22 de maio de 2016

Relato de Bruna Saliba

13 de maio de 2016

Roda ONG Bem Nascer parque Municipal

Dia 14/05/16 - das 14:30 às 17:30, no parque Municipal. Auditório do Orquidário, próximo a Guarda Municipal
Roda para gestantes, tentantes, casais grávidos e todos interessados nas boas práticas do parto-nascimento ligado a evidência científica, segundo OMS.
E, que tal no mês de Maio fazer uma homenagem as mamães de bebês nascidos, às futuras mamães de bebês que vão nascer, as tentantes, enfim festejar a Dança do Nascimento?
Tema - teremos participação da facilitadora da Dança Materna, em BH, Ludmila Yarasu-Kai - 'Arte, música, sensibilidade e conexão. Aspectos corporais, emocionais e de relação. Faço questão de ver tudo contemplado. Carinho e cuidado para mamães e bebês, através da dança'.
Que tal participar de um escalda pés coletivo? Somente para gestantes com idade gestacional acima de 37 semanas. Pedimos quem desejar receber, favor, levar bacia, ervas aromáticas, toalha, meia.
Assim sendo compartilharemos vivência sobre o efeito da dança, sobre a construção do parto-nascimento e, encerraremos com um Chá de Bênçãos.
Email - ONGbemnascerBH@yahoo.com.br

25 de abril de 2016

Roda ONG Bem Nascer Mangabeiras - CEAM




Agora 02 rodas no mesmo dia.
Das 09:30 às 12:30 - roda para gestantes, casais grávidos
Das 14:00 às 15:30 - roda dos bem nascidos

1)Roda para gestantes, casal grávido, acompanhantes.
Venha praticar ioga para casal grávido, preparação para o parto. Respiração, posição, visualização, etc.
Sugerimos virem com roupas confortáveis e trazer um forro para a pratica da ioga.
E, após participar de um bate papo sobre atuação da doula no cenário da parturição - antes, durante e pós parto.
Participação aberta e gratuita. Leve um lanche para compartilhar com o grupo.

2)E, com alegria após a roda para a gestante, enfim NASCE a Roda ONG Bem Nascer Bebês.
Que será às 14:00, no mesmo local.
Surgiu pela demanda de muitos casais que participavam das rodas para preparação do parto-nascimento. E, após os bebês chegarem, além da perda de contato com as famílias, percebemos as dificuldades, a falta de informação com relação ao pós parto e, fizemos uma parceria com Ana Monteiro e Aline Fêlix.
Nossa primeira roda será abordado assuntos ligados ao puerpério.
Cuidar da mãe que nasce após a chegada do bebê, do pai, da
nova família.
Aberta e gratuita a participação.

Email - ONGbemnascerBH@yahoo.com.br


18 de abril de 2016

Relato de parto Jane Rocha

História da construção de um parto natural.
Por Jane Adélia S. Rocha
Nascimento de Victor Silva Rocha
Participação muito especial do Papai Osmar José Rocha
E da Doula Isabel.
Data: Dezesseis de janeiro de 2010.
Local: Belo Horizonte - MG 2

