26 de setembro de 2016

Relato de parto Carine Silveira

Depois de quase 5 meses escrevi o meu Relato de Parto!
Foi uma experiência muito boa relembrar momentos tão especiais.
A minha gratidão à Bel Cristina, Quesia Tamara Villamil e Karine Brugger.

Quinta feira, dia 05 de maio de 2016.

Converso com o Theo e pergunto se é hoje que ele quer chegar ao mundo. Quem me conhece sabe que sou super ligada em datas, e hoje é um dia especial. Conto ao Theo que há 18 anos, nesta data, o pai dele me pedia em namoro.
Nada.......

Sexta-feira, dia 06 de maio de 2016.

     Depois de uma semana em casa, sem trabalhar por conta de uma sinusite, me levanto cedo pois tenho consulta com o obstetra e ultra som.
Wander e eu vamos para o Instituto Nascer, e somos atendidos pelo Dr. Hemmerson, já que a minha obstetra, a Dra. Quésia não está. Foi uma semana corrida, a minha consulta foi remarcada 3 vezes por conta dos vários bebês que estão florindo o mês de Maio. Adoro o mês de Maio, mês do meu aniversário!! Tudo ok com a consulta, 39 semanas e 3 dias, foi ótimo conhecermos o Dr. Hemerson, pois, dependendo da data em que o Theo resolver chegar, a Dra. Quésia estará em um seminário.
     De lá, vamos direto para a clínica de ultra som, será que este vai ser o último? Adoro ouvir o coraçãozinho do Theo e saber como ele está. Como sempre, o ultrasonografista, Dr. Paulo é um amor de pessoa, e constatamos que está tudo bem. O Dr. Paulo me diz que a minha placenta ainda não está madura, é de grau 1, que eu não devo me apressar, e devo esperar o tempo do Theo, e que, dificilmente ele nasceria antes de completar 41 semanas. Este fato me deixa muito ansiosa, será que não vou entrar em trabalho de parto? Será que terei que fazer uma cesárea?
     Envio uma mensagem para a Dra. Quésia na parte da tarde informando que estava tudo bem no ultra som, e faço uma piadinha, perguntando se ainda dava tempo da minha placenta amadurecer..rsrsrsrsr. Ela me retorna, me pedindo para ficar tranquila e dizendo que está tudo bem, que aguardava minha ligação em trabalho de parto (ô moça sabida).
     E assim o dia foi chegando ao fim... à noite fomos ao aniversário de um amigo e sai de lá me despedindo dos meus colegas de trabalho, dizendo que na segunda feira estaria de volta. Mal sabia eu...kkkkkk

Sábado, dia 07 de maio de 2016.

     Me levanto sentindo umas colicazinhas... diferentes de tudo que já senti, mas é tudo super leve e o dia passa tranquilo.
     À noite, o último lanche da família éramos seis (Agora somos 7!!!), coloco meus dotes culinários em prática, mas eu mesma.. quase não comi. As colicazinhas estão ficando mais fortes, começo a monitorar pelo aplicativo do celular. Não comento nada com ninguém, pois ia ser muito nervosismo kkkkkkk. Wander foi se deitar por não estar se sentindo bem.
Fico sozinha, sentada no sofá da sala e me pergunto, será que é hoje? Ou melhor, amanhã, já que passa das 23 hs. Será que vou ganhar este presente de dia das mães?

Domingo, dia 08 de maio de 2016 (Dia das mães).

