12 de janeiro de 2017

Relato de parto Amanda Kelle do Canto

Gostaria de compartilhar com vocês o relato do meu parto natural, pois quando estava grávida lia muitos relatos e todos me ajudaram muito. Então vamos lá...

Dia 27 de agosto de 2016 ás 03:30 da madrugada estava dormindo e acordei com uma dor como se fosse dor de barriga, fui ao banheiro e nada (achei que era vontade de fazer 2 kkk) deitei novamente e passados alguns minutos a dor veio novamente, eu estava com 39 semanas e 5 dias, e já não achava muitas posições confortáveis para dormir então, decidi ficar um pouco na sala e passado mais alguns minutos veio mais uma vez a dor. Decidi anotar de quanto em quanto tempo as dores vinham, mas sem acreditar que seriam as famosas contrações, pois por várias vezes ouvi dizer que elas vinham das costas e no meu caso elas vinham bem abaixo da barriga. E fui anotando e as dores eram bem ritmadas exatamente de 10 em 10 minutos. Quando deu umas 04:52 acordei meu esposo e falei com ele para levantar que iríamos para a maternidade, ele assustado disse: mais já vai nascer¿ Eu disse que tudo indicava que sim.

Enquanto ele foi buscar o carro até a casa da minha mãe que fica próximo a nossa casa, liguei para minha mãe e minha irmã para avisar, tomei banho e as contrações foram ficando menos espaçadas e mais doloridas, porém muito suportáveis. Meu esposo e minha mãe chegaram e fomos para a maternidade que ficava uns 30 minutos de distância da nossa casa, porém por ser sábado e pelo horário o trânsito estava bem tranquilo.

Cheguei na maternidade!! E aqui entra um detalhe importante pois iria ganhar com plantonista e queria um parto natural, humanizado e pelo convênio. Fiz meu pré natal com uma médica excelente que me foi indicada por uma amiga e tinha uma visão totalmente natural do parto assim como eu queria. Porém apesar de ser a profissional que me acompanhou durante toda a gestação não pude ($$$$$) ter ela ao meu lado no dia do parto.

Quando chegamos na maternidade não havia nenhuma, isso mesmo nenhuma outra mulher em trabalho de parto, meus olhos brilharam ao ver a recepção vazia, pois na maternidade havia apenas 2 suítes de parto natural, ou seja, se tudo desse certo eu iria ter o parto dos meus sonhos. Fui examinada e estava com 5 centímetros de dilatação, sendo que na minha última consulta quatro dias antes eu estava de 2 para 3 centímetros. O médico me disse então que iria me internar e me perguntou qual tipo de parto eu gostaria de ter. Eu logo respondi: Natural (kkkkkk). Ele me disse que assim que eu chegasse no andar de cima, era para informar a enfermeira de que eu gostaria de ir para a suíte de parto natural e assim eu fiz. Subi com meu esposo enquanto minha mãe, irmã e cunhado ficaram na recepção.

Cheguei na suíte e não acreditei, um misto de sentimentos tomou conta de mim naquele momento, pois o meu medo de não conseguir o parto da forma que desejei era enorme. Passado alguns minutos uma enfermeira (anjo) veio até mim se apresentou e disse que iria me acompanhar durante o trabalho de parto. Depois veio a médica obstetra, me perguntou se eu realmente gostaria de ter parto natural e eu disse que sim. Ela pediu para me examinar era umas 7:10 e no toque eu estava com 6 centímetros e as contrações ficando cada vez mais doloridas.

Durante minha gestação me preparei muito para o parto, li muita coisa, pesquisei, fiz fisioterapia obstétrica o que me ajudou muito durante o trabalho de parto. Gostaria muito de ter uma doula nesse momento porém mais uma vez não pude ($$$$$) contratar uma. Ai entra minha irmã, ela havia me pedido para assistir meu parto, eu disse que sim desde que ela não se desesperasse pois naquele momento eu precisaria de muita tranquilidade. Passado um tempo perguntei a enfermeira se minha irmã poderia subir (no lugar da doula) ela disse que sim. Minha irmã subiu e a banheira foi enchendo, enquanto isso fui para o chuveiro.

O tempo foi passando as contrações aumentando, porém fiquei muito lúcida (não fui para partolândia kkkkk), ás 08:45 a médica me perguntou como estavam ás contrações e eu disse que bem doloridas, ela em um tom meio que irônico me disse que parto natural era assim mesmo (só faltou me oferecer anestesia), fez outro toque e eu estava com 8 centímetros. Fui para a banheira, me alimentei, recebi massagem da minha doula (irmã), caminhei, tomei muita água, vomitei, fiz número dois (kkkkkkk) tudo durante o trabalho de parto.