Victor nasceu no sábado, 16/01, às 15:35h, na maternidade Sofia Feldman / BH.
Era um lindo dia de sol, com temperaturas altas e primeira lua cheia de 2010.
É um menino saudável e cheio de vida. Pesou 3,110g e mediu 48cm.
Papai transbordante de alegria participou de tudo e assistiu o nascimento!!! Ele esteve presente em toda a gestação. É um pai ativo, apoia a mamãe e ela conta muito com ele; sua presença foi muito importante para nós.
    Mamãe contou com a presença, apoio, ajuda, palavras amigas e orientadoras da Doula Isabel, uma pessoa que ela escolheu com muito cuidado para participar conosco deste momento. Foi ela também quem cortou o cordão umbilical e depois ainda nos relatou que sentiu grande emoção por esta oportunidade.
     Nasceu em um parto natural, sem anestesias e sem intervenções.
   Chorou com força no primeiro segundo de vida e mamou na primeira hora de vida.
   Apgar 10! Não precisou ser aspirado e em seguida foi para o colinho da família que já o aguardava no horário de visitas da maternidade.
   Recebeu várias visitas logo em seguida ao nascimento: titias, titios, priminho ...
   Mas, como foi o trabalho de parto?!
   Primeiramente gostaria de dizer que as últimas horas do trabalho de parto começaram no sábado pela manhã.
   Mas vamos voltar ao tempo para vocês entenderem como tudo, tudo mesmo aconteceu e como a natureza ágil sabiamente.
   Como tudo começou!
   Mamãe ficou sabendo que estava grávida no dia 01/06/2009. Foi o presente de aniversário dela.
   Ela fez uma histerorsalpingografia para ver o motivo pelo qual eu estava demorando na fila lá do céu, e o exame acabou estimulando as trompas para concepção.
   Após o Beta HCG, ela viu que o sonho havia virado realidade. Mas não foi tão simples assim; antes ela passou por um susto. A médica havia dito que ela não estava grávida e que era para tomar um remédio. Mamãe ficou com medo, sentiu algo diferente e não quis tomar o remédio. Daí, a médica insistiu, chegou até brigar com ela. Então, mamãe pediu para fazer o exame, e olha eu lá.
   Mamãe e papai olhavam para o exame e não acreditavam. Queriam muito que fosse verdade, mas a dúvida sempre rondava. Foram a vários obstetras. Ninguém colocava o exame em dúvida, todos faziam as contas e diziam: "ih, ele vai nascer em janeiro, vou dia 03 estar de férias, então podemos já já agendar a cesariana". Ahahmm???? Cesariana, mas eu nem tenho certeza se estou grávida e vocês já querem agendar uma cesariana. Quero um parto normal, com anestesia e tudo o que tiver direito, mas um parto normal!
   Volto às palavras para a mamãe que ela explica melhor.
   Bom, eu sempre quis ser mãe. Sempre escolhi parto normal. Mas pensava em um parto com médico, cheio de intervenções, com anestesia, em um hospital particular... Era para isto que há tantos anos eu pagava um plano de saúde. Para usar o bloco cirúrgico e tudo o mais que tivesse direito. Pensava que usaríamos o "mineirinho" e que toda família assistiria o parto, com fotos, filmagem e tudo mais.
    Ouvir que era para agendar uma cesariana era um afronto para mim.
   Quando fiz o Beta HCG, eu estava desacreditada e por isso demorei a pegar o resultado.
    Meu marido cobrou o resultado, então fui lá buscar. Peguei como quem já sabia que seria negativo. Abri, li o resultado: 4244,4. Na explicação do resultado dizia: acima de 50,0 positivo. Então pensei: Puxa, quase fiquei grávida.
   Você não está entendendo nada, né? É que na minha cabeça eu coloquei a vírgula no lugar errado e li assim: 42,444 – Logo, não estava acima de 50,0, portanto não estava grávida. Kkkkkkkkkkkkkkkk
   Voltei ao laboratório para alguém me explicar melhor. A recepcionista disse que não poderia interpretar o resultado para mim. Então, uma pessoa que estava lá disse: Eu leio, nossa!!!!!! Tá gravidíiiiiiisiiiima. Já pode comprar o enxoval.
    Saí de lá radiante, mas sem saber o que fazer. Fui trabalhar normalmente, se é que trabalhei normalmente naquele dia. Antes de ir para o trabalho comprei um par de sapatinhos e guardei escondidinho na bolsa.
    A noite coloquei o resultado com o par de sapatinhos em cima da mesa, para que o Osmar visse quando chegasse da faculdade. Ele viu, fingiu que não viu. Depois, antes de deitar perguntou o que era aquilo lá na mesa. Eu respondi: Dá uma olhada lá.
   Ele foi, olhou e pensou igual a mim: Nossa amor, você quase ficou grávida hein?! Rsrsrsrsrsrs
   Expliquei o resultado para ele, falei que havia marcado um obstetra para gente no outro dia pela manhã. Fomos dormir. Se é que dormimos naquela noite. Acho que já foi a primeira de muitas noites "mal" dormidas.
    O obstetra confirmou: Positivo!!! - Viva, viva !!!
    Encurtando a história, foquei no parto normal. Tudo estava bem. Os primeiros exames estavam ótimos. 4
    Daí, fomos a vários Obstetras e percebemos que todos tinham a mesma postura: Cesariana Eletiva. Resolvemos que íamos continuar com aquele que mais nos identificávamos e depois pensaríamos no parto.
   Antes de engravidar eu tinha arritmia cardíaca, nada preocupante, embora eu sempre cuidasse. Então um dos obstetras disse que isto era fator para indicar cesariana. Disse que meu coração poderia não aguentar o esforço que é o trabalho de parto. Fui ao cardiologista, fiz vários exames, e este me afirmou que uma cesariana seria muito mais perigosa no meu caso, me colocaria muito mais em risco por se tratar de uma intervenção cirúrgica. Ufa!!! Que bom, era a resposta que eu queria.
O primeiro Ultra-som.
    Na nossa primeira ultra som, vimos o bebê, perfeitinho, aí que alívio!!! Ele realmente estava lá. A médica estava errada. A natureza sabiamente havia realmente avisado a mamãe. Viva, viva!! Meu bebê havia sido preservado de qualquer desgaste desnecessário. Eu me sentia aliviada em ter seguido meu coração.
  Lembro-me que quando cheguei em casa perguntei ao meu marido: O que você sentiu quando viu o bebê no vídeo da Ultra som? Ele respondeu: Alívio por você estar realmente grávida. Era o mesmo que eu havia sentido. Rsrsrsrsrs ...
   E agora, como eu ia fazer para ter o parto que desejava? Quem iria me ajudar a não ter uma cesariana eletiva?
   Peguei uma revista. Não lembro-me onde e li: Maternidade ativa: mulheres que vivem sua gestação de uma forma ativa e voltada para o parto natural. Op´s! Era o que eu queria.
    Fui ao Google. Escrevi aquela frase. E encontrei: Encontrei o site da Ong Bem Nascer.
   Lá falava das rodas e de todo o trabalho da Ong. Era uma sexta-feira, vi que teria uma roda no outro dia. Resolvi então passar um e-mail verificando se realmente teria a roda. Lembro-me da ansiedade que fiquei pela resposta.
   Logo pensei no Osmar. Será que ele toparia ir comigo? Será que ele participaria?
   Logo Daphne apareceu com a resposta sobre a roda. Fiquei tão feliz. Então a Ong realmente estava ativa e eu via uma luzinha no fim do túnel.
   Não deu para ir no outro dia, tinha que conversa direito com o Osmar e como ele estudava a noite. Não poderia assustá-lo. Prometi que até a próxima eu já teria falado. E assim fiz.
    Fomos em nossa primeira roda no municipal. Lá foi muito bom! Fomos muito bem acolhidos. Nesta data eu já estava participando muito das conversas pela internet. 5
   Bom, lá o Osmar ouviu falar melhor sobre o Sofia Feldman. Acontece que eu também já estava falando de lá com ele e infelizmente sempre aparecia alguém com uma história trágica sobre o Sofia. A irmã dele havia vivido uma experiência ruim no Sofia e em seguida a mãe dele contou uma série de pessoas que tinham algo a reclamar do Sofia.
    Quando o Osmar ouviu falando muito bem do Sofia na roda e viu que ali várias pessoas apoiavam o Sofia, ele me falou: aquela roda é pro-Sofia. Não gostei, não vou lá mais. Se você quiser, você irá sozinha. Não posso te proibir.