     Continuo monitorando as contrações pelo aplicativo (nessa hora já tenho quase certeza que estou em trabalho de parto) 7 em 7 minutos, vou acordar o Wander.
     Meia noite e quarenta e cinco, chego no quarto, e digo ao Wander que nosso pequeno está querendo vir ao mundo. Ele se senta na cama e me diz: Essa notícia sara qualquer pessoa. Nesse momento ele nem se lembra mais que estava indisposto.
      Ficamos ali conversando e monitorando as contrações, o incômodo vai aumentando, mas não é uma dor. Duas da manhã e as contrações já estão de 5 em 5 minutos. Resolvo tomar um banho. Me lembro da Dra Quésia falando, “ O carro liga quando as contrações estão de 5 em 5 minutos, porém o motor só esquenta quando chega de 3 em 3”. Isso significa que ainda tenho tempo, quero prolongar ao máximo minha estadia em casa. As contrações estão ritmadas, continuamos jogando conversa fora, eu no chuveiro e Wander sentado no banheiro. Peço água, e ele me responde: Espera só um pouquinho que sua próxima contração deve chegar em 45 segundos. Eu rio, e daí 40 segundos, dito e feito, lá vem a contração.
     As 3 da manhã, já estamos de 3 em 3 minutos, e o incômodo aumentou consideravelmente. Eu penso, “Meu Deus, está tudo muito rápido, será que é assim mesmo? A bolsa não estourou, acredito que eu não tenha perdido nem o tampão, e onde estão as dores nas costas? Por enquanto só sinto na parte de baixo da barriga”. Wander liga para a Dra Quésia, que faz a avaliação da situação ao longo dos 5 minutos de conversa com ele ao telefone. Como as contrações estão de 3 em 3 minutos, ela nos informa que vai verificar a disponibilidade da suíte PPP no hospital de nossa preferência e nos retornará, enquanto isso, já podemos nos arrumar para sair e ligar para a Bel, nossa Doula. A Dra. Quésia nos retorna dizendo que está tudo ok e que já podemos sair. Wander liga para a Bel e ela diz que nos encontrará no hospital
      Como sempre, estou pronta em 5 minutos. As coisas do Theo e as minhas já estavam todas prontas, nas devidas malas. Wander demora uns 40 minutos ainda. Se eu já pego no pé dele, por conta de horário no dia a dia, imagina sentindo contrações à cada 3 minutos. Mas não posso reclamar, ele, além de se arrumar, estava preparando uma lancheirinha com frutas, castanhas e sucos (ai como eu amo esse marido gente!) para àquela que seria a jornada mais incrível de nossas vidas.
     Às 4h da manhã chegamos ao hospital, ainda bem que não tinha trânsito, porque andar de carro não é agradável. A Dra. Quésia e a Bel já estavam nos aguardando na portaria, elas me recebem com abraços, sorrisos e muito carinho. Vou direto para a suíte e Wander vai cuidar da papelada.
     Após ser examinada pela Dra. Quésia, vejo que ela sinaliza para a Bel, que estou apenas com 2 cm de dilatação e sai do quarto. Essa hora é frustrante. Depois de algumas conversas ao pé do ouvido, ela volta com o Wander e eles me dizem que realmente estou apenas com 2 cm de dilatação ainda na fase latente do trabalho de parto e que será melhor aguardarmos em casa.
     Voltamos para casa, Wander e eu, acompanhados pela Bel, e iríamos ao Instituto Nascer as 09 da manhã para uma nova avaliação. A esta altura, estava cansada e chateada, não tinha dormido nada e já fazia quase 24 horas desde a minha última refeição decente.
     Ao chegarmos em casa a Bel, já foi logo preparando um escalda pés e me faz uma massagem maravilhosa, ficamos nós duas na sala e consegui tirar um cochilo. As contrações se tornam irregulares, Bel me pergunta se quero comer alguma coisa, mas não consigo comer nada. As horas passam, tomo mais um banho longo e lá vamos nós para o Instituto, outra viagem desconfortável de carro, e mais frustração ao chegar e constatar que nada havia mudado, 2 cm de dilatação. A Dra. Quésia me pergunta se pode descolar a membrana, já que isso ajudaria na evolução do trabalho de parto. Digo que sim, estou cansada mas não vou desistir, voltamos de novo para casa, dessa vez só Wander e eu. Com um retorno ao Instituto pré agendado para a 18hs.
      No caminho me lembro que é dia das mães e que havia combinado de almoçar com a minha mãe e minha irmã. Não quero falar com ninguém, e peço ao Wander que as avise que não vai rolar almoço hoje e que ele dará notícias ao longo do dia.
     O domingo passa e continuo sem conseguir comer nada, o Wander bem que tenta, mas tá difícil, na parte da tarde ele faz um filé de peixe que adoro e quase obrigada como um pouquinho. Sei que Wander está nervoso e tenso, mas não deixa transparecer e faz de tudo para que o dia seja calmo, e nesse meio tempo responde às mil mensagens de Whats app que não param de chegar. Passo longe do celular.... As contrações continuam irregulares, às vezes até de 30 em 30 minutos.
    Não sinto que o trabalho de parto tenha evoluído. Já nem sei quantos banhos tomei, sinto muuuuuuuito calor, e próximo do horário de ir para o Instituto resolvo tomar mais um. No chuveiro eu fico pensando, será que devo continuar em casa? Não estou afim de ouvir novamente que continuo com 2 cm de dilatação. Mas não sei se aguento outra noite cansativa e em claro. Chamo o Wander e pergunto o que ele acha. Ele me diz que se não estou com vontade de ir, devemos ficar, e que se ficar difícil, podemos ir pro hospital a qualquer hora. Ele liga para a Dra. Quésia e a informa da nossa decisão. Ela pede para darmos notícias de qualquer evolução durante a madrugada, caso contrário, nos falaremos pela manhã.
     Após o banho volto para o meu cantinho predileto nos últimos dias, o sofá. Consigo dormir entre as 20 e 23 horas. Nossa!!! Como foi bom dormir um pouco. Resolvo ir pra cama, para ver se o Wander descansa um pouco.