Quando deu umas 09:50 comecei a sentir muita vontade de fazer força, foi então que percebi que meu pequeno Gabriel não demoraria a chegar. A partir daí a cada contração eu agachava, a vontade de fazer força era imensa. A enfermeira veio e me perguntou como meu estava, eu disse a ela que sentia muita vontade de fazer força, ela então chamou a médica. Entrou no quarto um médico que não me lembro o nome (kkkkkkk) ele pediu para me examinar e eu estava com 10 centímetros, minha bolsa não havia rompido, no toque ela rompeu. Eu estava deitada e ele disse que estava com dilatação total e pediu que eu fizesse força pois meu filho iria nascer. Eu dei um berro (kkkkkk), falei que não queria ganhar ele deitada (li que machuca mais) que queria levantar, minha irmã e meu esposo e as enfermeiras me ajudaram a levantar, sentei no famoso banquinho. Nesse momento olhei ao meu entorno e vi uma movimentação de pessoas, enfermeiras, pediatra, dois médicos. Todos prontos para a chegada do meu pequeno.

Meu esposo ficou sentado atrás de mim, e minha irmã em pé na minha frente, os médicos me orientaram a fazer a força quando a contração viesse e assim eu o fiz. Foram exatas 4 forças, o círculo de fogo e meu Anjo Gabriel nasceu a exatas 10:06 do dia 27 de Agosto de 2016.
Gabriel não foi aspirado, não pingaram nada em seus olhos, foi pesado após umas 2 horas depois do parto, tomou banho só no outro dia, mamou e ficou comigo todo momento depois do parto, até a hora de ir embora. Tive laceração grau 2, tomei 2 pontos. E fomos embora no dia seguinte. Vivi a maior e melhor experiência da minha vida, descobri que sou mais forte do que imaginava e que a mulher pode sim ser protagonista na hora do parto!

10 de janeiro de 2017

O trabalho da Doula!

Nesta quinta, as doulas Daphne e Vanessa vão falar sobre o fazer da doula no Parque das Mangabeiras. A exposição está montada na Praça das Águas. Os visitantes podem aproveitar para entrar no útero e renascer. A exposição reproduz o útero, a placenta e o cordão umbilical. Uma experiência impar!
 E  no sábado, a partir de 14h30, as duas coordenam a Roda Bem Nascer Municipal no Parque Municipal de BH, no auditório ao lado do orquidário (no fundo do parque). Entrada gratuita para os dois eventos. Leve lanchinhos para o lanche coletivo.

9 de janeiro de 2017

Slingando!

Em todos os tempos
Em todas as tribos
Em todos os lugares
De várias maneiras
Homens ou mulheres
Carregaram seus filhos nos slings!

A palavra inglesa  significa 'tipoia'. As mulheres modernas adotaram os slings, muito confortáveis para mães bebês. O bebê fica pertinho do corpo da mãe, sente seu cheiro, ouve seu coração, sente-se seguro. A mãe fica com as mãos livres e pode trabalhar com elas. A coluna fica menos sobrecarregada. Hoje há vários tipos de slings, facilmente encontrados na Internet. No meu tempo improvisei com uma canga e deu certo.


4 de janeiro de 2017

Relato Grazi Almeida

Primeira da fila que anda...
Relato de Parto do Lucas – Grazi Almeida
Para contar sobre o parto do Lucas, preciso antes contar sobre o Parto da minha primeira filha: Gabriela. Gabi nasceu através de uma cesariana intraparto. A bolsa rompeu e após 15h sem nenhum sinal de trabalho de parto, começamos a indução com misoprostol. Em pouco tempo já estava em dilatação total, porém sua cabeça estava um pouquinho inclinada (assincletismo). Fiquei 6h no período expulsivo e ela não passou da parte óssea. Partimos para a cesárea após duas bradicardias.

Um ano e três meses depois eu estava grávida novamente. Começamos o pré-natal com a Dra. Quésia e percebi que teríamos um acompanhamento bem mais leve que o anterior. Assim foi. Nada de ultrassons mensais ou outros exames sem real necessidade que só serviam pra me deixar insegura, na maior parte das vezes. Conversávamos muito a cada consulta, o que foi me deixando cada dia mais tranquila para o próximo parto.