    Aí que dor. Justo quem mais me apoiava, com quem eu mais contava, estava contra o movimento que eu acreditava ser bom?! Pensei na mulher sábia que edifica o lar. Pensei no bambu chinês, que se mantém porque é flexível. Pensei em todo o amor e dedicação que o Osmar sempre me disponibilizou.
    Os meses foram passando, a gravidez evoluindo muito bem, as conversas pela internet também. Fui mais uma vez a roda no Municipal e desta vez fui sozinha. Osmar continuava contra o Sofia. Chegou a dizer que se eu fosse ganhar o bebê lá, que eu iria sozinha. Que ele não se responsabilizava pelo que poderia acontecer conosco lá. Mas, estava sempre presente em toda a gestação, e me acompanhava nas consultas do pré-natal.
    Tentava conversar e mostrar muitas coisas para ele. Como ele estava resistente a Ong, não contava que a Ong, ás vezes era a fonte da informação. Eu lia muito sobre parto e ele sempre estava pronto a me ouvir.
    Ouvi a Daphne dizer uma frase que seria muito importante no meu processo: "Parto acontece é entre as duas orelhas, não entre as duas pernas". Lembrei da foto que vi da Daphne após o parto da filha dela. Eu nunca havia visto uma mulher sorrindo daquela forma, após o parto. Maravilhei-me.
   Gente, como percebi que aquela frase era verdadeira. Como a repeti pra mim, inclusive na hora do parto.
    Neste dia ouvi relato de várias mulheres, conheci mais de perto a Isabel e conversei com ela sobre a Santa Casa de BH. Ela foi bem discreta, disse apenas que era doula voluntária na Santa Casa.
    Todos os relatos de parto que ouvi me faziam chorar e, quando lia na internet não era diferente. O Osmar não gostava que eu lesse relatos de parto. Ele desejava me poupar, porque sempre me encontrava aos prantos após a leitura. Grávida fica sensível, né? Eu percebia que o Osmar sofria em me ver chorar e, por isso acabei parando de ler os relatos.
    Fui conhecer o Sofia Feldman. Daphne me acompanhou e falou comigo: Vamos lá, assim você para de pensar com a cabeça dos outros, você terá a sua própria impressão e pode definir se você quer ou não. Eu gostei de lá. Mas ainda era pouco para eu definir, embora já sentisse que era o primeiro passo. Convidei ele para ir lá comigo, a resposta: não. Procurei respeitar a postura dele e me colocar em seu lugar.
   Para envolver ainda mais o Osmar, resolvi fazer o curso sobre aleitamento materno no banco de leite da maternidade Odete Valadares. Fizemos e foi ótimo. Ele participou ativamente.
   Empolguei e resolvi fazer um curso: Oficina para gestantes. Era pago, durava 3 sábados e era voltado para o casal. Osmar bateu o pé e disse que não iria. Disse que eu estava inventando moda de mais. Minha irmã me disse que ele tinha razão. Fui a dois dias do curso. No primeiro, minha mãe me acompanhou, no segundo dia do curso, ela também não quis ir. O curso foi bom, acrescentou-me bastante. Mas lá ouvi de uma pessoa que eu estava me preparando para uma cesariana. Foi muito ruim ouvir isto. Mencionou isso por eu ter falado a ela sobre os medos que me acometiam.
    Ainda não falei aqui, mas tinha medo da dor do parto. Tinha muito medo de morrer no parto. Sim, eu já havia ouvido muitas estórias de mulheres que morreram na hora do parto. O marido delas havia tido que escolher entre a criança ou a mulher. Isto me assustava muito. Osmar ainda completava: fica tranquila, se precisar vou escolher você. Acho que era a forma que ele encontrava de me acalmar.
   Eu pensava: nunca pari, será que vou aguentar?
  O que eu tinha de mais forte na minha cabeça e no meu coração era que Deus estaria sempre no comando. Eu pedia um bebê perfeito e que acontecesse o melhor parto para nós dois. O importante era a gente ficar bem! Mesmo que para isto fosse necessário uma cesariana. Sabe, não pensava em ter um parto natural. Isto para mim era coisa do passado. O que eu queria era ter um parto o mais normal possível, mesmo que para isso fosse necessário algumas intervenções tipo: anestesia, episiotomia ou alguma outra intervenção.
    Um dia até cheguei a escrever na lista de discussão da Ong: "Quero um parto normal, mas não a qualquer custo". Convidei minha mãe para ser minha doula. Ela se prontificou, mas percebi que não estava preparada, que estava exigindo muito dela com este pedido. Então recuei.
    Comecei então a me aproximar da Isabel. A gente conversava muito pelo telefone. Eu me identificava com ela e, além disso, conversei com o Osmar sobre a possibilidade de ter nosso filho na Santa Casa, e isto ele aprovava.
  Fizemos uma visita a Maternidade Santa Fé. Osmar me acompanhou. Nossa foi péssimo. Saímos de lá quase com a cesariana marcada. Fiquei muito triste em ver como as pessoas focam na parte de hotelaria das maternidades. Osmar também ficou muito triste. Foi solidário ao meu sentimento. Ele entendeu que eu precisava da presença dele conosco.
   A moça que nos apresentou a maternidade queria vender o pacote completo, até filmagem estava incluso. Eu só não precisava contar com a presença de um acompanhante. Doula então? Ela nem sabia o que era isto.
   Vivi as mesmas ansiedades que toda gestante vive. Sofri as mesmas pressões para o meu filho nascer. Quantas vezes ouvi a frase: "Nossa, seu filho ainda não nasceu? Estou cansada por você. Coitada. Como tá demorando. Ainda não tem nove meses?" E por aí vai. Quantas histórias e horrores ouvi.
   Como a DPP (Data Provável do Parto) era para fim de Janeiro, sofremos muito na época do natal e do ano novo. Ah!!! Seu filho vai nascer no natal. Ah!!! Aposto que será o primeiro bebê do ano... Era o que muita gente falava.  
    Liguei para Isabel e perguntei se eu poderia visitar a Santa Casa.    
    Osmar, embora quisesse, não pode ir comigo. A visita foi ótima.    
    Descrevi para ele como era lá e ele aprovou. Ai, que alívio! Assim escolhemos o local no qual nosso filho nasceria. Lá é permitido acompanhante, e ele poderia ficar o tempo todo comigo, tem também as doulas voluntárias com as quais eu poderia contar. Lá tem anestesia e eu não precisava ter medo da dor e o bebê nasce no bloco cirúrgico. Estas definições do local me ajudaram a ficar mais tranquila. Eu sonhava e visualizava a gente lá. Nossa família vivendo este momento tão importante e o Osmar participando ativamente conosco.
   Às vezes eu chorava, porque as palavras das pessoas me causavam medo e me enfraqueciam. Osmar me confortava. Minha família não entendia o porquê, de mesmo tendo um plano de saúde, eu havia escolhido uma maternidade pública. Meu pai oferecia o tempo todo para pagar pelo parto particular. Minha irmã me fez prometer que, caso não tivesse vaga na Santa Casa, eu iria para a maternidade Santa Fé.
   Conversava muito com a Isabel sobre estes medos e ela me ajudava a afastá-los. Falava para eu visualizar lugares que eu gostava de estar.
  Meu pré natal seguia tranquilo e o obstetra sempre fugia do assunto parto. Osmar seguia amável, compreensivo, presente, carinhoso...
   Como estava cada vez entendendo mais todo o processo, me sentia segura, bem e entendia o meu corpo agindo. Sentia "dores" do meu corpo se preparando para a hora do nascimento. Um dia fiquei duas horas andando pelo shopping sentindo contrações. Ainda faltavam dois meses, as contrações não eram ritmadas, percebia que não estava na hora do bebê nascer. Osmar oferecia para me levar a maternidade, mas também respeitava muito minha vontade. Ele sempre teve uma postura de companheiro.
   Também acordei com contrações um dia. Mas não eram ritmadas e não tinham haver com a descrição das contrações da hora do parto. Então, tomei um banho para relaxar e deitei tranquila novamente.