Segunda feira, dia 09 de maio de 2016.

     Rolo de um lado pro outro, e não consigo ficar muito tempo deitada, pois é a pior posição.    Resolvo tomar mais um banho, Wander faz uma massagem muito boa e ficamos por lá um bom tempo. Ao sair ele me diz que vai fazer um escalda pés, pois ele aprendeu com a Bel. O escalda pés me ajuda a relaxar novamente e essa noite parece que passa mais rápido que a anterior.
     Às sete da manhã, ligo para a Dra. Quésia, contrações a cada 15 minutos, e comecei a sentir um incômodo nas costas, decidimos voltar para o hospital. Me preparei para um parto com a menor quantidade possível de intervenções, mas não iria prolongar por mais tempo a minha estadia em casa, já estava muito cansada. Nessa hora me lembro de uma das conversas que tive com a Dra. Quésia em uma de minhas consultas, ela me dizia que eu não deveria idealizar o parto, que deveria me entregar e viver a experiência, que se 70% fosse como eu esperava, já estaria no lucro. E com este pensamento fui para mais uma viagem “adorável” de carro, dessa vez, bem melhor que no sábado. O nervosismo inicial e a ansiedade já tinham passado, também, depois de tantas idas e vindas...rsrsrsr
     Dessa vez chegamos primeiro ao hospital, logo depois chegam a Dra. Quésia e a Bel, voltamos para a mesma suíte. Após a avaliação a Dra. Quésia me fala que estou com 4 cm de dilatação, e que a opção seria a indução artificial e o rompimento da bolsa. Confio na médica que escolhi para nos acompanhar a decido seguir em frente, voltar para casa não era mais uma opção.
      Olho para o relógio, 09:30, a enfermeira aplica a medicação, a bolsa já foi rompida, pelo que li ao longo da gestação, a indução artificial acelera bem o processo, o que pode torna-lo mais dolorido. A Bel me oferece um banquinho de balanço para sentar, o movimento alivia dor, (a essa altura já não falo mais incômodo) as contrações estão bem menos espaçadas, mas já não sei dizer de quanto em quanto tempo. Não sinto uma dor insuportável. O que mais me desgasta é o cansaço, é saber que não há intervalos, a contração vem, dura 1 – 2 minutos e logo em seguida outra já está à caminho. Me movimento, vejo a Bel colocando o Wander em uma cadeira mais confortável para que ele descanse um pouco, pois ele estava dormindo em pé e ela lhe diz que daqui a pouco eu precisarei muito dele.
     O tempo passa, decido ir para o chuveiro, a contração vem, meu instinto e me encolher toda, mas me lembro da Bel dizendo: Para baixo, relaxa, não trabalhe contra a gravidade. E assim eu faço, ou pelo menos tento.
    A Dra. Quésia chega para uma nova avaliação, que tem que ser realizada no momento da contração. Ai Jesus!! Isso não é divertido. 6 cm de dilatação, será que eu vou aguentar? Li muito que as mulheres em trabalho de parto entram na partolândia. Sou diferente, continuo consciente e dando notícia de tudo que está acontecendo ao meu redor. Me lembro das minhas leituras e sei que agora é a fase mais dolorosa do trabalho de parto. Pergunto à Bel sobre a possibilidade de uma analgesia e ela me diz para entrar na banheira antes desta possibilidade.
     Entro na banheira, e tenho um alívio, consigo relaxar um pouco mais entre as contrações. A esta altura o Wander já está acordado, já almoçou e já está ao meu lado. Bel me diz para vivenciar cada contração como se fosse a última, pois a cada momento eu estava mais perto de segurar o Theo nos braços. Tento me hidratar. Por alguns momentos ficamos somente Wander e eu no quarto, e ele me dá forças para continuar e não desistir àquela altura do trabalho de parto.
      Então sinto uma vontade enorme de empurrar, percebo que entrei na fase expulsiva do trabalho de parto. Depois de um longo caminho para subir a montanha, agora só falta escalar o paredão. Wander avisa a Dra. Quésia que vem me examinar novamente. Falta pouco.
     Faço força, e mais força dentro da banheira. Uma outra voz passa a me orientar e me ajudar, é a  Karine, minha quase xará, enfermeira do Instituto Nascer. Elas me pedem para sair da banheira, pois perceberam uma pequena alteração no batimento cardíaco do Theo. Vou para o banquinho, Wander sentado atrás de mim me apoiando e me ajudando. Percebo uma movimentação dentro do quarto, enfermeiras, pediatra e penso, está muito próximo.
     Algumas contrações depois Karine me avisa que Theo está coroando, coloco a mão e posso sentir sua cabecinha, mais uma contração e ela sai, Theo está olhando para cima, olhando para mim! Antes que o restante de seu corpinho saia ele chora. Outra contração e ele está em meus braços às 13:37 do dia 09 de maio de 2016. Obrigada Meu Deus!
     Que momento.....Wander nos abraça e estamos muito emocionados. Ficamos ali, nós 3, curtindo o nosso momento, o nosso mundo. Depois de algum tempo, a Dra. Quésia pergunta ao Wander se ele quer cortar o cordão umbilical. Ele prontamente responde que sim. Pose para a foto, e o laço físico entre mim e o Theo é cortado. Não me preocupo, pois tenho certeza que o laço que nos une é muito mais forte e jamais será rompido!
     E assim termino meu relato de parto! Olho para o lado e vejo o Theo dormindo serenamente nos braços do Wander, que também dorme, e tenho certeza que amor existe e que tudo valeu e vale muito a pena!

