeira mamada. 19:00 Já estávamos em nossa caminha, todos exaustos e muito, muito felizes. Fiquei satisfeita com o parto. Tive liberdade o tempo todo. Eu tomei as decisões. Fui para casa sem episiotomia, sem pontos, sem drogas e sem procedimentos desnecessários.
A experiência de dar à luz de um modo fisiológico e em paz foi um momento sagrado em minha vida. O tempo parou, eu me tornei eterna, uma parte do grande círculo da vida. A mulher se tornou mãe. E a menina... Renasceu como um novo ser: minha querida filha.
Em 23 de fevereiro de 2004 nasceu o meu segundo filho querido, de parto natural DOMICILIAR. Eu mesma que fiz o parto apesar de ter a presença de duas enfermeiras obstétricas que cuidaram de mim com muito carinho e respeito.
Alessandra Godinho
Mãe, Doula e Educadora Perinatal

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