Também contei com o apoio da querida doula Lena. Lena se tornou uma pessoa muito querida aqui em casa. Não dá pra falar dos partos sem falar dela. Sua participação foi, de longe, muito importante em todo o processo de (re)construção do novo parto. Ela sabia exatamente meus medos e desafios e me forçou a encarar cada um deles.

Vamos ao que interessa: o parto!

Eu estava bem preocupada sobre o “entrar em trabalho de parto”, afinal isso não aconteceu na primeira gestação. Me pegava pensando se isso realmente aconteceria, se meu corpo saberia fazer isso e pedia a Deus para que a bolsa não rompesse antes e eu entrasse em TP espontaneamente. Assim aconteceu.

Era domingo, manhã de Natal. Estávamos na igreja quando senti uma contração que parecia não acabar nunca, porém era indolor. Logo em seguida, senti algo diferente na calcinha. Corri pro banheiro: era o tampão, bem grande e com muito sangue. Primeiro sinal dado, pensei. Passei o dia todo com contrações irregulares e sem dor. Eram os pródromos. Aproveitei para passear com minha filha e descansar bastante.

Meu marido, já sabendo da situação, deixou a Gabbi com meus pais no final da tarde e me levou pra casa para relaxar um pouco. Opa! Alguém disse relaxar? Bateu a vontade de colocar tudo no lugar e dei aquela organizada na casa. Ele ainda comentou que, após a faxina bebês costumam nascer... esperto ele! Namoramos um pouco e descansamos bastante nesse dia. Gabi voltou a noite.

Acordei 3h da madrugada com uma contração dolorida. Já sabendo que precisavam engrenar, fiz um lanche, deitei no sofá e fui ver TV durante uma hora pra ver o que aconteceria. Percebi que continuaram, mas não contei os intervalos. Entrei em contato com a Lena que me orientou a contar apenas se eu percebesse que estavam aumentando. Como estavam suportáveis pra mim resolvi ir dormir novamente, mas não conseguia. Quando começava a cochilar vinha uma contração e eu acordava. Tentei dormir por algumas vezes sem sucesso, então resolvi que deveria contar pra ver o que estava acontecendo. Estavam de 9 em 9 minutos, aproximadamente. Iria demorar, pensei. Tentei dormir novamente sem sucesso, o incômodo começou a aumentar, porém ainda estava totalmente suportável. Resolvi me alimentar mais, pois se realmente era trabalho de parto precisaria de muita energia. Cerca de 5h30 resolvi contar novamente: 4 em 4 minutos. Lena sugeriu ligar para o obstetra às 7h e combinar uma avaliação. Opa! “O” obstetra? Não era “A” obstetra? Dra. Quesia estava viajando, voltaria dia 27. Enquanto isso consultamos com Dr. Hemmerson que durante a consulta procurou nos conhecer e saber o que esperávamos para o parto.

Nesse meio tempo, Gabi acordou e quis mamar e ver Peppa. Nos deitamos no sofá e as contrações começaram a ficar de 2 em 2 minutos enquanto amamentava. Ela adormeceu rapidamente e resolvi acordar o marido para contar o que estava acontecendo e tomar um banho. Após o banho ligamos para Dr. Hemmerson e combinamos de nos encontrar no Instituto às 8h.

Chegando lá, fui recebida com um abraço pela Lena e logo em seguida Dr. Hemmerson se juntou ao abraço. Me senti acolhida e ao mesmo tempo pensei que realmente deveria estar em TP, afinal a Lena já estava lá com sua roupa de borboletas! Fomos para a avaliação no consultório e recebi a melhor notícia de todas: 6cm de dilatação e colo 80% apagado. UAU! 6 cm e eu nem estava gritando ou engatinhando pelos corredores? Decidimos internar de uma vez, pois eu não moro tão perto da maternidade. 