20 de setembro de 2016

Roda ONG Bem Nascer Bebês - Mangabeiras - CEAM

Email - ONGbemnascerBH@yahoo.com.br
Sábado, dia 24/09/6, das 14:00 às 16:00.  
Local - Parque Mangabeiras, no CEAM - Centro de Educação Ambiental.
O bebê nasceu. Com ele nasce uma mãe, um pai. A família. E, agora?
Vamos conversar sobre isso.
Traga seu relato, suas dúvidas, aflições.
Venha dialogar sobre esse tema. Desafios da maternagem, paternagem, família.
Aberta e gratuita. Traga um lanche para compartilhar.
Fotos - Aline Fêlix
Que alegria, além de rever os bebês, irmãos, irmãs, vieram ao encontro. Assim as famílias vão trocando, compartilhando a criação de seus filhos. 
Participação ativa de mamães, papais, bebês, irmãozinhos, irmãzinhas. 
Essa foi a segunda de muitas. Aguardem os próximos encontros, que acontecerão sempre no último Sábado todo mês, a partir das 14:00.

19 de setembro de 2016

Roda Mangabeiras - CEAM


ONGbemnascerBH@yahoo.com.br
Sábado, dia 24/09/6, das 09:30 às 12:30.
Local - Parque Mangabeiras, no CEAM - Centro de Educação Ambiental.
Como auxiliar uma gestante durante o trabalho de parto e parto?
Quer saber como melhor acolher, apoiar? Compareça.
Gestante que estiver com 37 semanas ou mais, pode participar do Chá de Bênçãos.
Basta levar uma bacia para uso pessoal, um par de meias, 01 toalha de rosto. Assim mostraremos na prática massagem nos pés. Além de outras dicas para os futuros papais e, quem for acompanhar a gestante no dia do trabalho de parto.
Roda aberta e gratuita. Favor levar um lanche para compartilhar.
    E, mais uma roda aconteceu. 
    Sempre bom ter oportunidade para compartilhar, ouvir, falar, trocar. 
   E, vejam só um dos motivos... o retorno dos bebês após o nascimento junto com a família que renasceu. 
    João no colo de um papai que esta construindo a chegada de seu bebê junto a sua amada. 
   Ele todo sorridente, frequentava as rodas enquanto morava dentro da barriga de sua mamãe Ana Carolina. 
    Alegra-nos, imensamente, conhecer fora quem conhecemos dentro. 
    A interação entre participantes é muito rica. 
   Quem esta em construção do parto ouve relatos de quem já ganhou seu bebê. 
   Cada um terá sua própria vivência, porém a partilha enriquece e fortalece muito. 
   Por isso, quem já ganhou seu bebeê e escreveu seu relato de parto, envie para nós, contribuindo assim com as mulheres/papais/famílias em construção do parto.
  RELATO, envie para ONGbemnascerBH@yahoo.com.br
 