  Passou o natal. Passou o reveillon. Eu comecei a viver a contagem regressiva para o nascimento do meu filho. Pensava que se ele não nascesse até o dia 22 de janeiro, que era a DPP, então eu iria optar por fazermos alguma coisa, no caso pensava em cesariana já que eu nunca havia ouvido falar em induzir um parto. Compartilhava com o Osmar este medo e ele me dizia que assim como eu, ele só queria o melhor para nós.
  Não pude fazer um chá de parto, não sentia a vontade em convidar as pessoas para virem na minha casa, se meu marido não se sentia a vontade com elas. Eu tinha que respeitar o momento dele. Meu coração não pedia para fazer, embora o Osmar dissesse que eu podia fazer. Mas no fundo, eu queria sim. Porém, também sei que a gente tem que focar no principal, no mais importante.
  Um dia liguei para Aline Fêlix (grávida da Juju). Tinha acontecido o chá de parto dela e ela estava muito feliz. Conversamos bastante e ela me convidou para irmos ao Sofia Feldman para um escalda pés.
  Hoje vejo que neste dia, Deus começou a agir para o que havia escolhido para nós.
   Como agradeço a Deus e a Aline pelo convite!
   Primeiro falei com o Osmar que eu iria visitar a Aline antes de ir para o trabalho. No dia, falei a verdade: Estou indo ao Sofia Feldman, com a Aline, fazer um escalda pés para me acalmar e ajudar no nascimento do nosso filho. Ele não reprovou. Mas também não falou nada. Muito carinhoso me levou para pegar o metrô, já que eu havia escolhido ir até lá de metrô.
   Fui e foi ótimo. Conheci a enfermeira Lilian que fez uma aurículoacupuntura com sementes de mostarda. Tomei alguns florais e fiz o escalda pés com a Cleusa. Saí de lá tão bem!
   Começamos a ir lá duas vezes por semana (eu e Aline) e confesso que comecei a curtir muito as idas. A Cleusa sempre conversava muito comigo e isto era muito bom. Em uma destas vezes a Isabel nos acompanhou com muito carinho.
   Também fui a outro obstetra, desta vez humanizado. O Osmar me acompanhou também. Falei toda a verdade com ele. Ele atendia na Santa Casa, mas, ia viajar de férias em Janeiro, portanto não dava para contar com ele para o parto. Mesmo assim foi muito bom, ele me acalmava sempre que era necessário, e Osmar me dava todo apoio que precisava para seguir em frente.
  Me cuidava muito. Estava atenta a hidratação e alimentação. Engordei 4Kg em toda a gravidez. Fiz hidroginástica e não dispensava nenhuma caminhada. Sempre que tinha oportunidade descansava, mas não deixava de me divertir por causa da gravidez.
  No dia 14 de Janeiro, uma quinta-feira, acordei muito triste. Chorei pela manhã e me senti como se tivesse perdendo algo. Liguei para a maternidade Santa Fé e perguntei se lá havia algum programa de apoio a gestante. Expliquei que estava na 39ª semana e que me sentia um pouco ansiosa. Alguém do outro lado da linha respondeu: vem aqui, a gente faz uma cesariana em você e sua ansiedade passa. Desliguei o telefone e chorei o dobro.
   Quando recuperei, liguei na Santa Casa de BH. Fiz a mesma pergunta e uma enfermeira me respondeu: Vem aqui, parece que você está um pouco nervosa. Vindo aqui vamos conversar com você e te acalmar. Venha, me procure, vou te ajudar. Era a enfermeira obstetra Liliane. Fui. Até o momento que ela me atendeu, chorei pelos corredores como criança pequena que perdeu algo. Não sabia explicar o motivo.
    Liliane me perguntou se eu sentia alguma coisa. Disse que não, só tristeza. Então ela me encaminhou para ser examinada por uma médica. A médica me examinou, olhou minha pressão, escutou o coração do meu bebê e foi me falando como estava tudo. Depois definiu: você está com 1cm de dilatação. O nascimento do seu filho está próximo, mas não é para agora. Vocês estão muito bem! Pode ir para casa.
   Voltei na Liliane e ela me falou: Você chora porque está vivendo o fim da sua gestação. Seu parto está próximo. Seu choro é de despedida. Volte aqui pela manhã para você conversar com a psicóloga. Tenho certeza que ela poderá te ajudar.
   No outro dia, pela manhã, levantei e fui novamente ao Sofia. Fiz escalda pés. Conversei muito com a Cleusa. Contei que meu parto seria na Santa Casa. Ela ficou triste, pois queria que ele nascesse no Sofia, mas me desejou boa sorte. Aliás, ela sempre despedia de mim e da Aline, que sempre me acompanhava, desejando boa sorte. Era tão bom, tão acolhedor.
   Como trabalho em Lagoa Santa, meu marido me levava e me buscava quase todos os dias. Naquela sexta-feira ele não poderia me buscar e pediu para que eu não fosse trabalhar. Entrei no metrô para ir para casa, mas senti vontade de ir para Lagoa Santa.
   Desci do metrô e andei uns 500 metros para pegar o ônibus para Lagoa Santa. O ônibus tava lotado e como minha barriga tava pequena as pessoas custavam a me oferecerem o lugar. Fui sentar já quase na entrada da cidade. Mas mesmo assim, me sentia muito bem. Osmar ligou para saber como estávamos.
   Trabalhei e resolvi voltar mais cedo para casa. Avisei meu estagiário e assim fiz. Na volta Deus ainda mandou uma carona para mim e eu vim para BH de carro, com uma mulher muito legal que eu conheci pouco antes de vir.
   Cheguei em casa e meus familiares estavam reunidos na casa da minha mãe. Era o aniversário do meu pai. Torcida pelo nascimento do Victor naquele dia.
   Eu me sentia bem, porem sentia que meu corpo trabalhava. Osmar então disse que iria me levar para maternidade, que havia chegado a hora. Ele estava sofrendo a pressão da minha família. Eu disse a ele: vou ligar para Isabel e te falo. Descrevi para Isabel o que eu esta sentindo e perguntei: Mulher em trabalho de parto dorme? Ela respondeu, acredito que não! Então eu disse, se eu não dormir, te ligo.
    Falei com o Osmar: Se eu não dormir nos próximos 20 minutos você me leva para a maternidade. Dormi super bem! A noite foi uma das melhores.
     Dia 16/01/2010 – O dia escolhido
    Acordei me sentindo muito bem. E normal também como nos outros dias.
    Lembro-me que sempre que lia os relatos de parto, as mulheres diziam que no dia do nascimento do filho elas ficavam muito bem. Diziam que em trabalho de parto ativo aproveitavam para lavar roupinhas do bebê entre outras coisas. Eu lia e achava um absurdo. Levantei e coloquei roupas para lavar. Comecei a arrumar nossa casa e preparei o café da manhã. Comemos coisas leves como já era de costume.
   Desci até a casa da minha mãe. Conversei com ela e me despedi já que ela e meu pai estavam indo para o sitio. Minha mãe perguntou se eu queria que ela ficasse. Respondi que não estava na hora ainda, que faltavam alguns dias, que ela ficasse tranqüila.
   Voltei para minha casa. Conversei assuntos diversos com o Osmar e de repente ele me perguntou porque eu estava fazendo caretas. Eu disse que não estava. Ele afirmou que estava sim e que me levaria para maternidade naquela hora.
    Então eu aceitei. Disse para ele: vou me arrumar, a gente vai lá e o médico manda voltar, daí você me dá sossego.
   Fui me arrumar, peguei a pinça e comecei a pinçar minha sobrancelha. Ele chegou no quarto e falou: você ainda está assim, não vai arrumar não. Eu respondi: calma, até parece que é você quem vai ter o bebê.
   Liguei para Isabel. Disse que o Osmar queria ir para maternidade e que eu ia lá com ele, mas que ela ficasse tranquila, não estava na hora. Qualquer coisa a gente ligava.
    Ele estava sentindo que havia chegado o momento!
    Começamos a ir para maternidade, Osmar escolheu uma música para gente ir ouvindo e eu comecei a cantarolar a música bem alto. Ele me perguntou porque eu estava cantando tão alto. Eu disse que não estava. Que estava era feliz.