No caminho a dor começou a pegar. Chegamos na maternidade às 8h30 e fomos direto para a suíte de parto. Comecei a usar o chuveiro e recebi muitas massagens da Lena enquanto a banheira enchia. Pensei que a banheira me aliviaria tanto quanto no primeiro parto, porém a sensação que tive não foi a mesma. Comecei a perceber que estava indo tudo muito rápido, senti um ‘ploc’: era a bolsa rompendo. A partir desse momento, lembro apenas de flashes. Percebi meus gritos característicos de dilatação total, comecei a sentir uma dor muito forte na lombar e pedi analgesia. Nesse momento me arrependi de ter recomendado tanto a equipe a ‘me enrolar’ após o pedido de analgesia. Seguiram o plano de parto e tentaram postergar ao máximo esse meu pedido. Eu já estava pensando: “No próximo plano de parto vou escrever que quero analgesia com dilatação total sem questionamentos! ”. Dr. Hemmerson sugeriu uma avaliação e me disse que eu estava com 9,5cm. Na verdade era 11h30 e eu estava em dilatação total, como desconfiava. Descobri mais tarde que ele não quis me contar a verdade por saber da história do parto anterior e não me deixar preocupada. Recebi analgesia e continuei a sentir as contrações e também a pressão no períneo, o que foi ótimo. Fomos para o banquinho, fizemos agachamentos e eu conseguia sentir o Lucas descendo. 
 Mais tarde o efeito da analgesia passou e comecei a sentir uma dor muito forte no quadril. Era como se ele estivesse abrindo a cada contração. Essa dor foi totalmente inesperada para mim e me tirava o foco. Quando ela vinha eu não conseguia sentir a pressão no períneo, não sentia o Lucas descendo, não sentia mais nada onde deveria sentir. Comecei a perceber que precisava de mais uma dose de analgesia para tirar essa dor e voltar a ter aquela percepção de antes, senão ele não nasceria.

Nesse momento, vendo que eu não estava conseguindo prosseguir, Dr. Hemmerson sugeriu usar o fórceps. Lucas já estava em +2 há um tempo e esta poderia ser a solução. Aceitei rapidamente, pois para usar o fórceps precisaria da analgesia que era meu objeto de desejo. Junto com o anestesista chegou a Dra. Gisele. Ela sugeriu que eu empurrasse a cada contração, pois achava que seria possível nascer sem a ajuda do instrumento. Assim fizemos: recebi a analgesia e comecei a fazer força a cada contração. Meu marido começou a dizer que já estava vendo parte da cabeça e suas palavras foram um grande incentivo. Em pouco tempo a cabeça saiu (com uma circular) e logo em seguida seu corpinho. Lucas foi colocado em meu colo e era como se o mundo tivesse parado ali naquele momento. Suspirei aliviada. Eu consegui: pari num VBAC intenso. Percebi alívio e emoção dos que estavam ao meu redor. Me senti feliz e realizada. Tudo o que lutei, os desafios que encontrei e os medos que enfrentei valeram a pena. A dança de hormônios é maravilhosa, nos proporciona uma explosão de felicidade e nos capacita para a maternidade. Tenho um puerpério muito mais leve e tranquilo do que o anterior e já penso no segundo VBAC em alguns anos. Parto vicia, já me alertavam. 
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3 de janeiro de 2017