 
Ana Carolina e João

16 de setembro de 2016

Sabrina, Igor e Ana Sofia

    Pouco mais de 2 meses se passaram e ainda não consegui falar ou sequer expressar a beleza do acontecimento que foi o meu parto/o nascimento da Ana Sofia. 
    Pois bem, aos que estavam presentes ( Igor, Maiza, Daphne, Kelly) podem me corrigir e falar que estou romantizando muito que eu nem ligo.   
   Aos não presentes, saibam que passei pela melhor e pior dor da vida, mas NÃO SOFRI em momento nenhum.  
    Para aqueles que não sabem, meus planos eram parto natural domiciliar acompanhado pela equipe do Hospital Sofia Feldman ( Tatiany, Sintia, Ana Caroline, Kelly) mas não foi possível. Meu pré natal foi com a equipe do Sofia e com meu maravilhoso médico Dr Renato Janone, onde tive todo apoio do mundo para que corresse tudo em ordem. 
     Então Internei no Sofia no dia 13/07, muito frustrada, para a Indução devido alteração em exames.  
Induziram. Medicaram e estouraram minha bolsa da forma mais respeitosa que existe, sempre me explicando e perguntando o que eu queria. Exame de toque só foram realizados 3 durante toda a gestação e a meu pedido pra saber sobre a evolução do parto. Dia 14/07 fomos transferidos para a suíte de parto " MARAVILHINDA" Dona Beja, onde ficamos até o nascimento da Aninha. No dia achei que foi tudo tão demorado, o tempo não passava, o relógio da suíte parecia não ter ponteiros. Não sei se era por causa da noite em claro ou se era o trabalho de parto e as contrações evoluindo.
    Comecei bonitinha de roupão, zanzando pelo quarto de um lado pro outro pra tentar progredir. Depois fiquei pelada, o que me fez ficar muito a vontade. Entrei algumas vezes na banheira, onde eu consegui descansar ou mesmo dormir entre uma contração e outra.
    Depois de um tempo acho que entrei em transe, não consigo lembrar o que aconteceu durante um determinado período. Apesar de muito me oferecerem, só bebi água e comi biscoito agua e sal e um picolé quando a Daphne me dava na boca. Aquele momento era meu. Não. Era nosso. Meu e da Ana.
     Não quis massagem, não quis espelho pra olhar a evolução. Mandei minha mãe sentar, mandei o Igor sair e diversas outras coisas que só quem presenciou conta e que pra mim fez muito sentido no momento. Senti dor de contração indo e vindo. Tudo suportável.
    Diferente do que várias pessoas pensaram, meu parto não foi na banheira. Foi no banquinho no banheiro. Não tive anestesia. Usei o chuveiro pra analgesia. Pensei em mudar de lugar, mas já era tarde. A Ana já estava ali, com a cabeça pra fora. Eu gritei! Isso me fez ter coragem (obrigada Kelly, que me disse pra gritar!) Estavam todos em volta esperando o momento. Senti ela coroando e ficou uma eternidade até eu sentir passando a cabeça (o bendito círculo de fogo). Senti queimando. Depois saiu o corpo escorregando igual um peixinho. O Igor parecia emocionado e com as pernas bambas na minha frente. Minha mãe chorou comigo. Kelly desenrolou o cordão do pescoço e eu a peguei.
     Estava roxinha e demorou a chorar. Eu chorava por ela e mandava ela chorar. A pior dor foi esta. A dor do esperar a minha filha mostrar sua vida. Depois de um tempo ela chorou. Chorou forte. Chorou alto. Com muito fôlego. Eu só sabia dizer pra todos: "Eu consegui! Eu dei conta". Fomos pra cama onde eu consegui amamentar. Meu bebezinho foi levado para procedimentos no berço ao lado enquanto eu era suturada (tive laceração de segundo grau). Fiquei na suíte enquanto esperava vaga pra irmos pra casa de parto. Recebi visita de todas as enfermeiras lindas que me acompanharam no pré natal. Minha mãe passou a noite comigo no hospital. No dia seguinte recebemos todo o tratamento humanizado que o hospital preconiza e mais um pouco.
     Meus desejos foram atendidos, meu plano parto foi respeitado e tudo foi tão perfeito dentro do que foi possível.
     Deus alterou meus planos pra fazer o dia 14/07/2016 ficar mais lindo!
Hoje, só tenho a agradecer à todas as pessoas maravilhosas que sonharam esse momento comigo e fizeram com que desse tudo certo!