    De repente falei com ele: Osmar marca 10 minutos. Ele então marcou. Aí falei: estamos em trabalho de parto ativo, Victor vai nascer, vou ligar para Isabel. Eu sentia contrações ritmadas e uma certeza que o momento havia chegado.
    Avisei Isabel e chegamos em seguida na Santa Casa. Como lá não pode beber líquidos durante o trabalho de parto, eu pedi para o Osmar comprar água de coco e nós bebemos antes de entrar para maternidade.
    Subimos, fomos atendidos e a recepcionista já foi logo me falando: estamos lotados, não tem vaga hoje. Mas você fica tranquila, a médica vai lhe examinar e se for necessário te encaminha.
    Eu tinha certeza que estava em trabalho de parto. Eu sentia meu corpo ativo.
   A médica não demorou. Veio e me examinou. Perguntei: como está minha pressão: ela respondeu: boa! Perguntei: boa quanto? Respondeu: 10x7. Falou que o batimento cardíaco estava bom. Perguntei quanto, respondeu 140bpm. Perguntou a que horas minha bolsa havia rompido. Perguntei? Rompeu? Nem percebi. Ela afirmou, você está com bolsa rota alta. Eu já sabia o que significava e fiquei feliz. Daí ela fez o toque. Disse: você está dilatando bem. Perguntei, quantos centímetros e ela me respondeu 3cm.
    Em seguida ela falou: você agora é responsabilidade da Santa Casa, pois já esta com bolsa rota. Vou te colocar na central de leitos e eles lhe encaminharam para onde tem vaga. Você não pode mais sair daqui.
    Era virada de Lua, dia de lua cheia, que coincidência ou não, as pessoas me avisaram que favorece o nascimento de bebês.
    Eu então disse: ah! Quero ir para o Sofia Feldman, posso?
    Ela respondeu: Infelizmente não temos como escolher.
    Eu falei. Vou conversar com minha Doula.
   Gente, nesta hora, pensei em Deus: Havia pedido a Ele para encaminhar o que fosse melhor para mim e eu não podia deixar a central de leitos definir minha história.
   Ainda estava na sala de consulta, quando Isabel chegou, pediu licença e adentrou o consultório. Daí olhei pra ela dizendo que não havia vaga e que iriam colocar-me na central de leitos, mas que não ia ficar. Levantamos e fomos pra recepção novamente. Sentei-me e conversamos, daí falei para ela – não vou para qualquer lugar, vou para o Sofia. Ela olhou-me nos olhos e confirmou comigo – é isso que você quer mesmo? Respondi: -Sim, não tenho dúvida; reafirmando para o Osmar também. Vamos para o Sofia. Como ele sentiu-me segura no que queria não questionou. Foi até o recepcionista e entregou-lhe a ficha de entrada e retornou para junto de mim.
    Então vamos! A médica apareceu e disse: ei, ela não pode sair daqui.
   Chamei o elevador. Ele abriu rapidinho a porta. Eu falei para o rapaz da recepção: Não precisa chamar a central de leitos, eu não vou ficar aqui. Vou para o Sofia. Segurei minha barriga e entrei no elevador e bem atrás Isabel e Osmar. As mulheres que estavam dentro do elevador me chamaram de maluca e eu fiquei confiante.
    Eu tinha plena consciência do meu estado, sabia que estava em trabalho de parto, mas que não precisava desesperar.
     Osmar pegou o nosso carro. Deitei no banco de trás, no colo da Isabel. No meio do caminho o Osmar perguntou se eu não queria mudar o caminho e ir para o Santa Fé. Respondi novamente que não. Meu celular não parava de tocar, era minha família querendo notícias. Osmar colocou música alta, que eu pedi. Eu disse para ele que estava tudo bem e que não assustasse caso eu gritasse.
   Quando estava chegando perto do Sofia, eles não sabiam o caminho. Eu então levantei e expliquei como chegar.
     Chegamos ao Sofia Feldman!
     Desci correndo e segurando a barriga. Entrei pela casa de parto. Quando chegamos a porta estava fechada e nós estranhamos. Abrimos, entramos e eu deitei na recepção.
   Isabel entrou para procurar alguém. Voltou muito triste e me falou. Não tem vaga aqui não. Vamos ter que ir para a maternidade.
   Falei com ela. Beleza, então vamos!! A gente passa aqui por dentro e já sai lá na maternidade.
    Isabel estranhou, achou que eu ia ficar decepcionada. Gente, eu queria anestesia, claro que a maternidade era melhor para mim.
   Chegamos na admissão. Logo, em minutos, veio a moça e me examinou. Já estávamos com 4cm de dilatação. Oba!!!! Tudo estava indo muito bem. A água da bolsa somente minava, ainda tínhamos muito líquido.
    Fomos para dentro da maternidade: Eu e Isabel. Osmar ficou na recepção cuidando da documentação.
    Nesta hora o Osmar ficou um pouco triste porque me perguntou com quem eu queria entrar. Eu respondi que a doula ia comigo e que ele ficava para cuidar da minha entrada. Ele não gostou. Depois me disse que não queria ter assinado minha internação, ficou com medo.
  Chegamos dentro da maternidade. Fomos recebidos pelo Cristovão que logo disse. Tá lotado, não tem vaga para ela. Nossa !!!! Que dia hein?!?! Todo mundo resolveu nascer neste dia???? Rsrsrsrs É a força da lua???
    Indicou então que me colocassem no Box 4. É que não tinha vaga no local que as mulheres ficam lá no pré parto. Foi sorte minha. Ficamos assim em um local mais reservado.
     Ai, agora sim, tranquilidade.
    De repente alguém diz: risco de pré-eclampsia. Pressão alta 16 e qualquer coisa, nem lembro.
    Como assim? A pressão tava boa a gestação inteira e também até alguns minutos atrás.
    Começa então um entra e sai no Box. Alguém pede para eu fazer xixi em um copinho.
    Isabel explica para equipe que eu havia acabado de passar por um stress, que isto poderia ter alterado a pressão.
    Tento fazer o xixi. Não tem xixi para sair. Ai, meu Deus !!!
    Consigo fazer um milímetro de xixi e a moça com muito carinho diz: está ótimo, este tanto já dá. É para fazer o exame e afastar o risco de pré-eclampsia.
    Isabel fala com a equipe que eu havia pedido, para avisar que ela era minha porta voz, kkkkkk: Estou aqui para colaborar! Sou ativa no meu parto. Contem comigo! Pedi o tempo todo para Isabel me falar quantas horas, relatar tudo que estava acontecendo, nos mínimos detalhes.
    De repente outra gestante gritando muito. Isabel me pede para ficar calma e não ficar ligada aos sons externos. Ela explicou-me que por ser um local onde muitas mulheres, sem preparo dão a luz, poderiam, às vezes, jogar coisas para o alto, quebrar objetos, etc. Respondo que estou bem e que não estou focado nos barulhos externos.
    Isabel me convida para o chuveiro. Não quero ir, mas vou! Eu não disse que ia colaborar?
    Voltamos do chuveiro, um entra e sai toda hora no Box. Pergunto para Isabel – posso ficar sem roupa, mas já tirando. Peço para ficar sem camisola. O enfermeiro entra e pergunta – ela esta sem camisola? Vou providenciar uma, daí Isabel explica que sou eu quem não queria ficar vestida, que estava me sentindo bem assim. Fico totalmente nua. Isabel me convida a fazer exercícios de respiração. Tento fazer, mas não consigo muito. Ela então insiste. Faço, eu não disse que ia colaborar?
    Lembro da frase que aprendi na Roda: Cheira a flor e sopra a vela !!!
    Isabel me convida a caminhar, sair da cama, embora eu não estivesse parada. Ela comentou depois que era uma forma de "mexer" comigo, onde buscou estimular-me a descobrir o movimento que meu corpo pedia. E, era o que acontecia. Movia de um lado para o outro.
    Penso: esta Isabel é louca, como que ela quer que eu caminhe? Levanto, tento caminhar, sempre pensando: eu não disse que ia colaborar?
    Penso o tempo todo na música: "Antes mesmo de você nascer, Deus sonhou com você"
    Grito: vem Victor!
    Penso na frase da Daphne. Penso na foto da Daphne.
    Lembro que eu também nasci no sábado.