Relato de parto Daphine Almeida Bueno


 
Papai - Paulo / bebê - André
Meu amor, deixo aqui registrado o dia que nunca sairá do meu coração.
Sábado, 02 de Julho de 2016.
O sábado começa animado. As malas da maternidade já aguardam o sinal da sua vinda perto da porta da sala. Sete horas de playlist para que você nasça com trilha sonora e checklist impresso para não esquecer nada. Falta pendurar alguns quadrinhos no seu quarto e preparar o restante da casa para te acolher. A bagunça em breve vai passar e a organização virá. 38 semanas e 2 dias, tudo
planejado para te receber.
Domingo, 03 de Julho.
Às 3:08h da manhã, a primeira contração me acorda; espero a próxima para marcar o intervalo. O desejo que você venha pelo parto mais natural possível me faz aguentar firme.
3:48h. Marco a segunda contração. Deixo seu pai, a doula e o médico dormirem mais um pouco. “Com intervalos como esse, estamos longe de um trabalho de parto ativo.”
Às 5:00h, os intervalos já não são assim tão longos... Já respirei e inspirei. Mexi o quadril pra cá e pra lá. Repassei mentalmente todas as técnicas para alívio da dor.
Bora acordar a Lena, nossa doula. A resposta rápida traz segurança:
– A fase latente se caracteriza por intervalos irregulares... Descanse, respire fundo e longo. Vamos nos falando, Daphine.
“Bora acordar seu pai. Tadinho, trabalhou tanto no dia anterior.” Acordado, me oferece todo apoio... Mas a dor, essa é só minha.
Avisamos o médico. Ele parece feliz com o processo. Pede para irmos ao hospital para exame – está acompanhando outro parto.
Digo a seu pai que ajeite as malas no carro e providencie o que precisar. Eu, de cá do banheiro, traço estratégias para sair do chuveiro, enfiar uma roupa e respirar até chegar. Gostaria mesmo era de ser trasladada para a maternidade porque a essas alturas, não me imagino sem os exercícios para alívio da dor. A voz da Rosana cantando a música “Debaixo D'agua” na sessão de Epi-No de sexta-feira
ecoa em minha mente: “mas tinha que respirar...”
– Pronto, pode sair do banho. Tá tudo pronto.
Naquele instante me dou conta que escorre em mim um líquido diferente da água do chuveiro. “A bolsa!” A contração seguinte me leva pro chão. Se eu soubesse que ficaria ali, no chão do box, por uma hora ou mais, teria me posicionado melhor.
– Paulo, não consigo me levantar, liga pro médico!
(...)
– Doutor, ela está no banheiro. Não consegue sair do chão do box!
(...)
– O médico disse que a gente tem que ir para o hospital.
Meu passaporte é imediatamente carimbado para a Partolândia.
– Liiiiiga pra Leeena... Aaai!
(...)
– Lena está num parto. Vai mandar a Rosana no lugar dela. Ela já vai nos ligar.
– A Rô? Graças a Deus!
(...)
– A Rosana disse para você baixar a cabeça e elevar o quadril.
– Não consigo sair dessa posição! Sai daqui!
– Quer um travesseiro?
– Saaaaai!
– Como posso...
– Cala a bocaaaa!
“Meu Deus, agora somos só nós. Vou precisar fazer esse bebê nascer. Ele sabe nascer.”
– A Rosana está vindo e vai trazer uma enfermeira obstetra também, a Odete.
Descubro sozinha que ninguém precisa te mandar ‘fazer força’. O puxo vem. Não tente freá–lo. Ajude seu corpo. Imagine. Respire. Sinta. Deixe o bebê vir!
“Meu bebê está mais perto dos meus braços. Não vou aguentar.”
Grite! (como animal mesmo). Respire! Grite!
–Porque não nasce? Aaaaaaaaaaaai!
“Ai meu Deus! Eu peguei no ar?! Com a mão esquerda?! Nasceu? Nasceu.”
– Senhor, obrigada... (Sussurro.)
Minhas lentes marejadas fotografam aquele momento para sempre. Toda vez, choro ao falar daquele instante. Tão nosso... Aquele elo indivisível... O binômio mãe-filho.
"APGAR do 1º minuto? Desculpe filho, suas covinhas me distraíram. Te olhei inteiro, sabia que estava bem."
Não tem mais dor, só choro: o meu, intenso; o seu, fraquinho. Você me trouxe de volta... Da viagem, volto mãe. Humilde diante da vontade de Deus. Guerreira.
Forte pra te proteger do quê e de quem for. Frágil diante do seu sorriso fácil. Com a voz mais doce do mundo anuncio, ao seu pai:
– Amor, seu filho nasceu.
Essa foi nossa primeira aventura juntos. A maior da minha vida. Experiência espiritual.
Seu pai também foi corajoso. Preparou tudo nos bastidores. Pediu a Deus por nós!
A Tia Rô e o papai me ajudaram a ir pra cama. “Bobagem gente! Tô boa igual a um côco"! No quarto, a Odete clampeou o cordão umbilical, mas foi o papai quem o cortou. Os cuidados continuaram. No conforto da nossa cama, só cabia quem era pra estar ali.
***
Vale lembrar que nossa querida Rosana fez o percurso Nova Lima/Serra em 15 minutos! Quando ela chegou você estava há pouco nos meus braços. Te olhou, me olhou. Nos aqueceu. Nos serviu.
Em seguida, chegou a Odete, que também mora em outra cidade. Naquele domingo estava em BH para participar de um batizado. Graças a Deus ela tinha tudo naquelas malinhas – até Certidão de Nascido Vivo! – e todo preparo e competência. Te pesou, te mediu, fez tudo o que se faz a um recém nascido.
Elas cuidaram da gente até o fim, e mais um tanto.
***
Essa é a nossa história, ou o começo dela.

Por - Daphine Almeida Bueno - As Rodas fomentaram em nós o desejo por informação de qualidade. Ali estabelecemos relacionamentos que esperamos durar para sempre. Os bebês, outrora na barriga, agora já brincam aqui de fora. #vempraroda

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