Sabrina Alves Raddatz (Mãe da Bem Nascida Ana Sofia)

14 de setembro de 2016

- Parto normal? Pelo convênio? Prepare-se para a dor de cabeça

- Matéria na íntegra - http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/noticias/parto-normal-pelo-convenio-prepare-se-para-a-dor-de-cabeca                    
                                                                                             Thinkstock/kjekol
Gravidez: honorários recebidos dos planos não compensam a longa espera pelo parto normal, dizem médicos
 
São Paulo – Se você está se preparando para ter um filho, é bom preparar também o seu bolso e treinar sua paciência caso a intenção seja realizar o parto normal contando com a cobertura do plano de saúde.

Além de enfrentar problemas para encontrar médicos que realizem partos pelo convênio – tema da reportagem de abertura deste especial de EXAME.com sobre os custos dos partos no Brasil –, mulheres grávidas têm passado sufocos na tentativa de realizar partos normais dentro do sistema de saúde suplementar.

Conforme relataram diferentes mulheres grávidas consultadas pela reportagem, obstetras credenciados nos planos de saúde têm se negado a fazer o parto normal pelo convênio. Outros dizem realizar o procedimento apenas se o pagamento for feito particularmente e chegam a cobrar valores até 40% maiores pelos partos normais, em relação às cesáreas.

Em abril, o Ministério da Saúde lançou um protocolo para reduzir as altas taxas de cesáreas no país, que chegam a 40% na rede pública e a absurdos 85,5% na rede suplementar.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), ainda que a cesárea ajude a salvar vidas, o procedimento tem sido realizado frequentemente sem necessidade médica.

César Eduardo Fernandes, presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), diz que existem três indicações aceitas pela comunidade médica para a realização de cesáreas: a primeira é quando existem riscos para o feto confirmados por avaliação médica; a segunda é quando há riscos para a mãe, também comprovados por avaliação médica; e a terceira seria quando a própria grávida deseja realizar a cesárea, o chamado parto a pedido.

Se nenhuma dessas três situações estiver em jogo, o médico não deve, em hipótese alguma, indicar a cesárea previamente, segundo Fernandes. Na prática, porém, essa recomendação parece não ser seguida muito à risca.

Até risco de morte do bebê é usado para justificar a cesárea

A fisioterapeuta Thelma Diniz (nome fictício), de 38 anos, queria realizar seu parto em casa, mas não encontrou médicos do convênio que o fizessem. Ela resolveu, então, que faria o parto normal na maternidade, mas também não encontrou quem realizasse o procedimento pelo plano de saúde. “A maioria é bem clara e diz que não faz parto normal. A ginecologista que me acompanhava desde os 13 anos, por exemplo, só aceitou fazer o meu pré-natal.”

A justificativa da médica, segundo Thelma, é que o parto normal, por ser longo, não compensa os honorários que ela recebe do plano de saúde, que variam entre 300 reais a 500 reais.

A bancária Acácia (que não quis citar seu sobrenome), de 26 anos, passou por situação parecida. Para justificar o fato de realizar apenas cesáreas pelo plano, sua médica usou um argumento, no mínimo, assustador. “Ela contou que, no último parto normal que havia feito, o bebê morreu alguns dias depois.”

Karina Ramos (nome fictício), 33 anos, administradora, conta que a médica que fez o parto de suas duas primeiras filhas pelo convênio deixou para avisá-la apenas no sexto mês de gravidez que não fazia mais o parto pelo plano. “Ela disse que sairia 5 mil reais a cesárea e 7 mil reais o parto normal”, diz.

Cleide de Almeida Rosa Salconi, 33 anos, coordenadora de atendimento, também afirma que foi pressionada pelo seu médico a realizar a cesárea. Ele chegou a insinuar que sua bolsa poderia estourar no deslocamento até o hospital. “Ele disse que seria perigoso. Eu entendo que para ele é mais cômodo. A cesariana tem hora marcada.”