    Desço e subo o tempo todo da cama. Peço colo para Isabel. Peço para me abanar, ela me abana com um leque chique que levou. Penso: quantos trabalhos de parto aquele leque já não deve ter assistido? Sinto frio, sinto calor... tudo com muita intensidade. Ela mencionou depois que o movimento a lembrou - Subir montanhas, descer ladeiras... ora deito ora levanto, abro perna, fecho perna. Meu corpo é entregue a uma dança frenética do Parir Instintivamente.
    De repente ouço a outra gestante dizer: Aí, me ajudem!!! A equipe responde para ela: estamos te ajudando, você tem que se ajudar.
    Penso, eu também quero me ajudar.
   Isabel me convida novamente para o chuveiro. Digo que não quero ir.
  Pergunto que horas vão fazer outro toque para ver minha dilatação. Respondem às 15h.
   Penso, nossa como o tempo tá passando rápido. Havíamos entrado no Sofia às 13h. Bebo água o tempo todo. O telefone toca. A enfermeira chega para fazer à dinâmica. Isabel me deixa um pouco com ela e vai lá fora conversar com o Osmar.
     Avisa para ele que está quase na hora e que se ele quiser poderá assistir. Isabel lembra o Osmar que eu gostaria muito que ele estivesse lá, mas que eu entenderia se ele não desse conta, que poderia entrar e se achasse por bem, poderia sair também.
    Neste momento alguém lá dentro me pergunta se eu quero anestesia. Respondo que sim, mas que somente na hora que a dor for ficar insuportável. Digo que ainda não está na hora. Colocam um ferro de apoio na cama para eu acocorar. Fico várias vezes de acocorada.
    Isabel volta. Fala-me para caminhar novamente. Pergunto onde vão aplicar a anestesia, respondem que é em outro local. Sinto uma preguiça de ter que sair dali. Desisto de vez da anestesia. Vou caminhar e vejo um pacote com o material escrito: parto normal completo.
    Pergunto: meu filho vai nascer aqui?! Respondem: sim!!
   Digo para Isabel que eu estou em transe, ela respondeu – que bom, então entregue-se. Sinto uma paz dentro de mim, uma satisfação por estar ali, que o momento estava tão próximo. Parece que saio de mim. Penso em Deus, parece que estou nas mãos Dele.
    15h. fazem o toque. 10cm de dilatação. Tá coroando. Estamos vendo a cabecinha dele.
  Chega alguém perguntando se quero ir para o quarto azul. Na casa de parto. Agora tem vaga. Digo: não, meu filho vai nascer aqui mesmo. Agradeço a atenção! 15
   A enfermeira e o enfermeiro me falam que não são médicos. Que não vão chamar o médico. Digo que por mim tudo bem! E que eu já sabia que eles não eram médicos.
  Pergunto se dá para ver se o cabelinho dele é liso ou encaracolado. Todo mundo rir.
  O tempo todo colocam o sonar para ouvirem os batimentos cardíacos dele. Sempre me falam como esta. Fico muito feliz todas as vezes que me dizem que tudo vai bem.
   Entrego minha máquina fotográfica para Isabel e peço que ela fotografe tudo e que também vá me contando, relatando o que está vendo.
  Chega o momento. Osmar chega ao Box, estava trêmulo, assustado, mas muito envolvido, emocionado, solicito. Fica assustado e pergunta: Cadê o bloco cirúrgico?
    Tranquilizo-o e digo: Amor, o que importa é que eu e nosso filho estamos muito bem!
    A presença do Osmar era muito importante para mim. Eu queria tanto que ele vivesse comigo aquele momento. Me sentia muito feliz por ele estar ali.
   Meu corpo continua fazendo movimento expulsivo.
  De repente sinto uma força, pergunto se posso empurrar minha barriga. Respondem que sim e me pedem para pensar e focar no meu canal vaginal.
  O momento chega. Não sei descrever o que senti, é uma mistura de prazer, com medo, com felicidade, com alívio... Não sinto dor.
    Sinto o cordão umbilical tocando minha vagina. Ouço o Victor. Ele nasceu! Pergunto as horas, alguém, por favor, verifique o relógio. 15:35h
  Colocam-no em meu peito. Peço para não cortarem o cordão umbilical antes de parar de pulsar. Sou atendida. Lembro que precisa colher o sangue para verificar o fator sanguíneo, já que eu sou Tipo A Rh negativo. Perguntam onde aprendi aquilo tudo.
   Lembro com carinho do Bem Nascer. Falo que desejo que ele mame na primeira hora de vida. Ajudaram-me a colocá-lo em meu peito.
    Sinto a maior felicidade do mundo em meu coração. Olho para o Osmar e vejo que ele compartilha do meu sentimento.
    Oferecem para Osmar cortar o cordão umbilical. Ele fala que não quer. Isabel pergunta se pode ter esta honra. Nós é que nos sentimos honrados. Ela corta o cordão.
    Convido Osmar para fazer a foto da nossa família. Lembro-me de oferecer o melhor dos meus sorrisos.
    Osmar sai e grita para o mundo que o filho dele nasceu. Ele é acolhido pela minha irmã e meu cunhado que o apoiavam durante o trabalho de parto do lado de fora, na maternidade. Os padrinhos do Victor.
    A placenta é expulsa, peço para ver. A Equipe me mostra e ainda me explica sobre ela, com muito carinho e atenção.
    Pergunto se sofri laceração. Ela me responde: de primeiro grau, vai levar dois pontinhos.
    Isabel e Osmar acompanham o Victor para pesar, medir e etc. Me sinto segura pela presença deles com o nosso filho.
    Eu vou tomar um banho para ir para o quarto. O banho é rápido, a enfermeira me explica que é porque estou fraca. Fraca, mas muito bem e feliz.
    Quando passo pela equipe para ir para o quarto, agradeço a todos pelo apoio, trabalho e carinho. Recebo os parabéns da equipe e uma salva de palmas. A enfermeira me diz que se todos os dias tivessem um parto igual ao meu, ela estaria muito feliz.
    Sinto-me feliz e orgulhosa.
    Vou para o quarto acompanhada de uma enfermeira, andando!
   Quando chego lá, recebo o Victor em meus braços e toda a minha família já está lá: mamãe, papai, minha irmã, irmão, cunhada (o), sobrinho, Osmar e etc, todos aproveitando o horário de visitas.
   Isabel nos acompanha o tempo todo, ajuda, conforta, orienta!
   Recebo uma canjinha muito boa! Sinto a felicidade estampada no rosto do Osmar. Ele nos dá toda assistência necessária.
   Estou me sentindo como nunca estive antes. Meu corpo está todo ativo, ligadasso.
    Antes de dormir recebo em meu leito a vista da enfermeira e do enfermeiro que me assistiram no parto. Dizem que foram lá para ver como a gente estava.
   Esta primeira noite não dormi. Acho que foi uma das melhores da minha vida.
   No outro dia recebemos a visita muito especial de Aline Felix, com Juju ainda em seu ventre. Ela nos visitou e ainda almoço conosco no Sofia.
   Fomos para casa às 15h do domingo.
   Agradeço a Deus, por tudo ter acontecido muito bem e por ele ter colocado tantas pessoas boas em nosso caminho.
  Agradeço a todos que contribuíram para que nossa estada na maternidade Sofia Feldman fosse tão boa.
   Agradeço por não ter tido vaga na Santa Casa. Era o propósito de Deus para nós. "Como disse o poema, havia uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra"...
   Agradeço pelos escalda pés na Casa de Sofia.
   Agradecimento especial a Ong Bem Nascer, a Daphne, a Isabel, a todas as mulheres que fizeram e disponibilizaram seus relatos de parto...
   Agradecemos a Aline, que foi a ponte para o Sofia em nossa vida.
   Agradeço ao Osmar por ter me escolhido para ser a mãe do filho dele, e por me amar tão incondicionalmente.
   O meu agradecimento ao Victor, por ter me escolhido como sua mãe, e ao Osmar como seu pai, mesmo sabendo que não somos perfeitos.
    Minha visão sobre a maternidade Sofia Feldman
Antes de engravidar:
Eu nunca havia ido a maternidade Sofia Feldman.
Sempre ouvia falar mal de lá.
Várias eram as histórias ruins que eu conhecia de lá.
Achava que era uma maternidade do SUS.
Tinha medo de lá não ter os recursos necessários para partos ou "casos" especiais.
Depois que engravidei:
Visitei a maternidade Sofia Feldman em uma visita orientada.
Conheci o lado Sofia através da Ong Bem Nascer.
Conheci várias boas histórias sobre o Sofia.
Li muitos e muitos relatos de parto que aconteceram lá. 