Ao anunciar a preferência pelo parto normal, a empreendedora Emily Staub, 26 anos, também não teve uma resposta positiva de seu médico. “Ele disse que o único meio de fazer parto normal pelo convênio seria se a bolsa estourasse, com um plantonista”. Segundo Emily, o médico disse que o valor pago pelos planos, de cerca de 300 reais, não compensa a realização do parto normal, que pode durar dez horas ou mais.

Apesar de achar “um absurdo” pagar o plano por anos a fio para depois não conseguir realizar o parto normal sem cobranças à parte, Emily diz que ficou satisfeita com a honestidade do médico. “Sei de muitos casos em que o médico fala que vai fazer o parto normal até o final da gestação, quando a mulher, fragilizada pelo momento, aceita a cesárea.”

Depois de se deparar com valores de partos que poderiam chegar a 15 mil reais, a empreendedora buscou o SUS. “Escolhi a unidade de Sapopemba, em São Paulo, e o parto foi ótimo. Durou 12 horas e em todo esse tempo os médicos se dedicaram a mim”, diz Emily.

“Sei de muitos casos em que o médico fala que vai fazer o parto normal até o final da gestação, quando a mulher, fragilizada pelo momento, aceita a cesárea” Emily Staub, empreendedora, que realizou o parto normal pelo SUS

Se a cesárea for indicada sem motivos, denuncie

Os relatos mostram que as justificativas usadas por alguns médicos para realizar a cesárea definitivamente não seguem as recomendações aceitas pela medicina. “Se o médico é pessimamente remunerado pelo parto normal, isso deve ser discutido em instâncias superiores e nunca deve ser uma justificativa para a realização da cesárea”, diz o presidente da Febrasgo.

Ele afirma que, caso a cesárea seja indicada por motivos infundados, o médico deve ser denunciado, seja na delegacia mais próxima ou diretamente no Conselho Regional de Medicina. O mesmo procedimento deve ser seguido caso a gestante se sinta ofendida por abusos de natureza financeira.

Em novembro de 2015, o Ministério Público Federal (MPF), propôs uma ação civil pública na qual reconhecia a resistência dos médicos em realizar o parto normal e exigia que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) criasse uma regulamentação sobre o assunto.

No texto da ação, o MPF afirmou que a maioria dos médicos que realiza partos pelo plano de saúde não faz o parto normal “por tratar-se de procedimento bem mais demorado, que ocorre em dia e hora incertos, trazendo inúmeros inconvenientes aos obstetras que recebem a mesma remuneração seja para realização de um parto normal ou de um parto cesáreo”.

A ação também destacou que obstetras se mostram a favor do parto normal durante todo o pré-natal. Mas, no final da gestação, encontram um motivo para a realização da cesárea.
                                                                                                Thinkstock/vadimguzhva
Médica e paciente: se o médico cobrar valores abusivos e indicar a cesárea sem razões plausíveis, ele pode ser denunciado
 
Recomendações

Em abril de 2015, a OMS divulgou uma declaração sobre partos normais e cirúrgicos na qual dizia que, nos últimos 30 anos, a comunidade médica internacional considerou que o percentual de partos realizados por cesárea em um país deve variar entre 10% a 15%.

A entidade concluiu que, quando os percentuais de cesáreas são menores do que 10%, a mortalidade materna e neonatal diminui conforme a taxa de cesárea aumenta. Mas, quando as cesáreas ultrapassam 10% e chegam até 30%, o aumento da taxa não gera efeitos sobre a mortalidade.

Uma constatação parecida foi feita pelo jornal americano New York Times, que mostra que, nos últimos 15 anos, a taxa de cesáreas realizadas nos Estados Unidos subiu 50%, sendo que, no mesmo período, não houve qualquer redução em complicações médicas para os bebês.

De acordo com o Ministério da Saúde, considerando-se as características do Brasil, o percentual ideal de cesáreas definido pela OMS para o país estaria entre 25% e 30%.

A OMS menciona que a cesárea pode causar prejuízos ao vínculo da mãe com o bebê, à saúde mental da mulher, à capacidade de iniciar amamentação e ao desenvolvimento da criança. Mas ressalta que não há dados conclusivos sobre esses desfechos.

“A cesárea pode causar complicações significativas e às vezes permanentes, como sequelas ou morte [...] A cesárea deveria ser realizada apenas quando for necessária do ponto de vista médico”, diz a OMS, que ressalta, ainda, que as cesáreas também representam um gasto adicional significativo para os sistemas de saúde.