Relato de parto Mariana Espírito Santo

   Com a alegria de reviver esses momento tão único, encaminho relato de parto das minhas meninas.
    Parto da Maria Luiza - 03/05/2014 - Maternidade Santa Fé
    Obstetras: Sandro Ribeiro e Marco Aurélio Valadares
    Doula: Bel Cristina
    Pais: Vitor e Mariana
    Minha querida Maria Luiza, 
  Com você aos 46 dias dormindo no meu colo e me proporcionando a maior paz do universo, começo a te contar como foi a sua chegada nas nossas vidas.
    Desde que eu e o papai nos casamos nós já pensávamos em ter filhos. Mas ainda era cedo, mamãe não trabalhava e estava estudando muito para provas de concurso.
    Passado um tempo, mamãe foi morar em Ipatinga e estando longe do papai também não vivia o melhor momento para engravidar.
    2013 chegou e junto dele o instinto de pai e mãe gritou bem forte em mim e no papai. Desde janeiro esperávamos ansiosos pela notícia da remoção da mamãe pra uma cidade perto de Belo Horizonte. Os meses passavam e nada! Até que em julho decidimos, muito chateados, adiar um pouco a sua vinda, já que a transferência não acontecia. E foi aí que você veio!!!! De surpresa, sem avisar!
    A princípio mamãe se assustou, pensava em como passaria a gravidez sozinha naquela cidade e como voltaria pra lá com um bebê pequeno. O papai desde o dia em que ficou sabendo - dia em que chorou de emoção por quarenta minutos- sempre soube que tudo se encaixaria.
    Bom, bastou eu escutar o seu coração pela primeira vez, em setembro de 2013, pra me derramar em lágrimas e perceber que nada era problema: com você eu nunca mais estaria sozinha.
    Certo dia, antes de sabermos o seu sexo, perguntei ao papai o que ele achava. Juntos respondemos: menina! E assim foi!
     Minha pequena, você chegou trazendo sorte. Mamãe passou os primeiros meses da gravidez longe do papai. Mas em dezembro, quando já não havia tanta esperança, a notícia chegou: mamãe após 1 ano e nove meses finalmente voltaria pra morar junto do papai.
     E até sua chegada nós te enchemos de amor: conversávamos com a barriga, cantávamos, fazíamos carinho.
     Estudamos qual seria a melhor forma de você vir a esse mundo e nos preparamos juntos pra isso. Queríamos tudo muito natural, pra que você logo soubesse que viver exige esforço, mas com amor tudo é mais fácil e lindo. E assim fomos nos afastando dos medos e ansiedades!
    Trocamos de médico já com quase oito meses de gravidez. Nossa médica cuidou de nós até ali, mas não nos assistiria no parto que sonhávamos. E ainda bem que no nosso caminho surgiu o Dr. Marco Aurélio. Tranquilo e seguro que só ele, era tudo que precisávamos pra continuar firme nesse sonho de te trazer.
     Os últimos dias pareciam não ter fim. Já havia passado o dia que mamãe e papai acreditavam que você viria. E seguíamos à sua espera, no seu tempo, quando você estivesse pronta.
      Dr. Marco Aurélio viajaria no dia 01/05, e como você não havia nascido ainda, dia 30/04 fui com a vovó a uma consulta com outro médico da equipe, o Dr. Sandro. E gostamos de cara! Eu relatei a ansiedade, vovó perguntou se não era hora de induzir o parto e ele passou as seguintes recomendações médicas: ir a um casamento que tínhamos no dia, caminhar em um parque arborizado, namorar, ir ao cinema (risos)! Cumprimos à risca!
     E eis que em 02/05 o corpo da mamãe começou a dar sinais e o papai apressou-se e largou o serviço no meio do expediente pra ficar do nosso lado.
     A noite chegou e dormimos. As contrações acompanharam a mamãe na madrugada e eu não poderia estar mais feliz. Como eu esperei pra sentir aquelas contrações! Era você chegando.
      Às 6h da manhã ligamos para o médico. E rumamos à maternidade, felizes, na cia do vovô e da vovó. Você caprichava e ainda não era hora. Não quisemos te aguardar no hospital, era melhor te sentir o maior tempo possível em um ambiente nosso e fomos para a casa da vovó Cintia. Chegando na garagem, na rádio tocou Aquarela de Toquinho, música que eu e papai tantas vezes ouvimos durante a gravidez. Era um sinal!
     Na casa da vovó tomei um longo banho quente e depois caminhei, me alegrando com a dor de cada contração. Era você cada vez mais perto. Papai dormiu pra ficar bem descansado pra quando você chegasse. Vovô e vovó ficavam meio aflitos, achando que a dor era sofrimento (hoje eu sei que a dor dos filhos dói bem mais nos pais). Eis que por volta de 11:30 as contrações apertaram e era hora de voltar pra maternidade! Que alegria!
     O caminho foi dolorido e divertido. Ter contrações no carro não era nada prazeroso, mas o vovô, vovó e papai ficavam contado histórias atrapalhadas e divertidas e a dor das contrações eram amenizadas com as gargalhadas.
     Enfim, chegamos e por volta de 12:15 subimos para a suíte de parto! Não queríamos que você nascesse sem necessidade em uma sala de cirurgia fria, cheia de médicos, com a mamãe deitada, sem movimentos, papai com roupa estranha.
      Por isso escolhemos essa suíte. Ali tivemos liberdade.
      Mamãe foi direto pro chuveiro deixando a água quente caindo nas costas para aliviar a dor. Papai com sua bermuda, camiseta e descalço observava e dava muito apoio. O tempo inteiro sorria pra mim, sorriso que trazia conforto e certeza que a dor era só um detalhe.
     O Dr Sandro foi nos encontrar no quarto e me colocou um pouco na banheira. Fiquei ali, segurando a mão do papai e escutando as músicas que ele colocou no celular pra ouvirmos. Tocava Maskavos e a energia era muito boa: era a seleção de músicas que papai e mamãe escutavam no carro nas nossas deliciosas viagens. E ali estávamos desfrutando a melhor viagem de todas!
     Devia ser por volta de 13:00 quando a Bel, nossa doula, chegou. A partir dai eu me entreguei ao trabalho de parto e perdi a noção do tempo e da sequência dos acontecimentos. 
     Me lembro que ela sugeriu sair da banheira e ir para a bola de Pilates. Fiquei na bola, alongava durante as contrações e o alívio era grande. A cada contração a dor era maior. E a gente aliviava como podia, muita massagem, caminhada, alongamento, compressa de água quente, olhares de cumplicidade do papai. 
    E você ia chegando! Em determinado momento a dor apertou muito! Mamãe que sempre foi muito tolerante a dor anunciou que doía muito e que precisava gritar! E gritei! Acho que não foi muito, mas gritei. Doía!
    E então eu achava que não mais aguentaria e pedi anestesia. Papai e a Bel começaram a dizer que o Dr Sandro já iria subir pra me anestesiar e vieram mais umas duas contrações. Pedi de novo. Doía!
     E eles novamente disseram que o Dr Sandro já estava vindo.
     Eu já não era mais racional, estava entregue à viagem que era te parir. Mas num surto de consciência percebi que os dois estavam comigo o tempo inteiro e não haviam chamado o médico. E nem era o Dr. Sandro o anestesista (risos). Ou seja, minha filha, estavam ganhando tempo pra você vir naturalmente e esse era o meu desejo que deixei escrito no nosso plano de parto. 
    Nessa hora pedi ao seu pai pra me dar logo a anestesia e até lembrei uma senha difícil de letras e números que ele havia estabelecido pra esse momento.
     Quando ele ouviu a senha ele me sorriu com os olhos com uma expressão de " não acredito que ela lembrou".  
E foi então que a Bel me devolveu as forças que eu estava deixando escapar. Ela me disse que você já estava bem perto e que se eu fosse pro bloco pra analgesia você nasceria lá mesmo, longe do papai.
     Parei, refleti e antes de chegar a alguma conclusão me levaram pra banheira novamente. Ali a dor parece que dissolveu!
     Dr Sandro perguntou se podíamos fazer um toque. Eu respondi que não (estava no nosso plano de parto que eu não queria toques) e ele me devolveu com doçura: "Mari, você que manda." Ali me senti maior!  
     A Bel, então, colocou um espelho e me mostrou a bolsa já saindo e disse que você era cabeluda. Realmente já dava pra te ver, filha. Você estava perto.
     Fiquei um tempo em silêncio olhando pro espelho. Dr Sandro me convidou a tocar a bolsa que te envolveu por 40 semanas e dois dias. E eu toquei!
     E de você, meu amor, que se apresentava pra mim prontinha pra nascer, retirei energia e calma pra continuar.
     Olhei pra Bel assustada e disse que estava com vontade de fazer força. Sorrindo ela me respondeu: "então faz!"
     Simples assim?
     Então vamos lá.
    Papai sentou na beirada da banheira e nele eu me apoiei. Ele tinha que ficar imóvel me sustentando e cada leve mexida eu reclamava e ele sorria apertado! O corpo dele deve ter doido muito filha. Papai é o nosso grande companheiro pra tudo que precisarmos.
    Por meia hora mais ou menos eu fazia força durante as contrações e permanecia concentrada nos intervalos. 
Pedi pra desligar a música, um enorme silêncio se fez, somente uma baixa luz azul acesa. E seguimos concentrados até que em uma das forças alguém anunciou: a bolsa estourou!
    Poucos minuto depois eu avisei: está queimando. E a Bel completou: é o círculo de fogo.
     Me animei muito nessa hora. Nas minhas leituras sabia que o círculo de fogo era a última dor do parto. 
     Mais duas forças e você nasceu, minha flor. Sem sofrimento, sem cortes, sem pontos, sem medicação. Só amor! Mergulhou feito um peixinho na água às 15:35h. Papai não se conteve e pulou na banheira pra junto da mamãe, de bermuda e camiseta mesmo. E você veio direto pro meu colo! Chorou: choro de vida!
      E eu e papai ficamos ali engasgados de emoção. Eu disse a ele, muito emocionada: é nossa, é nossa!! Minutos depois você já mamava em mim.
     Sim minha filha, você é nossa! E nós somos seus! Obrigada por ter nos escolhido. Quando você nasceu, nós renascemos!
    Te amo infinitamente.




Parto da Ana Laura
22/09/2015 - Maternidade Santa Fé
Obstetra: Marco Aurelio Valadares
Doula: Bel Cristina
Pais: Vitor e Mariana
Minha querida Ana Laura,
     Eu nunca pensei que iria escrever essa carta pra você tão rápido.
    Sua irmã tinha apenas sete meses quando o corpo da mamãe sinalizou que você já estava aqui.
   Um teste, um susto! Chego pro papai, sentado tranquilo assistindo televisão e conto ainda anestesiada. Ele levanta, me pega no colo, me roda e chora de alegria! Chora mesmo!
    Sua gestação passou num piscar de olhos, pequena. Cuidar da sua irmã e trabalhar em outra cidade me consumia e os meses passaram rápido.
    Apesar da correria, daqui de fora você recebia todo o carinho do mundo do papai e da Malu, que sempre acordava e beijava a barriga da mamãe chamando Lalá.
   A barriga crescia e sua irmã engatinhou. Crescia e sua irmã andou. Crescia e sua irmã correu. Opa, você já estava perto!
    E de repente, aquela gravidez que passou num piscar de olhos, parece ter estacionado.
    37 semanas e eu tinha certeza que você chegaria. Passei a não acumular nada no serviço e dar satisfação diária pras colegas de trabalho sobre o que fazia. Estava certa de que você viria com 37 semanas.
   38 semanas e uma dor no alto da barriga me derrubou. Dr Marco Aurélio dizia que era o corpo pedindo pra parar.
   Parei! E comecei a fazer tudo que podia para relaxar e te convidar pra nascer logo.
   39 semanas e acabaram meus dias de crédito no trabalho. Eu já achava que você tinha desistido de nascer. Sessão de "power acupuntura" com Dr Marco Aurélio. Volto ao serviço, Vovô de motorista.
     39 semanas e 4 dias. Não dá mais. Parei de novo.
   Fiquei sabendo que a lua ia virar quando completasse 40 semanas, na noite de 21/9.
   E pronto: anunciei pro mundo que a lua ia virar e você ia nascer.
   Dia 21/9, 20h, olho pro papai e falo: a lua vai virar. Pouco depois, uma cólica. Será? Espero, sem dizer nada... Outra cólica. Outra e outra! Pronto! Era oficial. Falei pro papai: está começando, ela nasce amanhã.
   As contrações seguiram leves. Por volta de 23h avisei a Bel, nossa Doula pela segunda vez, que o corpo dava sinais, mas que ainda não era hora. Fui deitar!
   Antes liguei pra vovó e avisei que ela poderia ser acionada na madrugada pra ficar com a Malu.
   Acordei por volta de 2 da manhã com uma contração mais forte. E achei que era hora de andar. Andei, andei, fui no quarto da sua irmã várias vezes, na varanda, na cozinha, olhava a lua. Não engrenava! Banho quente! Nada. As contrações eram mais fortes mas de 10 em 10 minutos. 04 da manhã: liguei pra vovó. Pedi que ela viesse, pois assim eu ficaria mais tranquila que ela estaria aqui com a Malu e tudo ia fluir.
   Vovó já chegou com o vovô pronto pra nos levar pra maternidade (o vovô cismou que ele é o motorista oficial do parto dos netos - e de fato foi de todos!) .
   Vovó acelerada, me falando pra ligar pro médico: “o segundo filho é mais rápido”!
   Ai Meu Deus! E eu queria ficar tranquila. SOS papai! Enrola esses dois que eu vou tomar banho. Não é hora ainda. Tomei banho e dormi.
   Acordei por volta de 06 horas com uma contração forte. E outra e outra. Opa: já foram várias com intervalo de menos de 3 minutos. Hora de ligar pro Dr Marco Aurélio e ir pra maternidade.
   Encontramos com ele por volta de 07:30: 04 cm de dilatação.
   Resolvemos internar. Na minha cabeça ficava "o segundo é mais rápido".
   Esperamos uma eternidade pra fazer a internação. Por volta de 09:30 subimos pro quarto.
   A supervisora da enfermagem estava lá. Ana!
   Simpatia em pessoa perguntou quem faria o meu parto. Respondi: eu!
  Depois sorri e disse que o Dr Marco Aurélio era quem me acompanharia.
   Ela sorriu e disse que adorava ele e as pacientes dele. Ótimo!
  Perguntei quem era a pediatra de plantão. Ela confirmou a informação que seu pai já tinha tido o cuidado de obter: Dra Soraia. Excelente!
   Até o dia 22/09/2015 eu não tinha me livrado da mágoa que tinha do pediatra de plantão do nascimento da sua irmã. Ela foi medida, pesada e recebeu injeção de vitamina K longe dos meus olhos, num berçário estranho. E recebeu colírio contrariando tudo que eu tinha constado no plano de parto lido pelo Dr. pediatra de plantão. E teve conjuntivite química com poucos dias de vida. Enfim!
  Ana, a enfermeira, curou essa mágoa de um ano e cinco meses em poucos minutos, com um sorriso no rosto e muito carinho.
   Eu perguntei a ela se o plantão virasse quem seria a pediatra. Ela disse não saber, mas que poderia olhar. Perguntou se eu queria saber alguém específico. Eu travei!
    Nessa hora ela disse: Mariana, fala tudo que você quer. A hora é de falar, não fica guardando.
   Tomei coragem e disse: quero saber se tem chance de ser o Dr. Fulano! E ela sorriu e disse que não! Ufa!
    Em seguida me perguntou o que eu queria para você, minha flor. E assim foi nosso diálogo:
- Ana, eu não quero que aplique colírio.
- Perfeito, não vamos pingar!
- Eu também gostaria que não desse banho.
- Sem banho!
- Quero que ela seja medida e pesada aqui no quarto.
- Será!
- Queria que a vitamina K fosse aplicada com ela no meu colo, se possível mamando.
- Vou dar um jeitinho. O que mais você quer, é só pedir.
- Quero um abraço!
  Pronto! Estava leve! Aliviada! Dr. fulano finalmente saiu da minha cabeça. Abracei Ana, bem forte!
   Bel chegou querendo ler o seu plano de parto: não tinha! Esqueci!
   Musicas? Esqueci também!
  Ela ligou as do celular dela! Gostei! E vamos lá: bola, alongamento, massagem, agachamentos, música.
   Dr Marco Aurélio entrou por volta de 11 horas e resolvemos fazer um toque. 5/6 cm de dilatação!
  Mais agachamentos, massagem, bola. Bel saiu um pouco, Dr Marco Aurélio tb. Fiquei no chuveiro pedindo algumas músicas da Marisa Monte pro papai. Momento só nosso! Papai do lado o tempo inteiro, sorrindo e apoiando.
   Eu estava cansada. E começava a desanimar. Não era a dor que desanimava, era o cansaço mesmo. Eu olhava pro seu pai, confessava o cansaço e ele me pedia calma. Estávamos todos ansiosos por aquele momento em que eu ficava fora de mim, falava coisas que não lembrava, pedia anestesia: a famosa partolândia que é sinal de nascimento próximo. E nada dela chegar!
   12:30 e eu fui pra cama deitar. Estava cansada mesmo! Fiquei ali por meia hora, cochilando entre as contrações. E ali elas doeram. Deitada sem movimentar elas doem, mas eu queria descansar. Bel massageava minhas costas e aliviava. Papai segurava minha mão e passava força e ânimo. Eu queria muito descansar o corpo. Acho que fiz mais agachamentos que já tinha feito na vida toda!
    Dr Marco Aurélio entrou, escutou seu coração e quis fazer um novo toque. Eu não quis. Ele insistiu que seria bom avaliar. Peguei na mão dele e disse não. Ele respondeu: então não vamos fazer.
   Eu, racional o tempo todo, estava muito consciente de tudo que acontecia dentro do meu corpo. Senti todos os movimentos. Todos!    
   Aceitei e consegui lidar com cada contração. Elas não doíam como no parto da sua irmã. Eu aprendi a deixar elas fazerem o seu papel. E nada da partolandia pra me tirar do ar. Eu temia que podia demorar pra alcançar a dilatação total. Achei que não existia parto sem partolandia e ela não chegava nunca. 
   Eram quase 13h e fiquei inquieta. Levantei da cama e fui pro banheiro. Agachei mais algumas vezes, mas já não tinha posição. A Bel enchia a banheira e eu esperava. Dr Marco Aurélio saiu pra buscar o banquinho pra parir de cócoras. 
   Falei que não dava mais pra esperar e pedi pra entrar na banheira. Nem estava completamente cheia. Pedi pra desligar a música e me lembrei do parto da Malu que eu havia pedido silêncio e 40 minutos depois ela nasceu. 
   Entrei na banheira. Papai do lado de fora me dando a mão. Nem deu tempo de achar posição. Me apoiei e senti você descer de uma vez. 
    Uma força e anunciei: a bolsa estourou. 
   Você desceu mais ainda. Estava nascendo e eu não conseguia avisar pra Bel e pro papai. Não dava pra falar, embora eu tentasse. O corpo estava inteiramente voltado pra você nascer. 
    3 minutos outra força: senti sua cabeça. Fiquei acariciando seu cabelo. Não conseguia avisar. Ninguém percebia que você já estava ali. E eu não conseguia falar! 
    A Bel perguntou se eu sentia você descendo ou coroando e entre os dentes consegui anunciar com dificuldade: coroando! 
    Ela se apressou, ligou pro Dr Marco Aurélio, ligou pra pediatra.  
    Outra força e você nasceu, para o espanto do papai, de uma vez. 13:25 você veio de uma vez. Ninguém esperava. Eu mesma te peguei na água e já te trouxe pro meu colo, seu lugar. Nunca vou esquecer a cara de susto misturada com alegria do papai. 
    Dr Marco Aurélio entrou nesse exato momento com o banquinho na mão. Surpreso, exclamou: nasceu! 
    E seu avô entrou em seguida. Ficou sem fala! Seu chorinho nos calou de emoção. 
   Um tempinho depois entraram apressadas a pediatra e Ana, a enfermeira! Todos surpresos e você tranquila no seu colo. Papai cortou o cordão, fomos pra cama e você no meu colo. Buscou, buscou, buscou e mamou! Com poucos minutos de vida! 
   Naquele quarto que você nasceu, Ana Laura, eu vi você sendo medida, pesada, vestida e voltando pro meu colo. Mamando recebeu a injeção de vitamina K. Nem mexeu! Nada de colírio, nada de banho. Ana prometeu e cumpriu! E do nosso colo você não mais saiu.
    Minha filha, a lua virou, a primavera chegou e você veio pra nos tornar quatro! Como no nascimento da sua irmã, sem sofrimento, sem remédio, sem anestesia, sem cortes, sem pontos: só amor!
    Obrigada minha pequena, por também ter nos escolhido! Renascemos mais uma vez.
Te amo!
Mamãe.