O Ministério da Saúde também afirma que a cesárea, quando não indicada corretamente, envolve riscos como aumento da probabilidade de surgimento de problemas respiratórios para o recém-nascido e risco de morte materna e infantil.

Segundo dados da OMS, o Brasil e a República Dominicana possuem as maiores taxas médias de cesáreas do mundo, de 55,6% e 56,4%, respectivamente – considerando-se os partos realizados nas redes públicas e suplementar de saúde. E, de acordo com a ANS, 85,5% dos partos são realizados por cesárea na saúde suplementar do Brasil, taxa muito superior à média global, que segundo a OMS é de 17%.
A entidade afirma, também, que cerca de 25% dos óbitos neonatais e 16% dos óbitos infantis no Brasil estão relacionados à prematuridade, que pode ser provocada pela cesariana marcada. Em contrapartida, no parto normal a mãe produz substâncias capazes de proteger o recém-nascido e favorecer a amamentação, diz a ANS.

Dados da ANS dizem que a cesariana aumenta em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o bebê e triplica o risco de morte da mãe.

Bebê prematuro na incubadora: cesáreas elevam riscos de óbitos maternos, neonatais e de problemas respiratórios para o bebê
                                                                                                               Thinkstock/Photodisc
 
Bebê prematuro na incubadora: cesáreas elevam riscos de óbitos maternos, neonatais e de problemas respiratórios para o bebê
Onde o problema surge?

De acordo com Martha Oliveira, diretora de desenvolvimento setorial da ANS, o alto índice de partos cirúrgicos no Brasil é explicado por uma conjunção de fatores que levou a saúde suplementar a criar uma estrutura baseada nas cesáreas.

Tanto os hospitais quanto os médicos e as operadoras de planos de saúde se organizaram de forma que as cesáreas acabam sendo mais convenientes do que os partos normais, segundo Martha.

Para ela, porém, o problema parte dos consultórios médicos. “Se o médico tem um consultório com 70 parturientes em um mês, como ele dá conta? Fazendo cesarianas. Eles agendam todas as cesáreas para o mesmo horário, em vez de acompanhar um só trabalho de parto normal, que leva horas”, afirma a diretora de desenvolvimento da ANS.

Ela acrescenta que o modelo que prioriza as cesáreas é instaurado não apenas entre médicos, mas também entre hospitais, já que muitos deles quase não têm obstetras de plantão e leitos para parto normal. Mas têm estruturas amplas de UTI neonatal e diversos leitos para realizar cesáreas. “O valor pago pelos planos aos hospitais é maior quando o parto é feito por cesárea. O que financia toda a cadeia no parto é a UTI neonatal”, diz Martha.

Por essas razões, a diretora da ANS argumenta que a relação que se criou na prestação do serviço de partos pelos médicos é tão específica que não haveria diferença de remuneração capaz de alterar esse modelo de organização. Para a ANS, a resolução do problema depende de uma ampla reestruturação do modelo de partos, envolvendo médicos, hospitais e planos de saúde.

Fernandes, presidente da Febrasgo, discorda da ANS e defende que a baixa remuneração dos planos de saúde é o principal motivo para a alta taxa de cesáreas. “À medida que os honorários foram se aviltando, especialmente de 2010 para cá, muitos obstetras deixaram de fazer partos pelos planos, já que eles não têm obrigação legal. Esse estado de aviltamento está na raiz do problema.”

De qualquer forma, Fernandes também acredita que a solução do problema requer uma mudança estrutural, envolvendo não só os médicos, mas também hospitais e operadoras de planos de saúde.

A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), entidade que representa algumas das maiores operadoras de saúde do país, também parece lavar as mãos em relação à questão dos honorários médicos. Em resposta enviada por e-mail a EXAME.com, a entidade afirmou que não tem interferência sobre valores negociados entre suas associadas e prestadores de serviços.

Tópicos: ANS, Saúde no Brasil, Gastos pessoais, Gravidez, Planos de saúde, Saúde

13 de setembro de 2016

15 anos ONG Bem Nascer - Outubro 2016

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Ainda que alguns tenham uma demanda mais delicada, difícil, o ACOLHIMENTO faz toda diferença para amenizar as dificuldades.
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Da família ONG Bem Nascer para as famílias que nos acolhe em vossa construção.
Nas rodas estaremos gravando os relatos, registrando com as fotografias também.
Compartilhem a ideia, participem.
ONGbemnascerBH@yahoo.com.br